domingo, 30 de abril de 2017

Política

Não quero morrer assim,
Carregando fardos de ilusão
E outras tantas mentiras,
Que à força de se repetirem
Se tomam por verdades
Em motivos inconfessados
Para suprimir a confissão.
De toda a nossa pequenez,
De toda a nossa miséria,
De toda a nossa dor,
De todo o nosso nada.

Sou pó...
Passageiro...
Um ligeira corrente de ar
Que passará,
Tal como já passou
Onde havia que passar.

Não há homem novo,
Revolução,
Liberdades,
Democracia
E outras fantasias.

Há somente uma Verdade.
Se esta acontecer
Dentro de cada um,
Nenhum palavra é necessária,
Nenhum grito de guerra,
Nenhuma punho cerrado.
Apenas reconhecer
Que nessa Verdade apenas
O sentido tem sentido.

Tudo o mais é voltar
Às mentiras e ilusões,
Que se repetem,
Insanamente
Para se pretenderem
Acima da poeira
Onde, infalivelmente,
Se juntarão
No devir de todos os tempos.

Última manhã de Abril

Acordo cedo nesta última manhã de Abril com o barulho das gotas mais cheias a tombar sobre a caixa da persiana. O ditado confirma-se e e chovem águas mil. Levanto-me do morno da cama e, num andar silencioso, vou repetir os hábitos de sempre ao acordar. Vou sentindo, aos poucos os pés a arrefecerem e a pedirem de volta as pantufas quentes que já quase se tinham arrumado, bem escondidas debaixo da cama. E nas restantes voltas matinais, não são só os pés que arrefecem. O cinzento do céu confirma a sentença de voltar para a cama. Só para me aquecer um pouco...
Dormes ainda.
Como nos aqueceríamos se não dormisses. Ao menos mantém quente o teu corpo.

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril

Todos os anos, já lá vão 43!,
Tudo se repete como se fosse uma cerimónia religiosa.
Nada se acrescenta,
Nada evolui,
Nada cresce,
Nada se desenvolve.
Repetem-se
Sonolentamente e,
Democraticamente...

Tudo, muito organisadinho,
Segue o mesmo rotineiro protocolo
Afim de nos fazer crer
Que ainda existe alguma coisa
Que tem sentido comemorar nos dias que correm.
Se alguém não estiver
Dentro da nomenclatura
Não edita,
Não grava,
Não publica,
Não se promove.
Se a opinião não se enquadrar nos paradigmas
Não se comenta,
Não se rebate,
Não se esclarece,
Apenas se ignora...
Se o olhar não estiver dentro do mesmo foco não se vê...

Se a ideia, o pensamento,
Não estiver dentro dos cânones,
Não se fala,
Não se discute,
Não se tolera.

É a democracia em 2017.

Ou seja, a ditadura do cravo vermelho
A que oprime,
Que segrega,
Que expulsa,
Que exclui,
Que faz bulling,
Que detesta,
Que embirra,
Que proíbe,
Que odeia,
Que esmaga,
Que despreza,
Que diferencia,
Que violenta,

Todo o que disser:
Para mim NÃO!

Não à ditadura da "esquerda livre".

segunda-feira, 24 de abril de 2017

consequências

Exausto e com o corpo moído... ainda assim a cabeça não me deixa em paz. É que o que me cansou não me trouxe paz. Nem o dever cumprido.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Impulso e mais

Como se pode querer
Assim como não se quer?
Amar e desejar
Ter até vontade de ter
E possuir também....

E reconhecer a força,
A inevitabilidade do não,
Do seu contrário,
Da justa impossibilidade,
Da simples negação...

É aquele animal profundo
Que reside em mim
Que diz sim para uma satisfação
E nega após maturação
Em respiração acelerada.
No constante desatino
De poder, uma vez,
Seduzir-se a esse querer.

Declaração de amor

Estendo-te as minhas palavras
Como uma toalha de praia
E nelas espero que te deites
Para que sintas o Sol
O mar e o meu sal.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ao tempo

Esperei o fim do tempo
A eternidade em si mesma.
Tudo o que nela cabia
E o que, ainda assim,
Lhe era admissível.
Esperei esse tempo
Todo o tempo
E nesse ínfimo instante
Nessa espera imensa
Cheguei desastradamente atrasado…


Como chegar atrasado ao tempo?

Aforismo

O caminho de retorno, reconhecendo o passado, reflecte a sua sabedoria no presente.

Mais um trabalho em andamento.



Ainda um longo caminho a fazer

terça-feira, 18 de abril de 2017

Ser isto que sou

Tenho a alma viciada
Em tormentos mil
E todos se resumem
A um só
O de ser
Isto que sou.

Ideias e projectos


Ando às voltas com uma ideia e antes de a realizar vou fazendo testes de exequibilidade.
Aqui está um desenho a carvão que foi dada cor por aguarela. O desenho final será numa tela, no mínimo, 40 por 40.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alegoriazinha

Agarrava na certeza
Como se fosse um pedaço de mel
E, ao vê-la escorrer,
Mão abaixo,
Sujando tudo,
Melando tudo,
Ficaria triste,
E desolado até,
Pois não era assim,
Doce,
Saborosa...
Era chata,
Incómoda,
Que sujava...

