segunda-feira, 5 de junho de 2017

O eunuco

Segunda feira de manhã. O grupo de meninas junta-se para conversar sobre todos os acontecimentos do fim de semana, sejam eles escaldantes ou tão vazios e entediantes como só o género consegue gerar. Instala-se a animação. No meio está sempre um único homem. É aquele cuja sexualidade se encontra entre o indefinido e o ausente. E o lado maternal das mulheres recolhe-o como se recolhe e trata do aleijado, o coitadinho da aldeia. Passado algum momento da risada generalizada do mundo feminino, começa o pobre rapaz a fazer movimentos com o corpo simulando um papel de profundo estímulo humorístico, como se estivesse em pleno extâse hilário. É a sua forma de fazer parte do grupo, de acompanhar o que se conversa. Tal é a sua convicção que se o tema mudar radicalmente para um drama profundo, suspende de imediato o esgar silencioso e franze as sobrancelhas numa solidariedade profunda já não com a suposta anedota, mas com o suposto drama. Ele precisa de estar ali e acompanhar a opinião dominante de modo a manter-se protegido por todas aquelas asas.

Terá consciência que ele é que é a comédia e o drama do qual se ri e chora.



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