segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Ano novo, Ano velho e o disco riscado do costume.

Todos os anos, nestes momentos que antecedem o passar da meia noite me questiono do entusiasmo militante que é colocado nesta passagem.

Primeiro não custa nada. Não há dor, não há sofrimento, não tem impacto na carteira. Depois é como agarrar numa raspadinha e esperar que seja a seleccionada. Estamos à espera que qualquer coisa semelhante à sorte de desembrulhe à nossa frente seja em que formato for. Pode, até, haver umas promessas, umas intenções e votos sérios de mudança.
E é, afinal, apenas mais um minuto, um segundo. Tudo igual aos anteriores. E depois, os dias também vão acabar por ser como os anteriores, iguais...

Esta festa colectiva é um nadinha exagerada, mas é o que faz as pessoas felizes. Uma taça de espumante, pé direito no ar, passas de uva e uns lábios para beijar.

E, empurrado pelo entusiasmo familiar, lá vou para qualquer lado "celebrar" o acto de receber o ano novo. Há um lado lascivo que também se evoca. Todos querem ser os primeiros a entrar na abertura do ano e largar a espuma sobre esse novidade como quem celebra a vida que aí virá...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Dias felizes

Hoje estive contigo....
Estive com a tua pele
A de sempre, igual..
Estive com o teu cheiro,
O mesmo, de sempre.
Estive coma tua serenidade
Nova, refrescante.
Com o teu sorriso,
A defesa armada de sempre.

E estive com a tua paz,
Que saudade, caramba!
Com comunicação tranquila,
Sem mais nem manias,
Apenas A para B e de volta a A

Há dias assim...
Não são natal,
Nem antes nem depois,
Apenas dias.
Acasos de sorte

Dias felizes.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Poema de vida experimentada

Tenho um cansaço longo
De uma voz antiga
Que se repete sempre
Sem razão aparente
Ou motivo de facto.

Tenho um cansaço longo
De lições incríveis
Soberbas, é certo.
De circunstâncias extraordinárias,
Intangíveis, contudo.

Tenho um cansaço longo
De jactâncias descontroladas
De certezas imensas
De superlativos repetidos
De gente soberba.

Tenho um cansaço longo
De lições incríveis,
Cheias de saberes magistrais
Sem que, inacreditávelmente
Hajam sido, sequer, provadas.

Tenho um cansaço imenso
De tantas virtualidades
Vazias, opacas e inexistentes.
De tantos Ai! Ui!
Extraordinário....

Tenho saudades, apenas,
De um pequeno bom
De um reconhecido obrigado
De sincero grato
E de um singelo beijo

Tenho saudades de amor.
Apenas
Somente
Um pequeno nada
Que consegue ser tudo...


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Haiku

Tomo a tua mão
Como sinto a brisa de Sul
Inteira e imensa.

Esperança

E...
Quando a convicção era certa
Uma porta fechada
Um fim
Um nada
Nenhuma solução...
Sem apelo
( como apelo?
No amor não se apela!)

E, suavemente, aparece...
Uma conversa,
Um tema,
Um pedido de ligação...

E, sim....
É esse o caminho.

Aceita a minha mão
Assim que a estenda...

Há mundo para viver.

Poema Haiku

Porque é que insistes
Quando nem a flor
Nem o campo persiste?

domingo, 16 de dezembro de 2018

Desconversas

Despejas palavras onde mora o silêncio.
Caem como mísseis e torpedos
Cheias do cheiro azedo da morte.
Palavras para ocupar tempo.
E fecho os ouvidos
Desolado e vencido
E sou forçado a ouvir.
E oiço,
Não as palavras,
Mas o que eles dizem...
Do seu tempo e da sua fé.

Haverá amanhã?

Nem um sopro

Não corre um sopro neste vale
Tudo secou
Nem a humidade se sente.
Apenas a vida cristalizada
E sob um céu pálido e vazio
Sem espaço para se abrir
Cai todo nesse vale
Esvaziando-o mais

E assim se esvai, também
O músculo que insiste
Em se comprimir
Ao ritmo compassado

De nada pouco mais vale

sábado, 15 de dezembro de 2018

Assédio moral e psicológico ou bullying

O dito bullying ou, dito por palavras mais precisas e concretas o assédio moral e psicológico, caracteriza-se por provocar em alguém uma diferenciação negativa sobre os demais. Pode ser ligeiro, quase imperceptível, pode ser simulado em brincadeiras, pode ser ter muitas outras formas que à primeira vista ninguém o tomaria por tal.
Reduz-se, no entanto, à verificação de uma série de comportamentos intencionais com o objectivo claro provocar no seu alvo a informação "não gosto de ti".

E ao fim de algum tempo, por via da força destrutiva que aplicam, não que ganhem, mas conseguem destruir muito.

Jantares de Natal

O espírito natalício é particularmente curioso no jantares de Natal da empresa. O menino Jesus é o ponto mais elevado da hierarquia que representa a instituição que paga o dito jantar. E é a este que todos se preparam, não para recolher o seu ensinamento, palavras e sentido, mas pura e simplesmente agradar.
A refeição que deveria ser de comunhão e reunião apenas se pede que seja farta e devidamente regada.
Para que se não se possa ouvir uns aos outros há música dita ambiente.
No final cumpriu-se mais um ano.

A presença é uma prova de vida e equivale a mostrar que não estas fora nem pretendes estar, ainda que, a rigor, não estejas de todo lá. Por outro lado a ausência é sempre acintosa. Assim, cumpre-se a obrigação de ir. Nada muda. É o dia a dia servido em vários pratos, com inúmeras entradas e bem regado. E não chega para descomprimir nem para desfazer mal entendidos.

