terça-feira, 30 de maio de 2017

Por uma dança

O tempo abriu, trouxe o Sol e a sua luz. A temperatura subiu. Ainda com calças até aos pés, preferiu calçar umas sandálias. Um vermelho forte, carnal mesmo, ponteavam os dedos. Pelo canto do olho ouvi o seu caminhar decidido. Tomei-lhe a mão e fi-la rodar e ficamos presos dedos nos dedos. Um ar risonho e surpreso rapidamente se tornou num olhar incomodado. Por uns fugazes instantes o sonho aconteceu.
Baixei a cabeça e sussurrei um desculpa com o olhar nos dedos dos pés dela que choravam por terem parado de se surpreender a dançar. Altiva, atirou o nariz para o ar e afastou-se ainda mais decidida. E acabei acusado de assédio.
Mas podia ser diferente, podiam os pés terem tomado conta e numa volta encostavam-se aos meus obrigando que as suas pernas se juntassem às minhas, os braços nos meus e com os troncos colados, os olhos ficavam sem capacidade de parar de seguirem-se. E juntos ambos dançávamos a mesma ilusão.

Nada tem que acontecer mesmo, basta que aconteça na nossa cabeça. E essa ideia valeu a dança que ficou por acontecer.

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