Esta a minha! Muita sorte, mesmo.
Todos os dias úteis passo pela praça Dona Estefânia e, de manhã, passo de fininho por trás do todo majestoso Neptuno, conhecido pai da Ariel!
Á tarde, nem sempre certo, encontramo-nos de cara a cara.
Sendo um bonito exemplar da escola de Machado de Castro, fico sempre com a impressão que falta qualquer coisa. Tem pouco mar para a estátua de um deus dos mares, mas, o melhor mesmo é louvar este exemplar pois que os últimos que Lisboa teve a infelicidade de receber são o pirilau de João Cutileiro no alto do Parque Eduardo VII com o brilhante nome de 25 de abril, e um mamarracho de Jorge Guimarães, na Avenida Infante D. Henrique, com o brilhante título de 1º de Maio.
Será que as datas não deram para mais criatividade, ou será que os seus autores não são capazes de melhor? Esta última hipótese, no caso de Cutileiro não colhe, pois que já vi belíssimas estátuas suas, desde uma peixeira, uma mulher cega (Antigo Centro cultural de Almancil), o Camões, em Lagos e tantas outras que mostram algo para lá de uma estética interessante. Quanto a Jorge Guimarães, tem a sorte de conhecer mal aquilo que possa ser a sua obra. Do que conheço afianço que a minha filha já produz bonecada mais harmoniosa que o que ele faz.
São, no fundo, tristes sinais dos tempos. E pensar que os enormes mestres do romantismo chegavam a levar décadas para produzirem obras como a Mona Lisa, a Capela istina, a última ceia, etc, etc, pelo que é absolutamente natural que os actuais, ao produzirem peças a metro que algo fica por acontecer.