O jantar de natal serve, basicamente, para comer e beber às expensas do empregador.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Viver a vida a sério

Um dia na Torre do Tombo. 3 horas que nem as senti.
Sem bola, piadas parvas, risos absurdos e desconversas circunstanciais.
Apenas saber, conhecimento e mundo.
Livros, temas, obras e mais tanto.....

Pausa para almoço e deveres familiares

Voltamos novamente
E mais portas abertas
O imenso prazer de descobrir
De aprender, de saber, de ver....

Ao final do dia um imenso cansaço
Com outra gloriosa satisfação.

Estava de férias!
A trabalhar furiosamente.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Tenho um poema para ti

Tenho um poema para ti
Mais que uma mensagem,
Um ideia ou uma palavra,
Ou mesmo um gesto....
Mas nada disso diz
O que a poesia faz,
O seu modo peculiar
De ser tudo e nada mais.

São todas as palavras
Feitas num sentido,
Um sentimento,
Uma vontade ou
Uma mera intenção.
Um mundo todo
Numa explosão imensa
E nós nela, lá dentro.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Poema ao amor

Mais que de ti
É a memória que tenho
Que m'acompanha
Sempre e para sempre

E é nela que vives
Assim como eu gosto,
Desejo e contemplo
Agradecendo.

E é com quem me entendo,
Com quem converso
Numa imensa serenidade
E vital fraternidade.

E é assim que consigo
Entender a dualidade
De ser para o outro
Como sendo o outro

Pois tudo passa pelo eu
No que quero e desejo
Como no que sei
Que queres e desejas

Pois tudo passa pelo eu
Que és tu em mim
Mais que de ti
É a memória que amo.

E a minha memória de ti
É sempre o melhor
Todo o sonho
E toda a fantasia.

Mais que a memória de ti


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Poema como castigo

E diz com o intuito de ofender
E ferir o mais que possa.
- Tu não és homem...
não fazes nem sais de cima...

E o tempo vai passar
E não voltará a ter homem
Nem em cima,
Nem em lado algum

Poema a uma discussão

A discussão é espúria
Já perdeu o tema,
O sentido dele
Ou, até qualquer tino.
A discussão é o momento
Tornar-se um finalmente
Irreflectido e desmedido.
E segue uma vontade velha
De dizer tudo
Rebentar tudo
Destruir tudo
Nada ficar de pé.
Apenas mais pedras.
E não são as palavras
É uma imensa intenção
Um queixume violento.
E todos os castelos
Passam a bancos de areia
Onde se prendem naus
Perdidas no mar
Que não terão mais marés
À sua espera.
A insensatez feita verbo,
Rouba fôlego ao respirar,
Cospe-se com ferocidade.
Um Imenso e desmedido orgulho
Que se solta, e se afirma
Vomitando bestialidades.
Frases como pelotões de execução,
Seguidos
Um após os outros
É só sangue a demanda
Não um fio,
Nem uma possa
Ou um rio
Mas todo o mar.
Fúria sobre fúrias
Pedaços de cadáveres,
Restos de vidas,
Sentidos e objectivos
Que ficam assim
Estraçalhados...
Inutilizados.

E no fim, é o que temos
Um buraco no passado.
E nenhum amanhã.
Um vazio asséptico
Limpinho,
Sem vida alguma,
Nem alma para contar.
 

Poema

Tudo era uma vez
E a vez foi
O resto ficou no era

domingo, 9 de dezembro de 2018

Actos de amor

Domingo de manhã, tempo de inverno onde o Sol inunda de luz obliqua, passeia-se pelo mercado. Os olhares deslizam as bancadas. Ciganas que berram enquanto puxam para si o mais novo, que ainda com ranho no nariz, segue directamente para debaixo da camisola em direcção ao seu farto. As camisolas de marca estão estendidas à espera. Ao fundo o pão com chouriço inunda as narinas. Bugigangas de plástico e mais material de drogaria seguem outra bancada. Não esquecer os fatos pendurados ao lado das lindas batas. No fundo, depois dos animais de criação, sementes e viveiro de árvores. Com três árvores na mão arruma a carteira mais vazia no bolso de trás. Segura-as com cuidado. E arruma-as nas traseiras do carro. Está feita a feira.
Mal chega a casa, informa a mulher de onde vem
- E o que é que compraste desta vez?
- Vais por isso onde?
- E cresce muito?
- Dinheiro mal empregue. Com este tempo morre tudo.
- Podias ter perguntado que eu logo te dizia o que precisávamos.
-Põe isso aí ao fundo, onde não estorve muito.
Um longo suspiro depois, encolhe os ombros e resignado segue com as árvores para longe.
- Podias era ter ido buscar lenha. Isso é que faz falta. E de caminho trazias uma caixa de maçãs e lixívia.

Duas faces

A moeda tem duas faces, assim como, é hábito dizer-se, as histórias. Por mais penoso que seja dar a volta à moeda é de bom senso ter a abertura intelectual para o efeito. Só assim se descobre o meio termo da vida.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Poema a ti, que não vais ler

Tudo

Poema

Ergo a minha taça
Meio cheia
Como meia vazia
Apenas expectativa...

Ergo-a como sempre
Desde esse dia
Fixo num tempo
Que, naturalmente, se juntou.

E erguida se mantém,
Como a expectativa...

