quinta-feira, 25 de maio de 2017

Uma explicação tardia

Rolava o vento da libertação.
Há quem diga que é o suão.
Vento quente, louco e envolvente...
Temporário, como uma enfatuação
Impossível em si mesmo.

E nele se marchou o exército
Onde militaram todas as armas.
Se fizeram, até, motivação.
Chegando a tomar como pitonizas
Pequenos abutres transfeitos de pombas.

Sem o lastro do tempo,
Vagando no sabor da circunstância,
Imperiosa necessidade de confirmar
Mais que a circunstância
A impossibilidade de ser derrota.

O tempo, essa inevitabilidade,
Inimiga de todas as simulações
Corrige indelevelmente o passo.
E, fatalmente, vai surgindo o lado inverso,
Da dupla realidade unificada.

Quem pode contra o seu passado,
O seu passo confirmado e afirmado?
Apenas uma visão mitológica,
Um dragão que fustigue a história
E limpa toda a impressão passada.

E restará o tempo a vir.
Com os monstros sugeridos,
Bestas de tudo capazes,
Mas reduzidas a mitologia
Que sustém impossibilidades.

Fica, assim nesse mundo
Quem nele habita
E dele se faz vida.
A mitologia dá asas
A quem pode voar.

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