segunda-feira, 31 de julho de 2017

Fechando portas e janelas

Hoje vivi e presenciei um acto impiedoso e absolutamente desolador da minha confiança na bondade do ser humano. Passo a descrever:
Uma relação profissional bastante desgastada, sem espaços para diluição de lapsos, erros e mal entendidos que o tempo amplia levou a uma relação de mera presença física e quase nenhum diálogo. Sem aviso prévio surge a oportunidade de um colega cessar o trabalho com uma recompensa financeira simpática e, também, um novo capítulo na sua vida. Segura com as duas mãos circunstância e hoje termina a sua ligação com a mesma entidade. Sendo o último dia, a expectativa era a de se enterrarem todos os machados de guerra, pois deixa de ter sentido qualquer conflito ou que perdurem mal entendido e, de modo civilizado, dizer um "adeus e até à próxima" com um sinal de confiança no futuro ( mesmo crendo que não exista futuro algum). Acontece, todavia, que a realidade surpreende sempre.
Começou o dia fechado, apagado quase e incapaz de comparecer em qualquer acto de despedida. Um acabrunhamento em pessoa, uma pedra de ressentimento, um alheamento intencional e activo. Mais tarde percebe-se porquê. Não pelo colega que se vai embora, mas pela sua incapacidade de lidar com o momento, a incapacidade de dar o braço, de ser gente humana. Fecha-se numa pedra e, mesmo ferindo-se nessa não despedida, é incapaz de virar a mão e abri-la ao mundo.
Envelheceu hoje mais um ano enquanto o meu colega que sai, ganhou agora luz e anos de vida.

Espero conseguir apagar este desolador episódio rapidamente.

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