Poema

Está-se a fazer tarde,
Se não te importas,
Vou, então...
Não é oportuno....
Sacodes, pois...
Nem amanhã...

E assim segues
Na história do sempre.
Nada prende e tudo solta.
Nada toca onde tudo toca.
Nada mexe onde tudo liga.

E faz-se mais tarde,
Quase uma vida,
Um tempo inteiro.
Onde foi?
Estava distraída....

E segue outra vez
Sempre certa
Sempre segura
Sempre só
Apenas consigo

E faz-se tarde.
Sempre tarde
Pressas...
Ou tempos...
Ou momentos...
Faz-se tarde.

Ainda assim,
Nunca deixará de ser,
Por mais tarde que se faça.

sábado, 1 de dezembro de 2018

poema haiku

O Sol de inverno inunda o chão
O dia espreguiça-se
Debaixo da manta espero-te.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Poema

Se pudesse...
Se fizesse sentido,
O que quer que isso fosse,
Seja, ou se entenda.
E se,
Por benção divina,
Ou outra,
Que importasse isso,
Confirmasse...
Esse

A expectativa é como o paraíso,
A felicidade

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Haiku

Vou correr o Inverno
Esta estrada da neve
De onde a vida brotará, novamente

poema

Outra vez tocamos,
O mesmo universo,
O mesmo algo,
O mesmo mar.

E mais vezes haverá,
Haja Deus no meio
E, seguramente,
Deixará de haver meio.

poema outra vez

Trago comigo uma tristeza
Um saco azul onde recolho
As lágrimas e o meu pesar
Onde gostava de ouvir
Cantar as andorinhas,
Senhoras da primavera,
A confirmarem a renovação,
A refundação e o novo eu.

Junto, todavia, por aí
Um imenso mesmo
Completamente igual
Refundadamente mesmo
Lastimavelmente ego
Apenas preso a um peso
De não conseguir ser...
Apenas repetir,
repetir e repetir.

Mas tenho outra mão
Outro saco de esperança
E nele pode caber
O mundo inteiro.
Basta querer,
Ser vontade de ser
Para o outro como se fora para si
E o saco fica balão,
Asa, carro ou avião
E o mundo é seu,
Porque é todo,
E, simplesmente,
É.

domingo, 25 de novembro de 2018

A escuta

O grande drama da comunicação é aceitar o discurso do outro. Ouvir com escuta activa e ao responder, responder ao que foi dito. Por regra a resposta resulta da incapacidade de ouvir e transformar a conversa numa sessão de pugilato, onde os argumentos não servem de nada senão "agredir" o outro interlocutor de modo a não aceitar os argumentos e seguir o seu caminho com a sua teimosia. Um pouco como o efeito avestruz. Enterro a capacidade de discernimento no meu ego e não quero pensar nem sair das minhas zonas de conforto.
E cada vez mais esta "doença" se alastra.

Decidi já algum tempo a terminar estas "conversas" mal detecto esta sintomatologia. O tempo é escasso e perco menos a saúde a calar do que a escutar berratas. O tema da escuta será, por ventura, um dos mais dramáticos do futuro.

sábado, 24 de novembro de 2018

Poema

Hoje não vejo tv.
E, apesar disso,
O amanhã será o mesmo.

poema

Hoje o meu vermelho
Foi ao teu azul.
Mais uma tentativa......

Sobre a poesia Haiku

A beleza da poesia Haiku é que no menor número de frases conseguires sentir beleza, amor, expectativa, possibilidade e nenhum juízo.

Poema Haiku

Podes fechar todas as portas
E trancar as janelas
Haverá sempre uma luz.

Outono - Haiku

O outono é uma paleta de cores
Que cai,
Folha a folha

Poema

Quando fui até ti
Exibir a vermelha folha
Que me roubou o tempo
A atenção e inspiração.
Os teus olhos falaram
Nas palavras dos lábios
Que repetiram o momento
Em que outra vermelha folha
Roubou a tua atenção,
Tempo e inspiração.
E em cadernos distintos
Repousam da vida
E insistem na eternidade
Da beleza de um momento.

Que vais fazer com ela?
Perguntaste

Não sei que faça,
Mas, e para já,
Este poema,
Mais uma vez.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

um pouco de humor

Ontem foi dia de São Martinho. Comeu-se muita castanha e bebeu-se vinho. E hoje continua a festa, ainda que num tom mais baixo, grave quase.

Em resumo: Não há bela sem senão....

domingo, 11 de novembro de 2018

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

mais um poesia

Hoje tenho nada.
É a volta do círculo.

A semente outrora brotada
Secou, mercê do efeito
Que se reduz a defeito
Presumindo parte ou feitio.

O tempo, sempre circular,
Das voltas que vai contando
Tornará, outra vez, a semear,
Pois é da sua natureza.

Nas suas ondas e vagas
Sem rigor nem ordem
Apenas porque é assim
Sempre, e desde sempre.

E brotará outra vez,
Como se fosse uma primeira
Ansiando sempre vida
E subir até que haja flor ou fruto.

É a força da expectativa
A vontade do ter de ser
Onde a fugaz retracção
Apenas gera momentâneo vazio.

E assim cresce essa mania,
Insistência ou persistência.
Uma intenção permanente
Que vem do sempre.

E roda como o dia,
Como o tempo
E as ondas do mar
Que sempre retornam.

E este nada instalado
Cinza temporária
Com o vento irá
Ao pó de onde veio.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Poema

Dá-me o azul com que olhas o ar
Que perpassa os espaços
Para se fixar,
Momentaneamente.

