terça-feira, 31 de outubro de 2017

Liberdade

Acabo de ler uma entrevista a um homem livre.
Com um discurso fluido e fácil, deixa, entre as palavras ditas, escorrer a urgência de homens livres no mundo.
Há sempre o líder a agradar, a seguir, a bajular.
Há sempre que agradar, a que preço for.

E, nessa liberdade existe tanta serenidade.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Novamente a política

Depois de algum afastamento, reencontro-me com a política através da participação nas eleições do poder local. Desde sempre defendi, e agi, que a nossa intervenção no que nos cerca deve ser constante e permanente. Nós fazemos parte do mundo que nos rodeia e temos a obrigação, dentro das possibilidades de cada um de intervir de modo a se poder chegar, naturalmente, a um mundo melhor. A participação individual é, aliás, a chave de tudo.
Cada individuo tem uma determinada visão, uma expectativa, uma vontade para o que o rodeia. E, apesar de encontrar muita gente que o acompanha nesses mesmos propósitos ideais, é salutar que se permaneça suficientemente afastado para garantir a sua liberdade. Se se deixar subjugar pela opinião dominante do grupo a que se junta, a prazo, deixa de ser um individuo e só agirá em função do grupo, deixando por isso, espaços para que outros se instalem, e, como tal, interfiram ainda mais nesse seu espaço de intervenção. E esta é a ilógica dos partidos

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ah... Soubesse do que falo!

E, para lá de ti,
será que consegues
Levar-me para aí?
Para esse encanto,
Entre todas as nuvens,
Onde, e apenas aí,
Onde o sol nunca de põe,
Onde vivemos esse momento,
Esse suspenso
De eterno encanto,
Onde sobram as palavras
E não falta o sentir,
A proximidade única
De ser e estar
Se sintetiza nesse instante...

Ah... Soubesse do que falo!

domingo, 22 de outubro de 2017

Um diabo

Quero ser o teu diabo,
Aquele que insultas
Que te tira do sério
E que maldizes
Como o infernizas
E que, no silêncio da noite,
Te molha os lábios,
Te preenche o desejo,
E, no escuro,
E silenciosamente,
Te devolve um sorriso.


Poema

Tens o tempo,
Como se fosse teu,
E deixa-lo escorrer...
Passivamente entre os dedos.
Mantens esse tempo
Que foge a outro

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Fim do interregno

Durante anos convivi, com problemas e dilemas interiores, uma situação para a qual não não encontrava motivo, razão ou justificação. A coisa conta-se rapidamente:
Dos meus tempos adolescente ganhei, a um tempo, um impressão clara e indisfarçável que era mal vindo, que era pessoa a evitar, que não servia para amigo. A impressão incómoda começou numa pessoa que tinha por minha amiga e seguiu-se à sua família directa, pais e irmãos. A coisa foi de tal modo evidente que recebia, de quando em vez, expressões de amigos, amigas e pais destes o seu apoio, confessando que não entendiam a razão de ser para tamanho desagrado que chegava a ser mal educado. Eu encolhia os ombros e também não percebia.
Percorria mentalmente os meus passos, as minhas palavras, o que não disse e poderia ter dito, uma frase deslocada, um ausência de cortesia, enfim, perguntava-me vezes sem conta: O que é que eu fiz? E, passados mais de trinta anos, insistia na mesma questão de sempre. Nunca tinha encontrado a resposta para tanta hostilidade gratuita.
Muito recentemente, e por questões do foro político, uma tia dessa amiga, sem o saber, ofereceu-me a chave que me faltava para este dilema. Diz, a determinada altura, o seguinte mimo:

"És mesmo burro e o mais grave é que pensas que és um grande intelectual. Haja paciência."

Ora do que me lembro da dita tia é que grandes deduções não eram o seu forte. Nem isso nem tomadas de posição. Era um pouco voluntarista assim como dada a uma certa insensatez. Uma pessoa normal, portanto. Ah...e ouvia com especial atenção a vox populi familiar que reforçava o coro com a sua voz.
Voltando, então, ao meu drama pessoal, vejo que vivi a amargura de um drama interior sem ter o mais pequeno fundamento. Claro está que posso ser sempre um pouco parvo, ou burro, ou despropositado ou tudo junto com mais uma ou outra pitada do que quer que seja, mas uma coisa não posso ser responsabilizado. É de alguém se sentir menorizado e achar que eu penso que sou um grande intelectual. 
Que grande alívio.
Com este assunto resolvi um quebra-cabeças e perdi uma pesada canga.

Nota final. Ser desprezado por se ser intelectual acaba por ser um elogio.