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quarta-feira, 4 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
Dos visitantes
Bem sabemos que na Feira da Ladra tudo se compra e vende, mas não exageremos, nunca esperei encontrar a Maria Matos na busca do seu Simplício, sobretudo depois de mais de 60 anos se terem passado. Uma verdadeira surpresa.
Nota: Depois de ter sido fotografada esta Maria Matos, num pudor próprio de década de quarenta levanta a sua bolsa ( rígida, naturalmente) e coloca em frente à sua cara e vira-se de costas. Percebi nesse momento que admitiu que fosse um agente a mando de Simplício, na demanda das suas fugas vertiginosas às compras.
Dos visitantes
O que mais admiro no ser humano, e que verdadeiramente me surpreende é o seu modo de estar no mundo. Todas as frases feitas podem ser ditas e abusadas, mas não é isso que me estimula.
Aguardo serenamente o dia em que o calor seja suficiente para dispensar toda e qualquer roupa.
De volta aos manequins
Nem sei o que vos diga, mas estes manequins têm alma.
Sinto-me quase forçado e tentar entabular uma conversação com esta mulher que, de chapéu à banda torce ligeiramente a boca, deixando, por ventura no ar um ar de alguma menor consideração por quem que a faz merecer o lugar de princesa. Ou olhará para a sua rival, a de cima que com um chapéu esconde no seu olhar o remorso da culpa daquele amor que se tornou furiosamente possível e, por isso mesmo, impossível...
Já me perdi por esses amores. Sei o que nos custam. Como nos branqueiam os cabelos. Aprendam as outras artes de amar. As que pedem mesmo.
Mas que diz? Vê o trago a meu peito? Brindes desse amor que se aprende prendendo-o.
Ena pá! Tanta mulheraça!
O bizarro
O livro, esse símbolo universalmente aceite como fonte de cultura, é deixado para trás acabando depois no lixo.
Quando já não há paciência, vontade ou capacidade de decisão...
E a realidade fica bizarra. No lixo junta-se tudo, vendendo-se também.
Tudo é transacionável. A liga de defesa do que quer que seja não tem lugar neste espaço.
Depois de almoço esta imagem repete-se. Amolecerá o desespero de alguns, será a liberdade do vício, ou o desespero pelo tempo que falta para a noite.
E do belo nasce o feio. O conflito de todas as estéticas.
E, sempre atenta, a autoridade, terror dos audazes, cumpre a sua função higiénica.
E o lugar da feira da ladra
É diferente. Tem história própria, tem razão que a própria razão desconhece.
É lugar de encontro de todas as diferenças.
O que importa é fazer o negócio e chegar ao fim com a banca sem mercadoria.
Tem história. São anos de feira. Para lé da política ou das intenções.
E é um lugar em que é preciso ter sempre uma certa perspectiva.
E as crianças
Após mais um dia mundial da criança, vê-se a compreende-se que a Feira da Ladra não seja o lugar ideal para estas. Como vendedoras não sabem o que fazer e rapidamente se entediam.
Podem ganhar um brinquedo rápido e então a feira passa a ser um sítio onde se brinca.
O difícil, às vezes, é a escolha.
domingo, 1 de junho de 2014
Uma linha estética
E os artistas da tela saltam para as melhores montras das casas de moda.
De notar nela o sinal audaz e nele o maravilhoso bigode.
E mais ainda
O manequim do corpo humano. Aqui, coitado, enforcado como a melhor forma de o expor.
Ainda serve para o sempre maravilhoso corpo feminino.
E mesmo com cara de homem e braço de criança, temos as maravilhosas formas da criação divina.
E porque servem para um efeito, mesmo em manequim é mulher. E ser mulher é, também ser mãe, pelo que também ganha um filho que, cansado, se pendura no manequim a pedir a esmola de se ir embora brincar para onde haja espaço sem cuidados mil.
Mas tenho preferências
Para as bonecas que dão cor e que, de certo modo, se substituem aos vendedores.
São os vigilantes
Ou o apelo à ternura
Mesmo na brincadeira
Ou sucumbindo ao cansaço e sem forças para aguentar as investidas do vento
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