E há, também, o mar...
E o paladar do seu sal.
Tons do mesmo olhar
Eternamente.


terça-feira, 25 de setembro de 2018

ilusões

Que uma mulher, um dia, vai entender um homem.... Apenas se entendem a si mesmas e desancam os homens por estes não as entenderem como elas, às vezes, se entendem.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Projectando um futuro


desenhos ociosos no autocarro




Desenhos ociosos a ver tv/net






desenhos ocioso em reuniões





Mais desenhos de praia




Desenhos ociosos na praia





Poema ai quem me dera

Um beijo salgado
Que saiba à sede
Dos que virão depois

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O momento extraordinário

A vida é uma longa, difícil e complicada teia de afectos onde qualquer pessoa se perde ao tentar entender. Qualquer coisa tem atrás de si outra e assim sucessivamente até ao limite de ser impossível de co-relacionar o princípio com o fim.

Poema tardio

Já não podes mudar
O que ficou inerte
Preso num qualquer tempo,
Momento de uma epifania
Que justifica o mundo
E a dita realidade.

E mesmo sendo opinião
Ou, simplesmente predisposição,
É um sinal que alguma vida
É apenas alma morta repisada.

Que se execute, então
O devido serviço fúnebre.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

domingo, 12 de agosto de 2018

English poem

You'll never know
That, so many times
So many ways
My words are
Only you and to you

You'll never know
That behind your fears
I'm there
Alone and
Just waiting for
A single word

Like a yes

Or a try.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Já estamos em Agosto

E o tempo corre quente e devagar. A cidade está vazia. É quase o tempo ideal.

E, talvez, por ser este mês um tempo mole que se arrasta deu-me para ir ouvir música lamechas brasileira que teve o seu auge em certas rádios que promoviam o dito amor.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Pensei que fosse mentira

"- Ah.. mas ele já trabalhou muito... Quando não era chefe...."

A declaração da miséria deste país. A promoção hierárquica significa, e é aceite!, a noção, e verificação de redução de trabalho. Não só é errado numa empresa a verificação destas circunstâncias, como é errado a aceitação benévola desta evidência. Um dia, talvez, entendam que estas atitudes se reflectem nos resultados líquidos das empresas, e, por consequência, na capacidade destas pagarem os seus trabalhadores.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Um começo

Tempo quente, de Verão... e num ambiente quente ela despe o casaco ficando, apenas, num fina camisa de alsas. Por entre o peito escorre um fino fio de transpiração...

Que belo começo para uma fantasia erótica ou pronochancha. Que fazer com este tempo? Apenas retirar as roupas e reconhecer os corpos.

Insistimos

Quando escorre o suor
E o ritmo acelera
Era bom que fosse sempre Verão

Mais um Haiku

Quando uma mulher se despe
Escorre, também,
Água na testa

Aos bocados

Somos subestimados e, por isso, sujeitos a respostas que se advinham sem surpresa.
Se é certo que nada voltará a ser o que foi, é igualmente certo que nunca cessa espaço para voltar a ser. Tudo depende do que se quer que se se seja.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O urinol



Quando as casas não tinham casas de banho, ou o vinho excedia a capacidade da bexiga, havia que recorrer a um canto para aliviar a pressão da bexiga. Assim se fez este espaço às portas do Castelo de São Jorge, em Lisboa.
Hoje é mal visto, desagradável, com o seu odor característico, pois a urina não cheira a rosas, medieval e demais outros adjectivos que gente muito educada e chique poderá se lembrar. Mas é, acima de tudo, história viva, assim como os balneários que vão sendo silenciosamente fechados na cidade de Lisboa. A intenção é apagar uma parte da história da vida privada, pois que mostra uma realidade que não se adequa aos dias de hoje.
A história é feita de hábitos do seu tempo e não do tempo de quem os observa. 

Ausência

Três semanas ausente. Motivo aparente: a saúde... Essa que é um estado transitório que não augura nada de bom... disse um médico.

Recuperado e mais leve.

Poema Haiku

O perfume da Primavera
Enche o ar da manhã
E o olhar de Sol.

Poema Haiku

Uma ponte é uma arte
Que ocupa um espaço vazio
Onde margens se unem

Poema

Já nem sei que diga
Ou por onde pense
Pois estou assim tão vazio
Que de tudo me esqueci
Até de como se ri.

Dá-me o teu sorriso,
Esse teu rir,
Alegra-me agora.
Dá-me um segundo só
Esse pedaço de ti.
Dá-me esse Sol.

Lendo 258

"Um meio elegante é aquele em que a opinião de cada um se baseia na opinião dos outros. Essa opinião é o oposto da dos outros? Então, trata-se de um meio literário."
Marcel Proust in Contos completos e outros textos, Lisboa, E-Primatur, 2018, pág. 62

Uma frase datada. Polémicas no século XIX, apenas as literárias.
Polémicas no século XXI, apenas as progressistas e fracturantes, de resto anda tudo anestesiado.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Poema

Em noite cerrada,
Escura, ainda,
Caí... dizem,
Neste fluir do tempo.
Como tudo o demais
Nada me coube escolher.
Apenas me espantar
E ir indo, a absorver.
Ao tempo que fui acumulando
Muito lhe fui agregando
Amor, afecto e rostos
Depois pessoas e modos,
Encantamentos e adesões,
Ideias e entendimentos
E uma balança cujo fiel.
Não é mais que a associação
Dos passados pesados e condensados
Num fugaz presente
Que se escapa a todo o instante
Pela ambição de um futuro.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Um pardal


Poema

E deixas de ser...
E de estar,
E de sentir...
Deixas-te!
Não que tivesses ido
Para longe desta vida
No espaço ou no tempo
Apenas foste
Para outro lugar de ti.

