domingo, 2 de abril de 2017

Jogo invertido

Durante um período de tempo um personagem insistiu com alguma habilidade ser evidentemente distante e utilizou a comunicação do modo mais restrito possível. E fê-lo com a sua natural graciosidade e bonomia. Havia uma desculpa algures no fundo da irrealidade que se cingia a esta frase:
- E hoje estou muito melhor, nem queiras saber como já fui.
Resumindo em pequenos trocados uma mão cheia de argumentos, era, para o dito personagem, aceitável, normal e até funcional que numa normal relação entre dois seres humanos ser, por aquilo que definia como a sua natureza, desagradável, desafável e antipática. havia decidido ser assim e estava o caso encerrado.
O tempo passa e com alguma tropelias pelo caminho instala-se de parte a parte o clima desagradável, desafável, antipático, de comunicação restrita e, claro, a distancia tão bem cultivada.
E, chegados a este ponto, o personagem incapaz de lidar com o retorno da sua própria atitude, evolui o despropósito para uma quase zona de conflito. Assunto capaz de fazer as aberturas dos canais televisivos, não fosse o assunto em si ser uma evidente chachada.
Sun Tzu dizia que a melhor batalha era aquela que nunca se trava. Sim, o personagem em cause não conhece Sun Tzu nem a arte da guerra. Apenas conhece parte das suas inseguranças, pouco da sua intolerância, quase nada do mundo.
Há, também, uma outra máxima que diz o seguinte: Acção gera acção e reacção gera reacção. Ou seja se fores amável, recolhes amabilidade, mas se fores desagradável não esperes que o mundo te retorne com flores e sorrisos. Não. Se fores desagradável o mundo não está para te aturar.
E, a cereja em cima do bolo, a questão do espelho. A imagem que o espelho nunca é a realidade, é, apenas, o retorno invertido. Se te queres ver, tens que te colocar no outro lado, dentro do espelho.
Alguns anos de psicanálise e auto-análise hão-de ter servido para entender alguma coisa.
Tema que terá mais desenvolvimentos.

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