Ali ao fundo, no areal
Passeia um jovem casal.
Nas mãos os restos do sal
E no olhar o sabor igual.
Caminham para a frente
Uma ambição em mente
E sem serem cientes
Trazem uma vida no ventre
Tal como as ondas a rebentar
É o homem a confirmar
Que foi feito para se multiplicar
O que é incapaz de explicar.
Ser vida.
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Poema em rimas
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domingo, 29 de abril de 2018
Poema
Somos recorrentes no nossos vícios.
E a eles voltamos, recorrentemente...
Ou não fossem os vícios,
Perseguições da vontade bruta.
E, a eles, não tombaríamos,
Seguros da sua amoralidade
Como se fossem coisas próprias
De quem é com intencionalidade.
Vícios, em suma,
Taras da vontade.
E a eles voltamos, recorrentemente...
Ou não fossem os vícios,
Perseguições da vontade bruta.
E, a eles, não tombaríamos,
Seguros da sua amoralidade
Como se fossem coisas próprias
De quem é com intencionalidade.
Vícios, em suma,
Taras da vontade.
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Meras intenções
Na aguarela, tantas vezes,
Para entender ao longe,
Uma pequena figura,
Pintam-se os contornos,
Ficando, esta, nesse branco,
Vazio de cor.
E pela forma alheia
Surge nesse branco
A impressão de personagem.
E há, assim, tantos
Espaços brancos, sem cor
Apenas pela forma alheia
Intenções numa linha invisível,
Que contorna o vazio.
Para entender ao longe,
Uma pequena figura,
Pintam-se os contornos,
Ficando, esta, nesse branco,
Vazio de cor.
E pela forma alheia
Surge nesse branco
A impressão de personagem.
E há, assim, tantos
Espaços brancos, sem cor
Apenas pela forma alheia
Intenções numa linha invisível,
Que contorna o vazio.
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De volta à poesia
Entorpecido vivo
Neste tempo que corre.
Alimentado do que querem,
Vivendo como quem morre.
Neste tempo que corre.
Alimentado do que querem,
Vivendo como quem morre.
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despojada
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carvão
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sábado, 28 de abril de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Poema
E amei....
Sim! Toquei a eternidade!
Fiquei suspenso...
Não sei que tempo,
Nem para onde caí....
E, nessa luz completa,
Que nos cega no seu modo,
De sermos apenas capazes
De ver para amar,
Assim fiquei a ver...
E, mesmo sabendo que
Não posso esse querer,
Não quero isso amar,
Que apenas me resta resistir,
Amo, na mesma,
Irremediavelmente.
Estas coisas do amor
Não se querem de razões.
É tema para palpitações,
Soluções e tropeções,
Assim como outras emoções.
E será dele, desse amor
Que se fará futuro
Pois é somente nele
Que vive a memória,
O alimento do amor.
Sim! Toquei a eternidade!
Fiquei suspenso...
Não sei que tempo,
Nem para onde caí....
E, nessa luz completa,
Que nos cega no seu modo,
De sermos apenas capazes
De ver para amar,
Assim fiquei a ver...
E, mesmo sabendo que
Não posso esse querer,
Não quero isso amar,
Que apenas me resta resistir,
Amo, na mesma,
Irremediavelmente.
Estas coisas do amor
Não se querem de razões.
É tema para palpitações,
Soluções e tropeções,
Assim como outras emoções.
E será dele, desse amor
Que se fará futuro
Pois é somente nele
Que vive a memória,
O alimento do amor.
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Lendo 253
"Lança o anzol ao rio o pescador.
Depois, o peixe acode à isca, ou não.
Não pescar, ou pescar, para o pescador é um pormenor.
Na pesca o que importa é a imaginação."
Armindo Rodrigues in Obra Poética, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa, 1972, pág 91
Pois mais que na pesca, diria que na vida o que importa é a imaginação. Tudo o mais são lérias de ociosos.
Depois, o peixe acode à isca, ou não.
Não pescar, ou pescar, para o pescador é um pormenor.
Na pesca o que importa é a imaginação."
Armindo Rodrigues in Obra Poética, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa, 1972, pág 91
Pois mais que na pesca, diria que na vida o que importa é a imaginação. Tudo o mais são lérias de ociosos.