Sem deixar uma nota,
Uma palavra
Ou um olhar...
Insitiste assim
Confiante de ti.

Fica, portanto,
Razão ou vontade pendurada
Pois o qu'importa
É ser confiante de si!

Um pouco de solidão

O banco devia levar uma cor, mas preferi não pintar. Se fosse castanho poderia se confundir com a árvore e seria um pouco monocromático. Se optasse pelo preto seria uma mancha escura. O verde escuro foi uma opção, mas distraia a imagem da árvore.

Devaneios a graphite


terça-feira, 29 de maio de 2018

Lendo 257

"(...) e do seu feitio não fazem parte a confissão e muito menos o arrependimento."
Rodrigo Guedes de Carvalho in Jogos de Raiva, Dom Quixote, Lisboa, 2018, pág 181

Não tenho muito mais a comentar, pois que a quem este pensamento se dedica nem vai dar por ele.



Lendo 256

"As pessoas gostam de saber que gostam delas."
Rodrigo Guedes de Carvalho in Jogos de Raiva, Dom Quixote, Lisboa, 2018, pág 60

O toque de Midas do Facebook. O botão GOSTO.
Ninguém quer saber da realidade, apenas que o espelho digo "És a mais bonita do mundo".

Lendo 255

"Não se pode encontrar paz a evitar a vida."
Rodrigo Guedes de Carvalho in Jogos de Raiva, Dom Quixote, Lisboa, 2018, pág 43

Mais uma frase de quase lugar comum mas que é bom se leia. É mais fácil atravessar o lado da rua para evitar algo. E é, também, que se deixa de viver esse algo. E nunca ninguém pode ter a certeza do que esse outro lado poderia ser. 

Lendo 254

"Ensinaram-nos que é assim que se divide o mundo; mesmo a meio, e tem só duas metades. É preciso crescer muito para começar a perceber que não. Há todo um oceano de realidades opacas que não são boas nem más, são assim."
Rodrigo Guedes de Carvalho in Jogos de Raiva, Dom Quixote, Lisboa, 2018, pág 207

A frase é banal, não tem estilo particular. O dito também não, basta utilizar a cabeça para o que ela foi dotada e rapidamente se percebe. Há, aliás, aquela expressão sobre o mundo não ser a preto e branco, mas sim uma enorme camada de cinzentos.

A grande dificuldade, e por isso a transcrevo, é aplicar o sentido da mesma.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Frases

Hoje, enquanto almoçava, recordei que o restaurante onde estava havia sido por muito tempo a "secreta" casa de pasto de um casal que desejavam tanto ser anónimos quanto davam nas vistas que eram um casal. E surgiu-me esta frase:

"Há histórias de amor que queimam lugares."

Agora cada um sabe da sua, ou das suas. O chato é cair-mos na sopa das histórias alheias.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Ser militantemente calão

Por vezes abrimos os olhos e verificamos que nos rodeiam pessoas cujo máximo esforço é nada fazer. O grande empenho é encontrar meios e modos de se escusarem a utilizarem as mãos. Os romanos, num tempo desconhecido a esta gente, descobriram o "negócio", cuja palavra consistia precisamente a negação do ócio, o neg - ócio. Neste tempo vivemos a neg-neg-ócio. Como alguns se devem recordar da matemática, a dupla negação tem o valor de uma afirmação.

E, se a sociedade caminha a passos larguíssimos para a ausência de necessidade do ser humano a desempenhar tarefas, pois as máquinas conseguem já fazer isso, fico sem saber se estes calões são visionários ou umas simples bestas absolutamente dispensáveis.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Envelhecer


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O tempo passa, mas dentro de nós as imagens que vimos vezes sem conta fixam as pessoas a esse tempo. Ninguém me pode falar de Debbie Harry sem eu rever imediatamente uma loira provocante, absolutamente sexy e eternamente de 20 anos. Acontece que essa mulher era assim nos anos 80. Ora se estamos em 2018 passaram quase 40 anos sobre essa imagem. É impossível que o tempo não tenha também passado por ela, mas, e por mais que a lógica o diga, o tempo o confirme, é impensável que ao falar desta senhora eu não veja a imagem de cima...

Mas a realidade é assim mesmo.

E é isto. Estamos como a segunda foto, ainda que prefiramos ver-mo-nos como na primeira



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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Aforismo

Por mais boa vontade que tenhas numa acção, mesmo advertindo dessa boa intenção, se a vontade é tresler... esquece.

Os cacos feitos mundo

Coloco senso nas palavras
Sentido e entendimento.
Mais que uma frase,
É um nexo lógico
Com clareza interpretativa

A leitura fica sempre enviezada
Falta a comunicação
E sobra a intenção.
É a desolação feita gente.

Fim de semana e mudanças

Mas nada muda. O gosto, a satisfação e orgulho em colocar cara de pistola e fazer ar de trombas em silêncio.

A vulgaridade adolescente e sem educação.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Reuniões e comportamentos

Por decisão consciente aderi a um partido político e fui a uma reunião, diria, de certo modo, estratégica. Cuidei que o fosse, mas não foi, nem é.
Descobri que todos têm uma enorme ambição a falar no palanque. Corriam para lá mal lhes davam a palavra. E, mal tinham a palavra, estavam-se nas tintas para o público, apenas lhes interessava uma enorme comichão no ego.
Mais tarde é apresentado um plano estratégico que visa agregar as pessoas. Apenas se apresenta, Ninguém entende como participar, nenhum email é fornecido, nenhuma indicação é dada.

