sábado, 27 de maio de 2017

Histórias de pequenos nadas

Um dia dei com uma mulher que não sabia bem como lidar com o seu presente. Caminhava cheia de incertezas, em terrenos mal definidos e, sobretudo amontoando equívocos, seja sobre si ou sobre o seu futuro e o seu passado.
Dei-lhe a ler, entre mais uns tantos, um excerto de uma história em que, também, se narrava um equívoco muito curioso seja pela potencial cómico, seja pelo lado cruel do engano.
Um dos terceiros que o leu, amiga, como se poderá deduzir, incapaz de entender os vários sentidos da história do autor já há muito falecido, consegue deturpar de tal modo que transforma o excerto numa injúria intencional para afrontar a sua amiga.
Alheio a tudo o que se passava nessa conversa, claramente de casa de banho, recebo, atónito, um inexplicável:
 - Fulano, vai para o cara###!
E, assim, de um engano mal interpretado, mal lido e tolamente descodificado, abre-se uma roptura, uma pequeno fosso. O orgulho entreteve-se a cavar fundo, inundando-o de outros tantos equívocos. Hoje dificilmente poderá haver pontes que o ultrapassem.

O mundo feminino tem estas pequenas nuances. Conseguem fazer de um nada um tudo carregado de impossibilidades quando a impossibilidade está nelas mesmas.

Mini curta

No quarto casamento de um amigo
 - A verdade é que a ambição de um homem é sempre chegar ao quarto.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Uma explicação tardia

Rolava o vento da libertação.
Há quem diga que é o suão.
Vento quente, louco e envolvente...
Temporário, como uma enfatuação
Impossível em si mesmo.

E nele se marchou o exército
Onde militaram todas as armas.
Se fizeram, até, motivação.
Chegando a tomar como pitonizas
Pequenos abutres transfeitos de pombas.

Sem o lastro do tempo,
Vagando no sabor da circunstância,
Imperiosa necessidade de confirmar
Mais que a circunstância
A impossibilidade de ser derrota.

O tempo, essa inevitabilidade,
Inimiga de todas as simulações
Corrige indelevelmente o passo.
E, fatalmente, vai surgindo o lado inverso,
Da dupla realidade unificada.

Quem pode contra o seu passado,
O seu passo confirmado e afirmado?
Apenas uma visão mitológica,
Um dragão que fustigue a história
E limpa toda a impressão passada.

E restará o tempo a vir.
Com os monstros sugeridos,
Bestas de tudo capazes,
Mas reduzidas a mitologia
Que sustém impossibilidades.

Fica, assim nesse mundo
Quem nele habita
E dele se faz vida.
A mitologia dá asas
A quem pode voar.

Estar

Estou a fugir
Pensas tu
De ti...
Do mundo
Das coisas
De tudo...

Apenas fujo para mim
Para completar
O inexplicável
Alfa até Ómega.

Se sares de ti
Conseguirás chegar
Onde tens de começar
Onde todos estamos

A serenidade da demanda.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O progresso

Eles correm,
Quase se atropelam
Ao fundo, o destino
Descrito em letras
E N O R M E S
Para que não se percam
Nem a meta.
E correm
Sem olhar para trás
Numa luta contra o tempo
Correm mais,
Sempre mais
Gloriosos de cada pedaço
Cada pequena passada
Ou largo passo
Mas, e sempre descontentes
Por ser pouco
Quase nada
E correm
Correm sempre
Não há tempo para parar,
Para respirar
Para confirmar
É preciso mais
E correm,
Correm tudo
E sobre tudo
Querem chegar primeiro
Estar à frente
Na primeira linha
E correm
A meta é só uma

O progresso.

O que quer que isso seja

De uma discussão

De frase fácil, rápida e tantas vezes irreflectida acabou por ser presa de si mesmo. Sempre tão fácil de ser apanhado nas voltas das desinterpretações da comunicação até que começou a aprender a calar. E foi, aos poucos, deixando de falar.
Começava a discussão e passou a sair do corpo que esta na discussão e, alheado das respostas, passou a ouvir mais e a mastigar não a discussão, o que se discutia, mas porque é que se discutia. O que gerara a discussão e o que ela visava.
Sem surpresa, entende que a discussão não visava debater qualquer tema, mas sobrepor uma forma de estar, impor um modelo, forçar uma opção. Não importava a argumentação, nem sequer as palavras. Nada, a bom rigor importava. Apenas um ego.
Calou mais.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

E a conculsão

Estava a escrever uma história de amor e, num momento em que ele se emociona com a ideia peuril de uma conquista, ela, com a mesma intensidade, lastima-o.

Já não há história pois não há amor, nem afecto, nem inclinação. Apenas tempos comuns.

Devaneio

E ela sai... E leva consigo, naturalmente, as suas exuberantes mamas.....

