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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O pecado da mulher que ousou amar

Aconteceu num lugar o singular facto de uma mulher, um dia, encontrar o seu amor num colega. Deixou para trás a sua casa, o seu marido e a vida que tinha e passou a amar esse outro homem. E a ele começou a dedicar todas as atenções, todos os minutos e todos os sorrisos.
Ciosa da sua privacidade, entendia que esse amor seria apenas seu e de mais ninguém. Ninguém poderia saber ou sequer entender que amava aquele outro homem. E assim passou a viver num certo conto de fadas em que deleitando-se sobre qualquer dito do seu novo homem tinha a certeza que ninguém entendia que estava a viver uma segunda primavera e que todo o seu tempo eram momentos de pombos a arrolhar.
O tempo diabolicamente insiste em passar segundo após segundo e tem o perverso efeito de destruir o efeito da novidade e dar-lhe o gosto de hábito, perdendo o tempero único do encantamento. E, ao se desencantar, nota que aquilo que admitia como passeios a dois num infinito areal era uma exposição do artigo mais cobiçado na montra da inveja humana e, por tal, comentado à exaustão pelo universo que com ela convive. Ninguém faz por maldade, mas por não ter outro motivo tão ardente ou picante para comentar. Que sensaboria relatar a triste viagem da casa para o emprego mas que gosto em verificar os olhares, o terno encosto da cabeça, até o passo que é feito a par...
E, ao tempo que surge o bocejo, a previsão de algo que ganha monotonia e, até, um certo bafio, e todos esses pequenos nadas começam a transformarem-se em incómodo interior, ou não fora de uma mulher que se trata este relato. E, enquanto empina o nariz, levantando o queixo e apressando o passo determinado, resolve promover para a montra o fim de algo que era já uma muito pálida sombra do que fora.
 Apesar do sabor doce desse amor, dessa vontade de calor, da saudade ao fim do dia que lhe dava um frenesim ao acordar, ousara amar e admitia que seria um pequeno segredo partilhado apenas no seio do encantamento. Vivia a saudade desse sentir e a melancolia de o ter perdido.
Sendo o ser humano feito para amar, estava, pois nesse limbo do amor que cessa e que não deixa futuro.
Ousou amar sem consequência e agora mortifica-se numa solidão. Espalha, pois, pequenos afectos como outros pequenos desamores para temperar equilíbrio. Ousara amar e agora tinha que desamar, não o amor, mas outros desamores.

E é assim de uma fonte de água cristalina pode, um dia, correr pedra seca e oca.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Fechando portas e janelas

Hoje vivi e presenciei um acto impiedoso e absolutamente desolador da minha confiança na bondade do ser humano. Passo a descrever:
Uma relação profissional bastante desgastada, sem espaços para diluição de lapsos, erros e mal entendidos que o tempo amplia levou a uma relação de mera presença física e quase nenhum diálogo. Sem aviso prévio surge a oportunidade de um colega cessar o trabalho com uma recompensa financeira simpática e, também, um novo capítulo na sua vida. Segura com as duas mãos circunstância e hoje termina a sua ligação com a mesma entidade. Sendo o último dia, a expectativa era a de se enterrarem todos os machados de guerra, pois deixa de ter sentido qualquer conflito ou que perdurem mal entendido e, de modo civilizado, dizer um "adeus e até à próxima" com um sinal de confiança no futuro ( mesmo crendo que não exista futuro algum). Acontece, todavia, que a realidade surpreende sempre.
Começou o dia fechado, apagado quase e incapaz de comparecer em qualquer acto de despedida. Um acabrunhamento em pessoa, uma pedra de ressentimento, um alheamento intencional e activo. Mais tarde percebe-se porquê. Não pelo colega que se vai embora, mas pela sua incapacidade de lidar com o momento, a incapacidade de dar o braço, de ser gente humana. Fecha-se numa pedra e, mesmo ferindo-se nessa não despedida, é incapaz de virar a mão e abri-la ao mundo.
Envelheceu hoje mais um ano enquanto o meu colega que sai, ganhou agora luz e anos de vida.

Espero conseguir apagar este desolador episódio rapidamente.

sábado, 15 de julho de 2017

desconsolando

Uma pessoa que cada vez mais ignorava pensando que a conhecia, escreveu isto "Quando a vida te dá cem motivos para quebrar e chorar... mostra a vida que você tem um milhão de motivos para sorrir e rir!!!!". E escreveu em inglês para, seguramente, dar um tom menos pessoal à questão.

