sexta-feira, 30 de junho de 2017

Um minuto de silêncio

Decorriam os trabalhos da Assembleia Municipal e pelo motivo do desaparecimento físico de um filho da terra que se notabilizou pela escrita, nomeadamente a poesia, todos os elementos do dito orgão se unem na intenção de um voto de pesar. O mesmo é aprovado por unanimidade. Após isso o presidente da mesa diz:
- Vamos, então, fazer um minuto de silêncio.
O silêncio instala-se depois de todos se terem colocado em pé.
Noto que o presidente carrega no cronómetro do seu relógio para medir o minuto...

Como o formalismo se apodera das intenções que se tornam, afinal, figuras de estilo. Pobre poeta que nem na tua terra te respeitam. Tiveste sessenta rápidos segundos que ninguém sabia ao certo o que fazer... E, pior, seguiu-se novo voto de pesar pelas vítimas do incêndio de Pedrogão... Outro momento de cronómetro....

Quão mais eficaz teria sido rezar um Padre Nosso e uma Avé Maria....

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