E, a cereja em cima do bolo, o cortejo às figuras mais mediáticas. A última surpreendeu-me pela capacidade de ser objectivamente lapa e de tal modo sufocar o jovem que este não tinha espaço físico para falar com mais ninguém.

O poder é isto. Altera as pessoas e empurra-as para a sua animalidade. E, também, ninguém quer dispor do seu poder.

Não há milagres. O mundo será sempre feito de gente pequena. Aqui e ali acontecem homens maiores, mas é raro.

Caminhos

Quando se opta por um caminho de segregação dificilmente haverá portas suficientemente tolerantes para a normalidade funcional. E não são consequências, são opções. Claramente opções.

Uma brincadeira reveladora


Por via de uma disposição carregada de intenções, apesar de se afirmar meramente ao acaso, fomos colocados de costas para os restantes elementos. Coisas elegantes que iluminados entendem que ninguém percebe, ninguém entende e só pessoas com muito maus fígados é que vão perceber. Enfim...

Com a dupla intenção de expor o ridículo e utilizar a provocação, mandei vir do ebay dois elementos de plástico com fraca visibilidade que colocamos no ecrã do nosso terminal. Ui! 1755 ao pé do que aconteceu a seguir não foi nada. Até o chefe teve de acordar e tirar uma mão do bolso e a outra da cabeça e ir defender a pior argumentação possível.

Vamos a factos. Estamos num espaço sem barreiras físicas e, tal como disse tenho pessoas atrás de mim que podem desfrutar de tudo o que faço sem o menor pudor. Acontece que, a mera ideia, ou sugestão de serem visto provoca uma enorme corrente de ar nas cordas vocais, para lá de um acefalia declarada.

A brincadeira, mais uma vez, mostrou sem a menor dúvida o mundo absurdo em que vivo, o ambiente de escola secundária e a predisposição para as pessoas se ofenderem antes de se dedicarem à reflexão. Apenas mais uma.

Sou um coleccionador destas tristezas humanas.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Técnicas de bullying da escola secundária

Não responder. Fingir desprezo. Promover indiferença.

Para quem seja pouco experimentado pode ser incómodo nos primeiros tempos, passado algum histórico passa a ser expectável. E, portanto, basicamente muito básico. E chega o momento em que te entretens a reverter essa circunstância, provocando momentos de "pedidos" de resposta que obviamente ficam por dar. Colocas lenha na caldeira e sais de fininho, com a noção perfeita que ficou a fumegar e satisfeita pela sua modalidade de não-resposta.

Para quem não entenda, a comunicação estoirou. Só existe descomunicação. Que se resume em não falar, não responder, não olhar, não ver e ignorar. Todavia como o conhecimento é muito, o clima é de sistemática "tug of war". Fixar o olhar e ter a certeza que se fixa um ponto no infinito para não haver "contacto" ou comunicação. Começo a tirar alguma diversão com a antecipação de "pantufadas" que, curiosamente, subiram o tom para pontapé (ainda chegará a biqueirada apesar de ser rude, mas valerá pela expressividade da agressividade, um tema que vale o meu saboroso silêncio ).

Nas minhas já distantes aulas de filosofia havia um tema que sempre me causava alguma perplexidade que eram os chamados "níveis de conhecimento". Por princípio essa questão era tida sobre a profundidade do conhecer. Hoje, e sobretudo nos últimos anos da minha vida, tenho percebido que para além da profundidade do tema, acontece, também, a questão que o filósofo espanhol Ortega Y Gasset tão identificou como a "circunstância", ou seja a enormidade de conhecimentos paralelos que ajudam a entender e a explicar o pequeno conhecimento que se apreende. O fluir do tempo, as pequenas deixas, as palavras caídas, as expressões, as motivações, os amores, os flerts, os desamores, as queixinhas, as birras, as trombas, as caras de pistola, o afastamento compulsivo de alguns e tantas outras minudências exibem com clara e inequívoca limpidez o ser humano. E entendes esse ser humano que, ao sentir-se entendida, exaspera ainda mais, pois está absolutamente cega do seu mundo.

Pergunto-me, apenas, até quando a saúde irá permitir este exercício de violência gratuita... Por ora vai-me divertindo.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Cara de pistola

É aquela maravilhosa cara que nos oferecem a qualquer hora do dia.

E assim me encho de vontade.......

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A fatal escola secundária

Partilhei no meu facebook um excerto de um programa  de televisão onde um comentador se queixa de 10 anos de supressão de opinião, de manifestação da opinião e de seguidismo da maior parte da população. Muito bom o pedaço de televisão que foi feito.
Um menino da escola secundária onde trabalho deve ter visto e carregou em gosto. Passado uns instantes lembrou-se da chefe, da grande líder, cujo enorme fonte de confirmação do poder reside na criação de um ódio global contra a minha pessoa, e, temendo os infernos, logo tratou de apagar esse gosto.

E assim se segue neste mundo cada vez mais fácil de entender, mas muito complicado de conviver.