Ora o tempo vai correndo e noto, com rara facilidade, que os motivos profundos das suas cem causas para quebrar e chorar nascem na sua inabilidade de lidar com a adversidade, com a diferença, com outras opiniões e com a perda de posição social que ambiciona. O riso é amarelo, falso, fraco e fugaz. Mas pior que tudo isso, é solitário e vazio.

Um desconsolo

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Pobres dos estúpidos

Por vezes, e por pura cobardia, os estúpidos são instigados a tomarem posições. E, claro, o estúpido é como um carro pesado numa descida, mal começa apenas acaba na parede com a qual confina a estrada.
Ficará pois, completamente exposto que foi utilizado, sem a mínima noção, que não entende, nem nunca entendeu o que se passa.
E claro, imbecilmente seguro, que fez o que [alguém a quem pede pressurosamente amor] estaria numa determinada aceitação.
Males de amor.

sábado, 8 de julho de 2017

As mulheres

- Detesto-o! Ele é inacreditável. Impossível de se trabalhar....
- Porque é que continuas a insistir?
- Eu não insisto nada. Por amor de Deus. Ele é impossível...
- Mas....
- Mas, o quê? Não consegues ver?
- .... bom..., às vezes...
- Pois, isso é contigo! Imagina comigo!
- ?
- Sim..., não reparas?
- No quê?
- Naquele modo como me olha e pergunta...
- Como?
- Sim... aquele olhar preso...
- Mas ela não está de costas para ti?
- Querias que eu o sentasse frente a frente comigo, não?
- Claro que não!
- Vês?
- .... ( amén.... Assim seja a tua vontade)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

curta da segunda

Numa ansiedade crescente, chega antes da hora. Criança, infantil, espera, ansiosa, a volta de férias do seu encanto. Ela olha, espera e desespera. Tem vontade de rir mas ele não conta nenhuma piada. Tem vontade de largar a sua emoção de dias a fio da sua ausência e nada mais que umas cócegas....
E, apesar do intencional decote, sugestivo de um deleite sensual, de uma emoção que se agarra com as mãos cheias em modo de acolhimento, nada acontece, nada se passa, apenas umas míseras cócegas...
Com frémito no olhar, com expectativa na narrativa, onde se propõe a ser a substituta de qualquer aventura, suspira amargamente a narrativa da aventura profundamente desinteressante. Insubstante...

Olha em redor... predador de ausências recolhe as suas presas de eleição.

Mais que compensação, acabam por ser, à distância, razões da sua triste e injustificável opção...

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Uma triste realidade

Descobri, ou melhor, reconfirmei ( quer dizer voltar a confirmar o que não é o mesmo que duplicar a mesma confirmação!) que uma alminha com quem trabalho se deu ao trabalho de me bloquear nas aplicações do Facebook e do Instagram. Trocado por miúdos, entende essa alminha, que na sua pueril dimensão, produzirá conteúdos tão extraordinários e reveladores e tão únicos que a minha pessoa não está apta a visualizá-los. Coisas tão extraordinárias como "Treta 36", viva o Benfica e mais 
lucubrações metafísicas de igual jaez.
Sim, é uma atitude liceal para não dizer pior.
E, creio profundamente, que tudo o que eu registe nessas benditas redes sociais, entram debaixo do diáfano manto do lápis azul que esconde a realidade que não se quer ver. Já se sabe que este tipo de atitude, também conhecido como esconder a cabeça na areia, dá resultados duvidosos, mas enfim, se preferem viver assim, que se poderá fazer?

E, meus poucos, mas muito bons leitores deste espaço, não foi por coisas que lá escrevi, que lá disse, ou o que quer que fosse lá ( este lá, bem entendido, refere-se às redes sociais), é o resultado de uma atitude pensada e ponderada. E o juízo lançado, tomado a firme com pancada de martelo, feito sentença que não poderá recorrer a instâncias superiores, pois se trata do tribunal da alma, é de CULPADO! Sim, sou o culpado. Hei cometido um crime de lesa qualquer coisa e como tal deverá o criminoso ser banido. Para além de estar todo o santo dia de costas viradas para o plenário de juízes, será banido de todos os verdadeiramente extraordinários acontecimentos que nalguns time-lines do facebook se passam.