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sexta-feira, 20 de abril de 2018
A vida e os seus ciclos
Impossível de derrubar, por ventura pela sua natureza, os ciclos da vida são estados de alma que se repetem para lá da vontade das pessoas. Invariavelmente, e por mais esforço que se faça, toda a construção se desfaz. O mais próximo que se pode comparar é empurrar uma pedra sobre um plano inclinado. Custa começar, custa ganhar contra a inércia, mas assim que se estabelece o movimento ele vai-se demonstrando progressivamente menos difícil até ganhar alguma agilidade. Todavia, e por via desse efeito cíclico, somos enviados de volta para trás sem se saber a razão. E todo o esforço feito até então e desfeito, ficando, apenas com o conhecimento da dificuldade. Muitas vezes, também, os motivos que fizeram com o ciclo se cumprisse.
Para lá do imenso tédio de voltar a ver o necessário caminho a cumprir, nunca voltamos até onde estávamos. Temos sempre a garantia que acrescenta-se distância e, sobretudo uma imensa falta de vontade de fazer o caminho.
São assim as relações humanas que temos que ter com pessoas complicadas.
Para lá do imenso tédio de voltar a ver o necessário caminho a cumprir, nunca voltamos até onde estávamos. Temos sempre a garantia que acrescenta-se distância e, sobretudo uma imensa falta de vontade de fazer o caminho.
São assim as relações humanas que temos que ter com pessoas complicadas.
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Vieste das berças?
O telefone toca. Olha para o visor e reconhece o nome de quem liga. Atende.
- Diz....
Responde
- Boa tarde. Está tudo bem?
- Humpfffff.......
A vida que Deus nos dá.... Maravilhado com a capacidade poética do mundo que me rodeia.
Obviamente que seja o que for, a culpa é minha. É sempre. É mais fácil.
- Diz....
Responde
- Boa tarde. Está tudo bem?
- Humpfffff.......
A vida que Deus nos dá.... Maravilhado com a capacidade poética do mundo que me rodeia.
Obviamente que seja o que for, a culpa é minha. É sempre. É mais fácil.
quarta-feira, 18 de abril de 2018
Educação ou não
Ele saía do edifício onde, encostada a um poste vê uma colega agarrada a um cigarro, fumando-o como quem cospe. Simula uma esmola.
- Eu não estou de mão estendida! - Diz muito rápida e explicada.
Sem muita paciência para os modos usuais do género, faz um retrocesso a uma conversa séria e circunstancial. E, ao falar, notando as olheiras e a cara de sono, diz.
- Estás a precisar de dormir mais.
Foi como se o Carmo e a Trindade, em conjunto, e mais o resto da Baixa lisboeta tivessem sido fulminados com o tão sentido sopro de tédio intromissivo.
Um dia alguém lhe fornecerá, porque se crê na bondade implícita do ser humano, um manual de boas práticas. Até lá, sopra muito. Ao menos, oxigena os pulmões sobrecarregados de alcatrão e fumo.
É preciso ter uma suprema pachorra para lidar com primas donas.
- Eu não estou de mão estendida! - Diz muito rápida e explicada.
Sem muita paciência para os modos usuais do género, faz um retrocesso a uma conversa séria e circunstancial. E, ao falar, notando as olheiras e a cara de sono, diz.
- Estás a precisar de dormir mais.
Foi como se o Carmo e a Trindade, em conjunto, e mais o resto da Baixa lisboeta tivessem sido fulminados com o tão sentido sopro de tédio intromissivo.
Um dia alguém lhe fornecerá, porque se crê na bondade implícita do ser humano, um manual de boas práticas. Até lá, sopra muito. Ao menos, oxigena os pulmões sobrecarregados de alcatrão e fumo.
É preciso ter uma suprema pachorra para lidar com primas donas.
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sexta-feira, 13 de abril de 2018
Mudanças
As mudanças, por regra, são momentos em que se está predisposto a que se altere o mundo que nos cerca e as suas circunstâncias. Se nada muda, que mudança, de facto, se faz?
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terça-feira, 10 de abril de 2018
Dá Deus nozes a quem não tem dentes. Dará dentes a quem não tem nozes?
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meditação
Aforismo
Quando te escondes é para não ser visto ou para ser encontrado?
Ao acordar
Acordo com uma actividade cerebral frenética e rica em projectos. O sono deve ter sido profundo e reparador.
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meditação mundana
segunda-feira, 9 de abril de 2018
quarta-feira, 4 de abril de 2018
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