sábado, 3 de junho de 2017

Lendo 226

"Vivo e rijo está o Senhor Antero. Vamos juntos no enterro da Ermesinda, um pouco atrás dos outros, porque ele manqueja, agarrado a dois varapaus que, previdente, há anos cortou dum olmo para quando as pernas lhe começassem a faltar.
Digo-lhe que os varapaus me parecem grandes demais e desajeitados, talvez se remediasse melhor com duas bengalas.
Ele sorri, mas não zomba da minha ignorância de citadino. Com o pouco tamanho que deus lhe deu, como é que com uma bengala ia varejar figos? Ou as amêndoas, As Azeitonas?"
J. Rentes de Carvalho in Trás-os-Montes, o Nordeste, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Lisboa Maio de 2017, pág. 10

Ou a importância do saber de sempre que faz as coisas porque antevê as suas necessidades e não embarca nas modas da modernidade e afins. Além de ter uma maravilhosa carga poética.

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