"E, como todos os amantes inexperientes do universo, não se contentou Mountolive com deixar correr as coisas; precisava de sondá-las e analisá-las em profundidade." Lawrence Durell in Mountolive
A ideia de amantes inexperientes é como quem abre uma caixa, desembrulha um presente, enfim uma expectativa e, sobretudo, a predisposição para ser surpreendido. Esta vertente de querer viver o momento, querer sentir o momento acaba, ao mesmo tempo, por ser um egoísmo num acto que é essencialmente de entrega ao outro.
A inexperiência do amante fá-lo viver essa descoberta de conhecimento com os sentidos todos alerta a fim de absorver toda a energia que o toma nesse momento. Poderá, é certo, ir mais longe num ou outro sentido, mas é, sem dúvida uma entrega ao sentir. Nessa entrega o outro acaba por ser um meio, fundamental, mas em meio.
Mais tarde, ao "sondar" e analisar" descobrirá, ou não, esse sentimento de partilha.
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sexta-feira, 5 de abril de 2013
Os amantes
"Os amantes não podem dizer nada que já não tenha sido dito e calado um milhão de vezes. Os beijos foram inventados para traduzir esses mil nadas em ferimentos." Lawrence Durell in Mountolive
A ideia de que os amantes não inventam nada, que se limitam a repetir não só o que já sentiram ( admitindo a existência de amores anteriores ou, pelo menos, actos de amor anteriores) é uma machada brutal ao acto de enamoramento. Pois esse momento possui uma intensidade, uma exclusividade (será?) de sentir que nesse momento tudo parece não ter fim. É como uma explosão de tudo naquele momento. E, assim, de repente, tornado corriqueiro, banal e comum é quase um crime emocional!
Os ferimentos dos beijos, que dificilmente se ligam à frase anterior, leio-a no sentido do nada de exclusividade, de originalidade que, afinal, esses momentos são. E o silêncio que o beijo obriga atira quem se sente assim para o acto de enamoramento, o qual será ao sofrimento de ter sido um momento de paraíso que foi tocado e não é uma constante.
Fica, portanto o toque, o momento, esse instante, que se perde após o beijo. O que a memória retém, ainda que em afecto, em calor, retém também como passado e não como presente. Foi. Aconteceu.
A ideia de que os amantes não inventam nada, que se limitam a repetir não só o que já sentiram ( admitindo a existência de amores anteriores ou, pelo menos, actos de amor anteriores) é uma machada brutal ao acto de enamoramento. Pois esse momento possui uma intensidade, uma exclusividade (será?) de sentir que nesse momento tudo parece não ter fim. É como uma explosão de tudo naquele momento. E, assim, de repente, tornado corriqueiro, banal e comum é quase um crime emocional!
Os ferimentos dos beijos, que dificilmente se ligam à frase anterior, leio-a no sentido do nada de exclusividade, de originalidade que, afinal, esses momentos são. E o silêncio que o beijo obriga atira quem se sente assim para o acto de enamoramento, o qual será ao sofrimento de ter sido um momento de paraíso que foi tocado e não é uma constante.
Fica, portanto o toque, o momento, esse instante, que se perde após o beijo. O que a memória retém, ainda que em afecto, em calor, retém também como passado e não como presente. Foi. Aconteceu.
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A aurora
"A juventude é a idade dos desesperos" Lawrence Durell in Mountolive
A ideia de desesperos para a juventude parece-me particularmente bem colocada. Há um tempo em que tudo surge como a primeira vez. Os primeiros pensamentos sobre a morte, sobre a vida, sobre a separação, sobre o Amor, sobre o desamor, sobre objectivos, o futuro e mais quantas outras coisas. A acompanhar estes pensamentos há a intensidade da juventude.
Tudo é na altura, de toda a maneira e com a força toda. Acontece, também que a novidade é tanta que os assuntos passam rapidamente do desespero à normalização. A síntese está muito bem encontrada.
A ideia de desesperos para a juventude parece-me particularmente bem colocada. Há um tempo em que tudo surge como a primeira vez. Os primeiros pensamentos sobre a morte, sobre a vida, sobre a separação, sobre o Amor, sobre o desamor, sobre objectivos, o futuro e mais quantas outras coisas. A acompanhar estes pensamentos há a intensidade da juventude.
Tudo é na altura, de toda a maneira e com a força toda. Acontece, também que a novidade é tanta que os assuntos passam rapidamente do desespero à normalização. A síntese está muito bem encontrada.