Há lá coisa mais ficcionável que o peito generoso de uma mulher que o exiba com orgulho e alguma generosidade? Qualquer homem faz logo, não um mas vários filmes e todos tão rápidos e fugazes que desaparecem no segundo seguinte. Fica apenas um sorriso na alma.

sábado, 13 de maio de 2017

Tempos tempo

Retornam, agora, aos 3 F's de Salazar. A Fé, a Alma e os costumes colectivos. Andou, a esquerda, como em tantas outras fantasias, a vender uma mentira para construir uma ilusão fantástica de Salazar e do Estado Novo. Hoje, curiosamente, é a população, o povo, os trabalhadores que se revêm nos ditos 3 F's de Salazar. No fundo, sempre foram os seus. A mentira, como diz o ditado, tem uma perna curta. Falta desmascarar as restantes. Temos tempo. A Verdade pode tardar, mas não falha.

Nada

Perdi as letras
As mãos e os sentidos
Desliguei-me por dentro
Fiquei aos pedaços.

Havia um todo
Uma continuidade imaterial
Que ligava o que era importante
Fiquei, apenas, desligado.

O tempo passou a cortes
Acontecimentos apenas
Coisas desligadas
Portanto, sem sentido.

O espaço ficaram lugares
Ilhas que se visitam
Entre mares vazios
Onde nada existe.

Perdi-me, algures,
Numa qualquer caminhada
Que, fatalmente,
Me trouxe a este nada.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O corpo feminino


É sempre um encanto.

Um retrato


O rosto humano é sempre um desassossego. E, com variações no mesmo tom também não ajuda. Ainda assim menos mal.

Testes de relevo


Aplicando claros e escuros para dar a ideia de relevo. Apesar do pouco rigor na aplicação da cor, de modo a obter uma graduação sucessiva da suposta tonalidade da parede, o contraste claro/escuro permite supor uma morfologia.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Aguarela


Desenho a partir de uma foto no computador. Não foi utilizado lápis. No joelho, o traço foi um descuido que, por ser aguarela e a preto é extretamente difícil de corrigir.

terça-feira, 9 de maio de 2017

De uma amiga



E se o céu fosse amarelo


Mais um esboço/estudo


Equilibrado. Objectivo cumprido.

Testando um pincel


Feito com um pincel largo comprado no museu Grão Vasco. Fiquei surpreendido com a leveza das cerdas.

E o meu imaginário segue sempre para o Oeste e as suas encostas junto ao mar.

Tipo frases do Facebook


Para gostos diversos.

Obviamente que feito no PC era mais limpo, mais homogéneo, mas a mão, sobretudo a minha, é sempre o que é.

Tentado conceptrualizar



As cores representam algo, mas não consegui o que queria. Ficam uns registos interessantes nos castanhos. A mancha vermelha expandiu-se de modo curioso e, novamente o castanho entrou no azul com harmonia e alguma estática.

Uma experiência grosseira de fé.


Uma experiência grosseira de fé.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A herança é um karma

Quem sai aos seus é uma frase cruel, contudo carregada de verdade. Mas aquele que repete os erros grosseiros dos seus sem crítica, sem razoabilidade, sem reconhecer o que faz, torna-se duplamente mais errado. Conhece e reconhece o erro, mas insiste.

Falta apenas quebrar o escadote do orgulho para se reconhecer.

sábado, 6 de maio de 2017

Para o sempre do costume

Fui ao fim da rua
Para te saudar
E, também, te rever...
Fui, acreditando,
Não tanto em ti,
Menos ainda na tua vontade,
Mas naquilo que, talvez,
Se quisesses mesmo
Poderia ser.

E fui, na mesma...
Insisti, como sempre,
Como o voltarei a fazer.
Fui e volto a ir
Ao fim da rua
A fim de todas as ruas
E, sei, que nunca,
Nunca te irei ver
Menos ainda,
Te rever.

Um dia,
Seja ele qual for,
Em que momento acontecer
Onde quer que seja
As ruas serão as mesmas.
Quem sabe se lá,
Nesse algo,
Nesse tudo, dizem,
Nos encontremos.

E chegaram as tangerinas



em caminho



Primeiro borrão




quarta-feira, 3 de maio de 2017

O efeito do elogio

Cedo na minha vida descobri que das piores coisas que se pode fazer é elogiar uma pessoa menos dotada intelectualmente. É que, irremediavelmente, abrem uma caixa de Pandora assustadora. E esta é uma das razões que suspeito sempre do que digo depois de me elogiarem.

O passado

O tempo é como um cilindro que vai comprimindo tudo de modo a que apenas se fique com um fina ideia do que se passou. E por ser assim fina, cada um vê no passado o que quer ver. Se esse passado for colectivo o diagrama de tons expande-se inimaginavelmente. Chega mesmo a tons que incapazes de serem vistos pelo olho humano.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Desmontando

Ao desmontar uma casa
Desmonto-me também...
São mil peças,
Mil coisas,
Mil pedaços
E tantos outros sonhos
E possibilidades...

Presos, agora,
A cem metros quadrados amontoados
Que perdem todo o sentido.
Passam a ser aquilo que são
Coisas empilhadas
Sem o sonho que tinham
A poder vir a ser.