Por mais ar anedótico que tente dar a esta circunstância, isso acontece no século XXI, com pessoas com perto de 50 anos. Isto é confrangedor. Medíocre. Rude. E, sobretudo, muito mal educado.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

O eunuco

Segunda feira de manhã. O grupo de meninas junta-se para conversar sobre todos os acontecimentos do fim de semana, sejam eles escaldantes ou tão vazios e entediantes como só o género consegue gerar. Instala-se a animação. No meio está sempre um único homem. É aquele cuja sexualidade se encontra entre o indefinido e o ausente. E o lado maternal das mulheres recolhe-o como se recolhe e trata do aleijado, o coitadinho da aldeia. Passado algum momento da risada generalizada do mundo feminino, começa o pobre rapaz a fazer movimentos com o corpo simulando um papel de profundo estímulo humorístico, como se estivesse em pleno extâse hilário. É a sua forma de fazer parte do grupo, de acompanhar o que se conversa. Tal é a sua convicção que se o tema mudar radicalmente para um drama profundo, suspende de imediato o esgar silencioso e franze as sobrancelhas numa solidariedade profunda já não com a suposta anedota, mas com o suposto drama. Ele precisa de estar ali e acompanhar a opinião dominante de modo a manter-se protegido por todas aquelas asas.

Terá consciência que ele é que é a comédia e o drama do qual se ri e chora.



quinta-feira, 6 de abril de 2017

O pântano do escorpião

No outro dia, ao passar por um lugar qualquer, tanto pode ter sido a feira da ladra, como um alfarrabista, uma livraria ou até um simples caixote do lixo, pousei os olhos num livro cujo título era "O pântano do escorpião". O livro tinha aspecto de ser literatura de cordel e o que captou a minha atenção foi o título e não tive o mais pequeno interesse no seu conteúdo.
Antes de mais tenho ideia que o escorpião é um animal de terras quentes e não húmidas, aliás como todos os aracnídeos não são animais de ambientes aquíferos, mas a ideia associada a um pântano, habitat de águas paradas, pouco profundas e atreito a desenvolver vários tipo de animais e restos de folhas em decomposição, já me interessou mais. O pântano ajuda a matar, a apodrecer. Colocar, então, um local com estas características como habitat do escorpião torna a ideia ainda mais interessante. Assunto a revisitar.

domingo, 2 de abril de 2017

Jogo invertido

Durante um período de tempo um personagem insistiu com alguma habilidade ser evidentemente distante e utilizou a comunicação do modo mais restrito possível. E fê-lo com a sua natural graciosidade e bonomia. Havia uma desculpa algures no fundo da irrealidade que se cingia a esta frase:
- E hoje estou muito melhor, nem queiras saber como já fui.
Resumindo em pequenos trocados uma mão cheia de argumentos, era, para o dito personagem, aceitável, normal e até funcional que numa normal relação entre dois seres humanos ser, por aquilo que definia como a sua natureza, desagradável, desafável e antipática. havia decidido ser assim e estava o caso encerrado.
O tempo passa e com alguma tropelias pelo caminho instala-se de parte a parte o clima desagradável, desafável, antipático, de comunicação restrita e, claro, a distancia tão bem cultivada.
E, chegados a este ponto, o personagem incapaz de lidar com o retorno da sua própria atitude, evolui o despropósito para uma quase zona de conflito. Assunto capaz de fazer as aberturas dos canais televisivos, não fosse o assunto em si ser uma evidente chachada.
Sun Tzu dizia que a melhor batalha era aquela que nunca se trava. Sim, o personagem em cause não conhece Sun Tzu nem a arte da guerra. Apenas conhece parte das suas inseguranças, pouco da sua intolerância, quase nada do mundo.
Há, também, uma outra máxima que diz o seguinte: Acção gera acção e reacção gera reacção. Ou seja se fores amável, recolhes amabilidade, mas se fores desagradável não esperes que o mundo te retorne com flores e sorrisos. Não. Se fores desagradável o mundo não está para te aturar.
E, a cereja em cima do bolo, a questão do espelho. A imagem que o espelho nunca é a realidade, é, apenas, o retorno invertido. Se te queres ver, tens que te colocar no outro lado, dentro do espelho.
Alguns anos de psicanálise e auto-análise hão-de ter servido para entender alguma coisa.
Tema que terá mais desenvolvimentos.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O grupo

