terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Tudo ao charco

Havia a possibilidade de, com tudo numa mão, se poder fazer um amplo fecho a um passado conturbado e fazer um recomeço. Dar azo a uma nova era. Um tempo novo.

Nem sempre, na nossa vida, existe a possibilidade de, de certo modo, enterrar um passado, e recomeçar. Dar espaço a uma nova etapa. Ciclos que se fecham e abrem possibilidades de novos caminhos. Mas para isso é necessários duas coisas distintas:

Lucidez. Conseguir ler reflexivamente o passado. Integrar as várias dinâmicas. E perceber, que nunca e em circunstância alguma,  existe apenas uma razão. Sempre que se encontre um conflito, é porque há, pelo menos, duas olhares sobre um tema. E cada um tem as suas razões, tem as suas motivações, tem os seus medos, tem as suas justificações.

Ambição. Vontade de ser diferente. de fazer diferente. e de fazer bem.

Mas se ficamos presos a um pequeno e miserável orgulho, onde apenas interessa a vã pequena vitória de um argumento, é um mundo inteiro que se perde. Tanto mais que nenhum argumento vence a inteligência e a sensatez. Como dizia Sun Tzu. "A melhor vitória é quando não precisas de lutar" e isto porque, e nas mesmas palavras "por cada vitória sofremos uma derrota". 

Do orgulho

Podemos sentir dois modos distintos de orgulho. Um naturalmente positivo e que faz bem. É o orgulho que resulta da satisfação de algo. Tenho orgulho em ser português. Tenho orgulho neste desenho que fiz, tenho orgulho dos sucessos dos meus próximos, mulher, filhos, pais, e restante família e amigos. É ter orgulho com felicidade.
Há, depois, o outro orgulho, o da soberba. Um orgulho triste, invejoso, altivo, vazio e que sobrevive apenas enquanto justifica uma dor que nele se camufla.

Curiosamente a ambos damos o nome de orgulho, mas são sentimentos tão diversos.

E o Priberam não me deixa mal

or·gu·lho 
substantivo masculino
1. Manifestação do alto apreço ou conceito em que alguém se tem.
2. Soberba ridícula.
3. Brio.



terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Quem não crê

Aquele que não crê
Continua a ter a seu lado
A receber o misericórdia
E todo o amor
Daquele em quem não crê


Agora em sossego

Enxotei as moscas
Corri com os necrófagos
E sacudi os vermes

Apesar de continuar infectado
Estou mais leve.

Mas cansado
Desesperadamente cansado.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Pedro e Inês e o amor eterno

A mais bela história de amor portuguesa é a de Pedro por Inês.

Pedro apaixona-se por Inês quando esta acompanha a sua futura mulher D. Constança, neta e bisneta de Reis de Castela. Diz-se que D. Pedro era gago e por isso pouco dado a grandes conversas o que perturbou a sua relação com D. Constança. Por seu turno D. Inês, filha de uma fidalguia galega era mais atenta e menos impaciente o que fez gerar o amor em Pedro.
D. Constança ainda tenta quebrar esse laço fazendo-a madrinha de seu filho D.Luiz, e, desse modo, com este novo elo familiar e de responsabilidade abrisse qualquer possibilidade na relação dos amantes futuros. Mas a história já havia sido escrita e D.Luiz morre 15 dias depois de ter nascido.
E D. Pedro tudo faz pelo seu amor. Sai da corte.
Instalado, pois, entre a Atougia da Baleia e a Lourinhã, fez aí o seu Paço para acolher o seu reino. Conta com o apoio do mosteiro de Alcobaça e dos seus monges cujas relações com D. Afonso IV não eram as melhores.
A trágica morte de Inês, executada a mando do pai de D. Pedro, eleva este amor ao lugar de poucos na história. Apenas ao nível de Tristão e Isolda, Cleópatra e Marco António e de Romeu e Julieta.
De tal modo que ao desenhar os túmulos, Pedro pede para serem colocados um em frente ao outro, para que, quando se levantarem, voltarem a ser Pedro e Inês.

Se Inês não tivesse morrido deste modo haveria esta história?
E se Inês tivesse as manias de algumas mulheres de hoje, haveria este amor?     

Os amores perfeitos


Também se semeiam.

Maquete


Outra vista do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel.

Fico com a impressão que neste caso a madeira retira a beleza da realidade. Mas uma maquete é uma reprodução e, por tal, não pode ser a realidade. Os veios e a cor da madeira podem deixar uma cor de areia, sendo que o Cabo Espichel tem, além do nevoeiro, a cor do saibro e das ervas que insistem em sobreviver no ar marítimo e debaixo dos ventos fortes.

Maquetes



O Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel.

Exposição e maquetes


Tenho um gosto muito particular em maquetas.  A Exposição “Físicas do Património Português. Arquitetura e Memória” no Museu de Arte Popular deixa-nos apreciar os projectos de grandes intervenções no património nacional e tem algumas maquetas a ilustrar.

A presente foto é da maquete da recuperação do promontório de Sagres.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Praia do Areal


Figurativo.

Pintura experimental


Valorizar a forma e a cor tendo em conta algo com algum enquadramento estático. Apreciei o resultado.

Pintura de teste


Mais outro teste. A figura a vermelho deveria estar mais centrada.

Pintura desafio


O objectivo desta pintura foi conseguir fazer, sem olhar a detalhes, em 5 minutos, e com as cores que tinha na paleta algo identificável com facilidade. Nem o azul, nem o verde estavam na paleta, mas para melhorar o efeito estático fui buscar um pouco de cada.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Seguir em frente

Tens o que queres
O caminho é teu.
Não uma via rápida,
Mas um caminho
Natural e normalmente
Difícil.

Será a tua estrada
E, esperemos,
A tranquilidade almejada.


Duro e mais duro

Encerraram-me em mim
Cheio de pequenos dotes
Mas nenhuma arte.
Múltiplas impressões
E nenhuma configuração.
Como se tudo fosse
Uma soma de momentos
Sem linha condutora.
E de tantas excelências
Havia uma que faltava,
A vulgaridade...

Ser apenas um ser
Que acorda, vive
E volta a serenar.

E não há volta a dar
O cárcere é assim mesmo
Um ninho de maus hábitos
Donde não se sai.
Já nada se domestica
Apenas a insatisfação.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Dizia o meu filho

Para quê é que te chateias se ninguém vai mudar a sua opinião, a sua posição e o seu egoísmo?...

E é tão verdade. Ninguém está verdadeiramente disposto a se questionar.