domingo, 12 de março de 2017

Poema

E cheguei depois.
Depois de ti,
Liberdade.
Anunciada e, até,
Amplamente comemorada.

É verdade
Cheguei agora,
Onde isso é, apenas,
Palavra gasta em discurso oco.

Vi o meu irmão
Companheiro,
Como se diz?
De caminhada,
Esmagado no seu ser,
Espremido por um indigente,
Por quem não queria
Mais que a sua promoção
O seu prémio,
E a sua sustentação...
Mas não vi
A tal da liberdade,
A coisa da igualdade....

Acompanhei o descrédito
E a instalação da impossibilidade...
Dos que não são,
Não foram para ser,
Não sabem o que são
Não conhecem o que é vir a ser
E vivem a circunstacialidade
De viver para receber.

Incrédulo,
Tentei recolher
A um impossível não ser,
A um inquisitante não que não confere
A circunstância do amanhã...

E, desesperado, verifico
Que o que se instala
É a imoralidade intrínseca
De quem nunca fez
A mais pequena ideia
Do que é
SER

Sobretudo quando ser
É aquilo que se é.

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