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quinta-feira, 4 de abril de 2013
O amor partido
"- Choviam pedradas. Os pára-brisas, os faróis, tudo... Deitei-me no fundo do carro, aos berros. Apalpe o alto, aqui, no pescoço. Completamente furiosa. Depois de partir todos os vidros, agarrou num grande pedregulho e começou a desmantelar o carro, uivando "Amour, amour" por cada martelada que dava. Nunca mais quero ouvir tal palavra na minha vida." Lawrence Durell in Baltasar
Uma encantadora, comovente e verdadeira reacção à rejeição. Nada como libertar toda a amargura reprimida, tanto mais que depois de uma ruptura nada volta a ser o que era. O seu fantasma pairará sempre. É como um pé que se torce ( e desta matéria tenho conhecimento quase académico!) , podem as dores desaparecerem, não haver sequer memória da última vez que tal sucedeu, ou que seja, até possível que aconteça. Mas, numa qualquer pedra, buraco ou desnível, o pé em falso relembra que ali está uma fragilidade.
Por outro lado quem foi amado com tal violência fica vacinado contra este tipo de amor, ainda que esta reacção acaba por atrair cada vez mais essas amantes! Triste sina esta. O desamado ama desalmadamente!
Uma encantadora, comovente e verdadeira reacção à rejeição. Nada como libertar toda a amargura reprimida, tanto mais que depois de uma ruptura nada volta a ser o que era. O seu fantasma pairará sempre. É como um pé que se torce ( e desta matéria tenho conhecimento quase académico!) , podem as dores desaparecerem, não haver sequer memória da última vez que tal sucedeu, ou que seja, até possível que aconteça. Mas, numa qualquer pedra, buraco ou desnível, o pé em falso relembra que ali está uma fragilidade.
Por outro lado quem foi amado com tal violência fica vacinado contra este tipo de amor, ainda que esta reacção acaba por atrair cada vez mais essas amantes! Triste sina esta. O desamado ama desalmadamente!
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terça-feira, 2 de abril de 2013
E o amor....
"Antes do meu amor ter qualquer oportunidade de cristalizar, transforma-se numa devoradora e profunda amizade. Vocês, os femeeiros, não podem compreender estas coisas. Mas logo que aquilo acontece, a paixão desvanece-se me fumo. A amizade consome-nos, paralisa-nos. Principia outra espécie de amor. Que é? Não sei. Uma ternura, qualquer coisa de fondant.[ que funde, que se funde]" Lawrence Durell in Baltazar.
O amor sofre, então nuances... e estas são, não num tempo longo, mas num espaço de tempo mais curto. São logo que aquilo acontece. E o que fica? A ternura? O afecto? Talvez uma memória quente e doce que naturalmente só agrupa conceitos positivos que se situam à volta do amor.
O amor sofre, então nuances... e estas são, não num tempo longo, mas num espaço de tempo mais curto. São logo que aquilo acontece. E o que fica? A ternura? O afecto? Talvez uma memória quente e doce que naturalmente só agrupa conceitos positivos que se situam à volta do amor.
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terça-feira, 26 de março de 2013
Mediatção
"Um diário é a última fonte a que o historiador deve recorrer para conhecer o autor. Ninguém se atreve a ser sincero no papel: pelo menos quando se trata de amor." Lawrence Durell
Estou completamente fustigado com estas frases. Tudo isto que por aqui deixo não são mais que tolices? Que nada disto é verdade? Que a poesia não pode ser um espelho da alma?
É óbvio que esta frase vem na sequência do romance Baltasar. Mas há um certo fundo de verdade no que diz. Até que ponto é mesmo verdade aquilo que dizemos e que escrevemos?
Estou completamente fustigado com estas frases. Tudo isto que por aqui deixo não são mais que tolices? Que nada disto é verdade? Que a poesia não pode ser um espelho da alma?
É óbvio que esta frase vem na sequência do romance Baltasar. Mas há um certo fundo de verdade no que diz. Até que ponto é mesmo verdade aquilo que dizemos e que escrevemos?
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Para meditar
"Para mim, esse famoso sorriso [ o da Mona Lisa ] fez-me sempre pensar no sorriso de uma mulher que acaba de enganar o marido." Lawrence Durell
Sorrir....
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quarta-feira, 20 de março de 2013
Artista....
"Actualmente, não se compreende um artista que não seja de certo modo infeliz." Lawrence Durell
Esta frase é curiosa. Foi escrita algures em 1957. Na altura acredito que os artistas, aqueles que se ocupavam desse campo curioso da actividade humana, onde o homem se tende a ultrapassar e dizer de um modo invulgar algumas das perplexidades que se passavam pela sua alma. Por aqui andava o conceito de arte. Foi este o conceito de arte que fui aprendendo e com o qual fui convivendo ao longo da minha vida. Havia, necessariamente, perante uma obra de arte duas coisas, o homem que a executa e "algo" que se deixa, que se ama, que se admira, que fala por si. Faz com que a arte seja, de certo modo evidente. E nesse sentido a expressão de Lawrence Durell refere-se, sobretudo à evidência de um sentir, de uma angustia, de uma emoção que brota com a criação artística.
