domingo, 8 de janeiro de 2017

Aos irrelevantes

Parte,
alguma,
irrelevante saber quanto,
parte apenas,
chora lágrimas de crocodilo
de quem já não suportavam
e que se demorava a morrer.

Cansados da espera,
auspiciam um futuro impossível
feito, é claro, a essa imagem.
Um profundo egoísta,
inenarravelmente egocêntrico,
basicamente anárquico de si mesmo.

Querem levantar a bandeira.
Jamais a dele,
um imenso maçador,
incontrolável rebelde,
até de si mesmo,
sei regra alguma
que possa ser tida
como Lei.

Choram o dia,
um dia,
um momento,
uma raiva calada
contra um pior Salazar
uma esquerda radical,
tenebrosa.

Ninguém tomou o pulso ao tempo
Que passou
e o desacreditou
o anulou
o desfez
o desmistificou
o irrelevantou.

E choram,
quais crocodilos,
uma lágrima ideal
que, nunca foi dele,
por ele
ou, sequer,
por causa dele,

Apenas uma lágrima
por cada um
e pela ambição
de poderem ser
tão egoístas
quanto ele foi.

Adeus.
A Saudade não tem a tua silhueta.

1 comentário:

Albert Virella disse...

Só para dar testemunho que li este seu sentido epitáfio. Mas admito que seja inócuo, como quase tudo neste jardim.