No intervalo mais longo da manhã reunia-se sempre um grupo de alunos que era muito fechado e pouco dado a reagir com a restante população no recreio. Ficavam num canto, sempre o mesmo canto e, de certo modo, nas mesmos lugares de sempre. Falavam e divertiam-se para dentro desse grupo e com muito dificuldade era permitida a entrada ou participação de qualquer outra pessoa.
Era um clube quase exclusivamente feminino, pois que apenas um rapaz era autorizado. Diga-se, também que, apesar de ser um rapaz com buço e borbulhas, imaginando que a puberdade também se diversificaria pelo restante corpo, não apresentava outras características masculinas. A voz tardava a ganhar um tom baixo, mantendo-se a raiar o falsete, e, por norma, as mãos tombavam-lhe pelos pulsos como se fossem um peso morto que por ali ficava. Andava com elas, conversava com elas, partilhava dos seus segredos, enfim, era uma delas como, por natureza própria dos outros rapazes desse universo escolar, o diziam por chacota inconsequente. Era o irrelevante.
Não podíamos dizer que o grupo fosse homogéneo que não o era. Era até irregular, com entradas e saídas em função do jogo de afectos que a adolescência joga com superior mestria e amplo desconhecimento. Era assim porque sim e nada havia que justificar, ainda que, essa fase da vida provocasse conversas infindas sobre todos os temas, mas, e por regra, nunca o do afecto. Não havia tempo para discutir afecto, apenas, e só, para viver o amor.
O grupo existia e resistia fora do ambiente escolar, pois que a vida de cada um gerava limitações intransponíveis e outras posições inconfessáveis ao grupo.
Como em todos estes tipos de grupo havia a líder. Característica especial? Era a mais engraçada e a com mais sucesso no mundo masculino. Sem dúvida a reprodução do mundo animal onde a fêmea mais cortejada ganha o lugar de líder, ou as duas coisas em simultâneo e derivadas de si mesmo. O facto de ser mais aceite era o modelo, o facto de ser o modelo, era a líder, e por isso a mais aceite. É, sem dúvida um pensamento em círculo do qual dificilmente se sai.
Tinha, às suas ordens dois lugares tenentes, que funcionavam como guardas e defesa pessoal impossível de passar. Se algum rapaz se atrevesse com ela, podiam contar com um olhar esguio sempre que passasse, uma desconsideração, ou, o mais usual, a ignorar evidente. E era tão evidente que deixava de ser ignoração. Não eram almas gemelares. Impossível que fossem. Cada uma tinha a sua razão para ser defesa da líder. Uma por absoluta inconfessável inveja da amiga chefe, do seu corpo, dos seus olhos e do seu sucesso. De tal modo que contava um sem número de aventuras e desventuras onde o seu sucesso era a tónica permanente. Fatalmente acabava por namoriscar de quando em vez com quem lhe aparecesse, sem que fosse os atletas olímpicos com cabeça de Einstein com que enchia a boca. Era uma evidência que não se falava. Um segredo por todas guardado. Fazia parte do acordo se pertencer ao grupo. Silêncio absoluto pela realidade cruel de cada uma e defensa de qualquer modo e feitio do que de algum modo possa evidenciar esse segredo.
A outra lugar tenente, com fraca figura, mas aguçada intuição feminina e alguma acertividade, jogava essas suas artes de modo um pouco dúbio, não deixando nunca de lançar a sua cortante e seca observação se se sentisse atacada. De resto pontuava a sua acção pelo silencio e o olhar como se fosse um bloco de notas onde tudo se regista. Pode haver um dia, ou uma ocasião. Raramente baixava as guardas. Metódica e completamente previsível.
Havia a pobre de espírito que existe em todo o lado. Sofrida, cheia de mágoas de si mesma e por isso mesmo incapaz de ser de outro modo que não fosse sempre contra alguém. Construía ódios de estimação para evidenciar o seu pobre e desolado mundo onde suspirava um qualquer sossego que apenas se atingia sem esses ódios. Chegou mesmo, um dia atentar odiar a chefe. Claro que se deu mal, redimiu-se, achincalhou-se, maltratou-se e foi de novo aceite. Funciona, no grupo, como arma de arremesso embora, muitas vezes, se torne apenas, no termómetro do grupo.
Havia, de pois, uns anexos que aproveitavam e entravam no grupo como quem apanha boleia do mesmo guarda chuva. Era-o por questões mais funcionais do que de facto. Estava, até, um pouco na fronteira entre ser um personagem que vagueia solitário, que age individualmente mas, e por uma questão táctica, adoptava a posição do grupo. Sabia que, com isso, também se protegeria do resto da população que durante aquele tempo do dia andava por ali.
Falta a chefe, a líder do grupo. Era, como já se disse, dotada de algumas particularidades físicas que
lhe proporcionavam a também já referida notoriedade, mas, para lá disso, transbordava uma imensa insegurança que manifestava em todas as questões em que se via envolvida. Utilizava, por diversas vezes, a lágrima fácil, para infligir no agressor um sentimento de agressão sabendo que, com isso, terminava o que quer que fosse e voltava para o seu mundo. E, apesar de toda a sobredita aceitação, escolhe, bizarramente, a preferência da companhia masculino do elemento masculino com as mãos tombadas. Por ventura por essa preferência se recolhe a sua aceitação no grupo. Nunca se percebe se o faz pelo tal afecto que não se confessa se, tal como no mundo selvagem, para defender uma cria que de outro modo teria dificuldade de sobreviver no mundo real.
Fatalmente, e como modo justificativo da sua permanência enquanto grupo, tinham que ter inimigos objectivos. Não bastava apenas a defesa comum para o dia a dia, havia que ter um conjunto de indivíduos escolhidos criteriosamente. Funcionavam como um elemento agregador.
Lá vem o fulano, e o grupo juntava-se, ora com a líder à frente, como se fosse fazer uma pega, com a altivez demonstrada pelo nariz a apontar o céu, e a matilha por trás com um olhar de hienas à procura já do resto da matança.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Da condição humana