Opinião

No outro dia era, justamente, acusado de ter opiniões controversas. Claro que sim! Sempre tentei pensar fora da caixa e com a minha cabeça, a minha experiência e o que vou aprendendo ao longo da vida. Tenho, por regra, um fio condutor no pensamento que tenta trazer, tanto quanto possível o passado para poder integrar o presente e tentar construir um melhor futuro. Muitas das sugestões dão como caminho uma certa rotura, um caminho claramente diverso, e isso assusta, confronta, obriga a outras possibilidades.

Não interessa vencer uma discussão, interessa fazer o melhor.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Amanhã....

Ir, novamente, para um salão, onde convive gente amoral, outros imorais e mais uns distraídos. Uma profunda depressão. E, o mais dramático, profundamente autistas. São-se, não per si, mas por contra um. O mau que os une.
É o caso de uma equipe que se faz não por um objectivo positivo, mas se unirem todos contra uma pessoa.
Podem agregar mais soldados, mas nenhum é general.

Moinho de água na Columbeira


Casa na Praia da Areia Branca 01


Uma casa na Praia da Areia Branca


Já a desenhei noutra posição

Graphite


Desenho feito com um pedaço de grafite 2B de 5 mm de espessura da marca KOH I NOOR.
Estou encantado com a versatilidade do traço.

Lápis



O excesso de luz da digitalização não ajuda muito

Que possa desenhar




Assim suporta-se melhor o tédio de conviver com gente oca

O circo

O circo entrou na sala e as gargalhadas multiplicaram-se.
Tudo ri numa galhofa generalizada.
E as almas sem cor, desoladas, dão ao rubor do riso
A intenção de um tom que se admite generalizado.
O circo sai, a galhofa também e o dia que está cinzento entra
Para onde nunca saiu.
E olho para dentro e choro mais um pouco
O que é que eu faço aqui?

segunda-feira, 7 de maio de 2018

E mais um pouco

Discutir teologia com um comunista, ou perto disso, é como ensinar um cego a ver.
Resultado acaba a falar de pirilaus. E, note-se, aplaudido pelos seus visionários pares. Obviamente que o tema em vez de se elevar, morreu definitivamente. ( pode-se fazer uma leitura em segundo plano que até dá mais graça ao assunto).


Dai-me um nadinha de paciência

Alguém executa em dobro uma tarefa. Após uma primeira abordagem, fica claro que pode ser tudo transformado numa só tarefa. Não. Não pode. Um orgulho não deixa... E assim corre o lindo mar do pátio da escola secundária....

Ser ignorante com orgulho

Um rapaz com o qual me cruzei uma série de vezes, pouco dado a raciocínios mais complexos, que milita naquele espaço chamado da esquerda, mostra, no Facebook, uma imagem, em África, onde se vê miséria, morte, fome, desgraça e absoluta ausência de futuro. E acrescenta esta frase "No dia do julgamento eu prometo que dou uma hipótese para que Deus se explique".

Se, por acaso, o cavalheiro tivesse a possibilidade de pensar "Deus" se se pensar em si mesmo antes, tudo seria mais fácil, mas como ele quer um Deus, ele precisa de ter esse inimigo de estimação, muito próprio de uma esquerda que se sobrevaloriza, podería ser interessante que ele dissesse se foi Deus que promoveu aquilo ou, quiça, gente que, como ele, não acredita em Deuses, a não ser neles. Também lhe será difícil entender que o homem foi dotado de liberdade e capacidade de escolha...

Mas, coitado dele, e de nós que temos que ver este triste espectáculo de ignorância, insiste em se exibir. E é assim o Facebook quando a malta da bola resolve sair do seu grandioso universo.

Falece-me tanto a paciência.

domingo, 6 de maio de 2018

Facebook

O Facebook é um espaço notável. Diria, mesmo, uma esplanada de democracia. Um local, onde, somos todos convidados a ser:

Tolerantes
Educados
Respeitadores
Confiantes
Ignorantes
Aceitar os outros
Aceitar as opiniões alheias
Amantes
Amadores
Criadores
Negociantes
E, sobretudo, 

Mas, percebi que há muita gente que não tolera ser criticado, não suporta ser contrariado, não respeita o que os outros pensam, não se reconhece ignorante e detesta que viver em democracia.

Vai daí, boqueia amigos, apaga comentários, insulta gratuitamente, expulsa pessoas de grupos e faz-se, de pois disso, ofendida....

A democracia, tal como o socialismo, é uma utopia feita para quem gosta de viver na sua ditadura. 

Não morri hoje

Não morri hoje,
Nem isso nem nada,
Nem nos teus braços
Nem, sequer, por ti.
Nem morri mesmo,
De todo.
Nem lágrimas chorei,
Nem negro futurei.
Não houve nada hoje.
Pois nada pode morrer
Se não chegou a nascer.

Assim, apenas resta a ilusão,
A brincadeira e o faz de conta.
Agora sonho assim
E fantasio deste modo.
Nada custa,
Nada dói,
E nada magoa.

Entretemos tempo
Que até se acabar
É o que temos,
E, também, não custa nada.

Números redondos

Com esta atinjo, aqui, as 3.000 entradas ou posts. O resultado de uma caminha iniciada em Julho de 2012.

Grosseiramente temos, portanto cerca de 500 por ano. Um frenesim que supera a média de um por dia.

Curiosidades
23% é poesia
13,8 % são desenhos
9,4 % são fotografias
9,4 % são referências a leituras que faço.

O resto, que é 44,4%, são pequenas histórias, reflexões, piadas, queixinhas, meditações, aforismos e outras coisas.

E aqui fica, então um post que explica vagamente o que é este blogue.

sábado, 5 de maio de 2018

Another english poem

I saw you
I see me

I didn't see us...

