"Génesis
e no princípio
era o silêncio
e Deus
criou o verbo
e aprisionou para sempre
o solêncio dentro do homem."
Ozías Filho in Páginas Despidas, Ardózia, Lisboa 2005, pág 13
A liberdade da escrita e, também da poesia, permite dar outros sentidos às palavras e com elas, depois,montar a forma que nos leva a caminhos de meditação e reflexão. E, nesse sentido, este poema tem um carga poética interessante, pois que, inevitavelmente, é do silêncio aprisionado em nós que nasce a reflexão, a meditação que nos leva a tudo, nomeadamente à poesia. E nesse sentido apreciei muito este poema.
Numa dimensão filosófica fico aquém, pois que "No princípio era o verbo" não significa o verbo, a palavra, mas sim o espírito com sentido, o Ser, a inteligência onde tudo cabe e de onde tudo retira o sentido. Ora, assim sendo, e tendo esta descodificação da frase bíblica nunca o silêncio se pode sobrepor a Deus, pois que o silêncio é, a bom rigor, uma ausência de som e, portanto, tem que pre-existir o som para que este deixe de existir ou estar presente.
Sem filosofia e com poesia, insisto que gostei do poema.
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