Calhando não era certeza,
Apenas mel...
Adoçando bocas tolas
Que não conseguem sentir
O infinito paladar da palavra
Em sentido puro,
Limpo,
E a tentar ser
Nada mais que uma palavra
Que É.

Eu, agora e sempre

Primeiro a sugestão
Depois, a medo, o sussurro
Não tarda a confirmação
E zás, está feita a condenação.

Deixo de ser eu
Passo a ser esse outro
Um qualquer vulgar
Que, a alguns, tanto interessa.

E, extraordinário,
Não importa o que passo a ser,
Mas o que tantos escondem
Para eu ser isso que passei a ser.

A um tempo,
Seja ele qual for,
Voltarei a ser
O que sempre fui.

E nesse tempo,
Qual embrulho da garganta
Estarei por aí às voltas,
De quem não soube se engolir.

Praia Grande


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Esqueci-me de ser outro

Esqueci-me de ser outro
E, sobretudo,
Porque ando sempre
Atrás do mesmo.
Não uma mania,
Um finca pé,
Ou insistência de mau génio.

Apenas desejo,
Penso e anseio
O que faça sentido,
Que integre tudo
Em resultado lógico,
Consequente
E deduzido de princípios.

E sei, sempre soube
O que disso vier
É o mais certo que há para haver
Pelo que, e como ser pensante
Apenas isso posso desejar.
Fora disso era ser outro
O que, desde sempre,
Me esqueci de ser.

Poema

2 dias em absoluta concentração
Numa tarefa prioritária.

Volto, cansado,
Espremido de esforço
De trabalho feito
De objectivos e
Outras demandas.

A porra do mundo
Continua na mesma.

Tivesse o mundo
Uma tarefa assim,
Daquelas que nos obrigam
MORALMENTE
e.... Ah..........

Pedra de toque!
O meu amanhã e só meu
Dele apenas me responsabilizo


quinta-feira, 6 de abril de 2017

O pântano do escorpião

No outro dia, ao passar por um lugar qualquer, tanto pode ter sido a feira da ladra, como um alfarrabista, uma livraria ou até um simples caixote do lixo, pousei os olhos num livro cujo título era "O pântano do escorpião". O livro tinha aspecto de ser literatura de cordel e o que captou a minha atenção foi o título e não tive o mais pequeno interesse no seu conteúdo.
Antes de mais tenho ideia que o escorpião é um animal de terras quentes e não húmidas, aliás como todos os aracnídeos não são animais de ambientes aquíferos, mas a ideia associada a um pântano, habitat de águas paradas, pouco profundas e atreito a desenvolver vários tipo de animais e restos de folhas em decomposição, já me interessou mais. O pântano ajuda a matar, a apodrecer. Colocar, então, um local com estas características como habitat do escorpião torna a ideia ainda mais interessante. Assunto a revisitar.

domingo, 2 de abril de 2017

Jogo invertido

Durante um período de tempo um personagem insistiu com alguma habilidade ser evidentemente distante e utilizou a comunicação do modo mais restrito possível. E fê-lo com a sua natural graciosidade e bonomia. Havia uma desculpa algures no fundo da irrealidade que se cingia a esta frase:
- E hoje estou muito melhor, nem queiras saber como já fui.
Resumindo em pequenos trocados uma mão cheia de argumentos, era, para o dito personagem, aceitável, normal e até funcional que numa normal relação entre dois seres humanos ser, por aquilo que definia como a sua natureza, desagradável, desafável e antipática. havia decidido ser assim e estava o caso encerrado.
O tempo passa e com alguma tropelias pelo caminho instala-se de parte a parte o clima desagradável, desafável, antipático, de comunicação restrita e, claro, a distancia tão bem cultivada.
E, chegados a este ponto, o personagem incapaz de lidar com o retorno da sua própria atitude, evolui o despropósito para uma quase zona de conflito. Assunto capaz de fazer as aberturas dos canais televisivos, não fosse o assunto em si ser uma evidente chachada.
Sun Tzu dizia que a melhor batalha era aquela que nunca se trava. Sim, o personagem em cause não conhece Sun Tzu nem a arte da guerra. Apenas conhece parte das suas inseguranças, pouco da sua intolerância, quase nada do mundo.
Há, também, uma outra máxima que diz o seguinte: Acção gera acção e reacção gera reacção. Ou seja se fores amável, recolhes amabilidade, mas se fores desagradável não esperes que o mundo te retorne com flores e sorrisos. Não. Se fores desagradável o mundo não está para te aturar.
E, a cereja em cima do bolo, a questão do espelho. A imagem que o espelho nunca é a realidade, é, apenas, o retorno invertido. Se te queres ver, tens que te colocar no outro lado, dentro do espelho.
Alguns anos de psicanálise e auto-análise hão-de ter servido para entender alguma coisa.
Tema que terá mais desenvolvimentos.