Either we didn´t see ourselves
Or we ain't nothing

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Mudanças


A vida é feita de mudanças. Agora uma esplanada na praia da Areia Branca.

Da saudade


Aqui grelhei carne e peixe. Bebi cerveja. Ri-me com amigos. Fiz pão. E muito mais.

Caderno 27 nas folhas finais




Esferográfica.

Esboço de esboço


Ao ver um programa na RTP Memória, captei fotograficamente algumas imagens de duas mulheres, em 1979, a falarem. A inacreditável rudeza, um ar antigo destas mulheres, algo que mais antigo que eu mesmo, seduziu-me por completo.
Com este desenho estava a fazer a primeira, a carvão, de um desenho que gostava de pintar. Não sei se acrílico ou  aguarela.

E se

De repente lhe oferecerem um soutien preto debaixo de uma blusa branca?

É, obviamente, um grande impulse! Olá se é!

Brincadeiras

Prevendo que me iria atrasar, pois a consulta no dentista seria mais demorada que previra, envio um SMS a dar nota da minha demora:
- Estou com a marquesa do dentista e só a devo deixar satisfeita dentro de uma hora. Ela tem expectativas....
Resposta
- Hahaha não deves criar expectativas que não possas cumprir.
- Até já.

O até já matou-me! Voltei feito um molusco a olhar para o chão. Lá se foi a minha virilidade toda... Até já! .... há mínimos!

O almoço

Hora de almoço e em duas horas o espaço do escritório esvazia-se. Com um início tímido um pouco antes das 13.00 vai tudo saindo até às 14. Altura em que, inevitavelmente, começam a retornar. E saem nos conjuntos do costume. O da lancheira que desce ao mesmo tempo para o refeitório. O chefe e o seu amanuense predilecto. E os das pressas para uma compra, um assunto, as unhas ou até o cabelo. E, por fim, o grupo dos homens de barba rija e com o seu único tema, a bola! Também há a pornografia...
Sentado no centro comercial, e com o meu tabuleiro, sento-me onde puder obter a maior vista. Almoço para me inspirar no ser humano e nas suas maravilhosas formas de se expressar. Vejo chegar a directora e escondo-me, não vá ela ter a simpática sugestão de almoçar comigo. 
É que, se a minha chefe me visse ou algum dos seus espiões de eleição, teria mais uma cena de amuo por mais de uma semana. Não pelo que iria conversar, mas pelo que poderia conversar. E ela sabe muito bem disso. Amua por dois. Por mim e por ela.

E vamos em paz, é o Senhor que nos acompanha.

À primavera

Simpático como um razoável número de mulheres resolveu dar as boas vindas à primavera que já tardava.
Que seja tudo muito bem vindo

A banana e o banana

Uma banana descasca-se e come-se. Pode ser verde, madura ou, até podre. É um alimento e tem nutrientes necessários. Comemos e fruto e deitamos a casca à terra na esperança que apodreça e gere nutrientes para futuras bananeiras
Um banana não chega a casca da banana. É a negação da expectativa. É um ser sem futuro.

Um pouco de filosofia

Nada fica preso no tempo. Nem as coisas nem as nossas ideias sobre elas. Tudo o que pode parecer estático e sem motivos para se alterar, vai, levemente, sofrendo as pressões da nossa forma de ver o mundo, e aos poucos, deixar de ser o que era, para ser aquilo que é nesse momento. Ou seja, a realidade só assume conteúdo dentro de mim, e porque entendido dentro de mim, é sempre uma minha realidade. O que não significa que seja diversa de si mesma, pois que, e a rigor, sou incapaz de saber o que ela mesma é. É e será sempre a minha apreensão.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Reflectir

Cansam-me as pessoas que perdem mais tempo a se ofenderem e se chatearem do que a ouvirem.
Bem entendido que dispenso, já, a coisa pequena de se ouvirem....

Tão pouco é a liberdade e tanto custa as pessoas libertarem-se. Há sempre qualquer coisa......

Saudade

Passeava saltitando
E pelo passo dançava
Dizia que estava com Saudade
De ter alguém de quem
Pudesse vir a ter Saudade.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Poema em rimas

Ali ao fundo, no areal
Passeia um jovem casal.
Nas mãos os restos do sal
E no olhar o sabor igual.

Caminham para a frente
Uma ambição em mente
E sem serem cientes
Trazem uma vida no ventre

Tal como as ondas  a rebentar
É o homem a confirmar
Que foi feito para se multiplicar
O que é incapaz de explicar.

Ser vida.

domingo, 29 de abril de 2018

Poema

Somos recorrentes no nossos vícios.
E a eles voltamos, recorrentemente...
Ou não fossem os vícios,
Perseguições da vontade bruta.

E, a eles, não tombaríamos,
Seguros da sua amoralidade
Como se fossem coisas próprias
De quem é com intencionalidade.

Vícios, em suma,
Taras da vontade.

Meras intenções

Na aguarela, tantas vezes,
Para entender ao longe,
Uma pequena figura,
Pintam-se os contornos,
Ficando, esta, nesse branco,
Vazio de cor.
E pela forma alheia
Surge nesse branco
A impressão de personagem.

E há, assim, tantos
Espaços brancos, sem cor
Apenas pela forma alheia
Intenções numa linha invisível,
Que contorna o vazio.

De volta à poesia

Entorpecido vivo
Neste tempo que corre.
Alimentado do que querem,
Vivendo como quem morre.


Mulher à janela


mulher com as mãos no pescoço