domingo, 30 de abril de 2017

Política

Não quero morrer assim,
Carregando fardos de ilusão
E outras tantas mentiras,
Que à força de se repetirem
Se tomam por verdades
Em motivos inconfessados
Para suprimir a confissão.
De toda a nossa pequenez,
De toda a nossa miséria,
De toda a nossa dor,
De todo o nosso nada.

Sou pó...
Passageiro...
Um ligeira corrente de ar
Que passará,
Tal como já passou
Onde havia que passar.

Não há homem novo,
Revolução,
Liberdades,
Democracia
E outras fantasias.

Há somente uma Verdade.
Se esta acontecer
Dentro de cada um,
Nenhum palavra é necessária,
Nenhum grito de guerra,
Nenhuma punho cerrado.
Apenas reconhecer
Que nessa Verdade apenas
O sentido tem sentido.

Tudo o mais é voltar
Às mentiras e ilusões,
Que se repetem,
Insanamente
Para se pretenderem
Acima da poeira
Onde, infalivelmente,
Se juntarão
No devir de todos os tempos.

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