Hoje esta frase é uma piada. Ser artista é ser promovido por um lobby. Não é necessário haver um processo criativo. Um quadro branco pintado com riscas brancas e pequenas gotas brancas pode ser arte desde que haja um movimento de adeptos. É a falência dos valores e, ao mesmo tempo desta sociedade em que vivemos. Não interessa ser, mas apenas e tão somente parecer.
O que se perde nesta transição é o que perde a humanidade. Sentido.
Esta frase é curiosa. Foi escrita algures em 1957. Na altura acredito que os artistas, aqueles que se ocupavam desse campo curioso da actividade humana, onde o homem se tende a ultrapassar e dizer de um modo invulgar algumas das perplexidades que se passavam pela sua alma. Por aqui andava o conceito de arte. Foi este o conceito de arte que fui aprendendo e com o qual fui convivendo ao longo da minha vida. Havia, necessariamente, perante uma obra de arte duas coisas, o homem que a executa e "algo" que se deixa, que se ama, que se admira, que fala por si. Faz com que a arte seja, de certo modo evidente. E nesse sentido a expressão de Lawrence Durell refere-se, sobretudo à evidência de um sentir, de uma angustia, de uma emoção que brota com a criação artística.
Hoje esta frase é uma piada. Ser artista é ser promovido por um lobby. Não é necessário haver um processo criativo. Um quadro branco pintado com riscas brancas e pequenas gotas brancas pode ser arte desde que haja um movimento de adeptos. É a falência dos valores e, ao mesmo tempo desta sociedade em que vivemos. Não interessa ser, mas apenas e tão somente parecer.
O que se perde nesta transição é o que perde a humanidade. Sentido.
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terça-feira, 19 de março de 2013
Frases
"Imagino, logo pertenço e sou livre." Laurence Durell
A frase que segue a regra da dedução cartesiana não me parece completamente linear. Que com a imaginação se atinge a liberdade é óbvio. Aliás a liberdade só existe, só acontece no domínio intelectual e a imaginação é um indicador claro e inequívoco desse ambiente. A pertença é que me falha.
Porque pertencer? Pertencer a quê? Pertencer é fazer parte de alguma coisa. Que coisa é essa que acontece no mundo da imaginação e da liberdade? Se reduzisse a frase para "Imagino, logo sou livre" está perfeita e faz todo o sentido.
Dúvida...
A frase que segue a regra da dedução cartesiana não me parece completamente linear. Que com a imaginação se atinge a liberdade é óbvio. Aliás a liberdade só existe, só acontece no domínio intelectual e a imaginação é um indicador claro e inequívoco desse ambiente. A pertença é que me falha.
Porque pertencer? Pertencer a quê? Pertencer é fazer parte de alguma coisa. Que coisa é essa que acontece no mundo da imaginação e da liberdade? Se reduzisse a frase para "Imagino, logo sou livre" está perfeita e faz todo o sentido.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Será?
"Só se podem fazer três coisas com uma mulher - Podemos amá-la, sofrer por ela ou fazer literatura." Lawrence Durell
Em síntese temos 3 formas de amar essa mulher que, obviamente, não é a mulher em sentido lato, mas A mulher. Amando-a para quando se completa. Sofrer quando se perde ou o espaço cria a distância. Fazer literatura é amar com a mente e não com o coração. Mas é sempre amor.
Em síntese temos 3 formas de amar essa mulher que, obviamente, não é a mulher em sentido lato, mas A mulher. Amando-a para quando se completa. Sofrer quando se perde ou o espaço cria a distância. Fazer literatura é amar com a mente e não com o coração. Mas é sempre amor.
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Meditação
"Como todos os egoístas, eu não tolerava viver só." Lawrence Durell
É curiosa esta frase. O egoísta não é obrigado a ser uma pessoa solitária. Aliás, a noção do seu egoísmo surge na medida em que ele vive em sociedade, pois que de outro modo não era possível perceber como o podia. Para se ser egoísta tem que se ser em sociedade, logo é evidente que um egoísta não tolera a solidão, tem que estar acompanhado para poder agregar à sua volta a força da sua centralidade.
É curioso como uma frase tão evidentemente óbvia, dita deste modo parece um contra-senso.
Há mais, parece-me que muito mais para este quarteto de Alexandria.
É curiosa esta frase. O egoísta não é obrigado a ser uma pessoa solitária. Aliás, a noção do seu egoísmo surge na medida em que ele vive em sociedade, pois que de outro modo não era possível perceber como o podia. Para se ser egoísta tem que se ser em sociedade, logo é evidente que um egoísta não tolera a solidão, tem que estar acompanhado para poder agregar à sua volta a força da sua centralidade.
É curioso como uma frase tão evidentemente óbvia, dita deste modo parece um contra-senso.
Há mais, parece-me que muito mais para este quarteto de Alexandria.
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