segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lendo 250

"(...) era ele quem levava pontapés dos outros palhaços e, como ninguém lhe dava palmas, tiveram que o por na rua, porque metia medo..."
Raúl Brandão in A morte do palhaço e o mistério da árvore, Edições Seara Nova, Lisboa, 1926, pág 69.

Algumas vezes acontece esta circunstância trágica. Ser uma parte de um enredo cuja função é ser a exibição da grotesca animalidade que faz as pessoas rirem. Um dia deixa de ter piada a impiedade. Um dia deixa de ser necessário. Não que a grotesca animalidade tenha cessado ou desaparecido, nem a impiedade, nem a irrazoabilidade. Apenas deixa de ser oportuna.Segue a vida tal como sempre fôra, apenas menos atenta a si mesma, menos crítica.

A vida de palhaço é o nosso retrato em ridículo. 

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