sábado, 9 de março de 2019

Mudanças

Termina um tempo e aqui também.

Vou mudar de casa, ainda que pouco mude, não é a esta idade que se muda, apenas se sacode algum lixo com a esperança que caia de vez. Para os persistentes nesta coisa aqui fica a nova morada.

https://coisasdofbt.blogspot.com/

"(...) mas tudo muda, os conhecidos
tornam-se amigos e depois desconhecidos."

Pedro Mexia, in Poemas escolhidos, Tinta da China, Lisboa, 2018, pág. 10

Contou ou não

Era uma vez uma sala de aula onde estavam muitos meninos e meninas. De repente, puf, a electricidade desliga-se. Como era de prever instala-se o recreio. Tudo entra na reinação ao mesmo tempo que, quais baratas tontas, tentam perceber o que aconteceu e quanto tempo vai ter de passar até que a vida volte ao normal.
Alguns, muito poucos, como é normal, encontra recursos para continuar a trabalhar no que é possível.  Acaba por ter um seguidor.
A electricidade volta. Não em todo o seu esplendor, mas apenas para o circuito de iluminação. Alguém diz.
- Não há electricidade nas tomadas.
E logo se atiram para o chão à procura da tomada mal comportada que insiste em inspirar as restantes para essa greve de zelo.
- Não é uma tomada, é o circuito das tomadas....
Ups! alguma vergonha seguido dos possíveis movimentos de disfarce...
- Olha lá o inteligente, não há tomadas, mas o frigorifico está a funcionar.
- Os circuitos, como nas casas, e nas escolas, são repostos por grau de dificuldade, deixando os mais problemáticos para o fim, quando a tensão está normalizada.
A tensão arterial?
O gargalhar geral para que com o ruído se abafe a falta de humildade na ignorância.

Tudo voltou ao (a)normal.

Queres mel com fel?

Ou a singularidade de alma humana...

Actos notáveis

Até que ponto se pode ser absolutamente execrável por 80 euros?

O vício moral

Há coisas que quando tomamos dela conhecimento profundo, quando elas nos fazem recuar no tempo, quando justificam imensas interrogações e nos revelam um lado do ser humano que jamais teria vontade de conhecer sinto uma imensa vergonha por esse ser. 

Vendida por 30 dinheiros. Judas quando disso tomou consciência, foi ter com uma figueira e enforcou-se.

O vício moral é o pior dos vícios.

Do orgulho

Podemos sentir dois modos distintos de orgulho. Um naturalmente positivo e que faz bem. É o orgulho que resulta da satisfação de algo. Tenho orgulho em ser português. Tenho orgulho neste desenho que fiz, tenho orgulho dos sucessos dos meus próximos, mulher, filhos, pais, e restante família e amigos. É ter orgulho com felicidade.

Há, depois, o outro orgulho, o da soberba. Um orgulho triste, invejoso, altivo, vazio e que sobrevive apenas enquanto justifica uma dor que nele se camufla.

Curiosamente a ambos damos o nome de orgulho, mas são sentimentos tão diversos.

E o Priberam não me deixa mal

or·gu·lho 
substantivo masculino
1. Manifestação do alto apreço ou conceito em que alguém se tem.
2. Soberba ridícula.
3. Brio.

versos que me ocorrem

"tenho saudades de tu, meu desejo"

De que mais posso ter saudades senão do que desejo.
E é esta dinâmica de se ter
Saudades da lembrança de um passado
Que se faz desejo de futuro.
Não um epifenómeno de futuro,
Um momento ou instante,
Mas um desejo de um futuro todo
A satisfação desse desejo.

É a vontade de revisitar o prazer sem interferência do tempo.
Seja na sua história para fazer o tempo que se viverá
Num ponto de ser retido como momento único de plenitude.
Também não se quer reviver esse tempo,
Pois é perene, é finito, termina.
E, apesar de ser de felicidade,
Será portador de melancolia de ter cessado.
E o tempo futuro em que se viverá na sua lembrança
Ao ponto de o tornar um momento icónico do viver deste homem.

Vivo as minhas saudades
De te ter fora do tempo
Num sempre
E para sempre.

E sopra o Altíssimo
O pó tudo desfaz no devir.
Menos a minha saudade