Hoje deparei-me com uma triste verificação da condição humana que nunca pára de me surpreender.

Alguém sabe, tem conhecimento, recolhe consciência que dentro do seu universo de relações existe mais que uma pessoa que intencionalmente age incorrectamente e que com essa acção a expõe. E opta por recusar o reconhecimento dos factos, opta por ignorar as acções e prefere indispor-se com quem lhe lembra, sugere ou evidencia essa circunstância.

Acredito que por detrás dessa atitude está um medo de perda. Se agir em função dos acontecimentos terá que, evidentemente, criar e gerir um conflito que não conseguirá ter um final amigável, pois não só a conduta é reprovável como a coloca em causa. Fugir à tomada de conhecimento, fingir que esse assunto não existe permite que o dia siga o seu caminho sem perturbações. E, fazer deste medo um modo de vida com todos aqueles que de algum modo franquearam as portas do seu afecto, vai acabar por restringir o universo de gentes que poderão entrar na sua vida transformando-se cada vez mais só. E, os que foram escolhidos, vão seguir as suas vidas que cada vez mais se distanciarão pela natureza própria do devir humano.

E a prazo? Instala-se, obviamente, uma permissividade que se vai tornando progressivamente mais evidente, mais difícil de esconder.

E o que fazer com o mundo que entende essa opção, essa escolha e, consequentemente se sente colocado num plano diferente, de, pelo menos, segunda escolha? Abre um fosso comunicacional que por mais que se ria, que digam piadas de circunstância, se façam sorrisos não se consegue nunca fechar essa brecha. Fica um ferida aberta que, inevitavelmente, irá gangrenar.

Que o mundo é um lugar difícil e de escolhas é uma verdade inquestionável. Reflectir sobre as nossas escolhas, bem como das consequências delas é uma tarefa que nos devia obrigar. Podemos ser melhor ou apenas passar por aqui entre os eventuais pingos de chuva.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Verificações temporais

No outro dia relia correspondência antiga. É curioso como, apesar de toda a auto-crítica, esforço de reflexão e análise e auto-análise, verifico que o meu mundo é o mesmo de sempre.

"(...) sabes quiquinho... tens mais uma vez razão... "

Sei e se tu soubesses o quanto me entristece ter razão... é que é sinal que quem não tem teima em ter.