sábado, 27 de maio de 2017

Histórias de pequenos nadas

Um dia dei com uma mulher que não sabia bem como lidar com o seu presente. Caminhava cheia de incertezas, em terrenos mal definidos e, sobretudo amontoando equívocos, seja sobre si ou sobre o seu futuro e o seu passado.
Dei-lhe a ler, entre mais uns tantos, um excerto de uma história em que, também, se narrava um equívoco muito curioso seja pela potencial cómico, seja pelo lado cruel do engano.
Um dos terceiros que o leu, amiga, como se poderá deduzir, incapaz de entender os vários sentidos da história do autor já há muito falecido, consegue deturpar de tal modo que transforma o excerto numa injúria intencional para afrontar a sua amiga.
Alheio a tudo o que se passava nessa conversa, claramente de casa de banho, recebo, atónito, um inexplicável:
 - Fulano, vai para o cara###!
E, assim, de um engano mal interpretado, mal lido e tolamente descodificado, abre-se uma roptura, uma pequeno fosso. O orgulho entreteve-se a cavar fundo, inundando-o de outros tantos equívocos. Hoje dificilmente poderá haver pontes que o ultrapassem.

O mundo feminino tem estas pequenas nuances. Conseguem fazer de um nada um tudo carregado de impossibilidades quando a impossibilidade está nelas mesmas.

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