Nunca chegamos a ser
Todas essas intenções
Mas fomos essa vontade
De ser, sonhar e fazer
Um pedaço de céu.

E, aos poucos, eu sei,
A voracidade do tempo
Sarará esta separação
Esta ausência
E encherá outro espaço
Que será mais um afecto
Que fica no caminho.

Quase carvão


desenhando


desenhando


domingo, 30 de abril de 2017

Aguarela


Lisboa com Tejo. Feira da Ladra, 2017

Aguarela


Árvore

Política

Não quero morrer assim,
Carregando fardos de ilusão
E outras tantas mentiras,
Que à força de se repetirem
Se tomam por verdades
Em motivos inconfessados
Para suprimir a confissão.
De toda a nossa pequenez,
De toda a nossa miséria,
De toda a nossa dor,
De todo o nosso nada.

Sou pó...
Passageiro...
Um ligeira corrente de ar
Que passará,
Tal como já passou
Onde havia que passar.

Não há homem novo,
Revolução,
Liberdades,
Democracia
E outras fantasias.

Há somente uma Verdade.
Se esta acontecer
Dentro de cada um,
Nenhum palavra é necessária,
Nenhum grito de guerra,
Nenhuma punho cerrado.
Apenas reconhecer
Que nessa Verdade apenas
O sentido tem sentido.

Tudo o mais é voltar
Às mentiras e ilusões,
Que se repetem,
Insanamente
Para se pretenderem
Acima da poeira
Onde, infalivelmente,
Se juntarão
No devir de todos os tempos.

Última manhã de Abril

Acordo cedo nesta última manhã de Abril com o barulho das gotas mais cheias a tombar sobre a caixa da persiana. O ditado confirma-se e e chovem águas mil. Levanto-me do morno da cama e, num andar silencioso, vou repetir os hábitos de sempre ao acordar. Vou sentindo, aos poucos os pés a arrefecerem e a pedirem de volta as pantufas quentes que já quase se tinham arrumado, bem escondidas debaixo da cama. E nas restantes voltas matinais, não são só os pés que arrefecem. O cinzento do céu confirma a sentença de voltar para a cama. Só para me aquecer um pouco...
Dormes ainda.
Como nos aqueceríamos se não dormisses. Ao menos mantém quente o teu corpo.

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril

Todos os anos, já lá vão 43!,
Tudo se repete como se fosse uma cerimónia religiosa.
Nada se acrescenta,
Nada evolui,
Nada cresce,
Nada se desenvolve.
Repetem-se
Sonolentamente e,
Democraticamente...

Tudo, muito organisadinho,
Segue o mesmo rotineiro protocolo
Afim de nos fazer crer
Que ainda existe alguma coisa
Que tem sentido comemorar nos dias que correm.
Se alguém não estiver
Dentro da nomenclatura
Não edita,
Não grava,
Não publica,
Não se promove.
Se a opinião não se enquadrar nos paradigmas
Não se comenta,
Não se rebate,
Não se esclarece,
Apenas se ignora...
Se o olhar não estiver dentro do mesmo foco não se vê...

Se a ideia, o pensamento,
Não estiver dentro dos cânones,
Não se fala,
Não se discute,
Não se tolera.

É a democracia em 2017.

Ou seja, a ditadura do cravo vermelho
A que oprime,
Que segrega,
Que expulsa,
Que exclui,
Que faz bulling,
Que detesta,
Que embirra,
Que proíbe,
Que odeia,
Que esmaga,
Que despreza,
Que diferencia,
Que violenta,

Todo o que disser:
Para mim NÃO!

Não à ditadura da "esquerda livre".

segunda-feira, 24 de abril de 2017

consequências

Exausto e com o corpo moído... ainda assim a cabeça não me deixa em paz. É que o que me cansou não me trouxe paz. Nem o dever cumprido.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Impulso e mais

Como se pode querer
Assim como não se quer?
Amar e desejar
Ter até vontade de ter
E possuir também....

E reconhecer a força,
A inevitabilidade do não,
Do seu contrário,
Da justa impossibilidade,
Da simples negação...

É aquele animal profundo
Que reside em mim
Que diz sim para uma satisfação
E nega após maturação
Em respiração acelerada.
No constante desatino
De poder, uma vez,
Seduzir-se a esse querer.

Declaração de amor

Estendo-te as minhas palavras
Como uma toalha de praia
E nelas espero que te deites
Para que sintas o Sol
O mar e o meu sal.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ao tempo

Esperei o fim do tempo
A eternidade em si mesma.
Tudo o que nela cabia
E o que, ainda assim,
Lhe era admissível.
Esperei esse tempo
Todo o tempo
E nesse ínfimo instante
Nessa espera imensa
Cheguei desastradamente atrasado…


Como chegar atrasado ao tempo?

Aforismo

O caminho de retorno, reconhecendo o passado, reflecte a sua sabedoria no presente.

Mais um trabalho em andamento.



Ainda um longo caminho a fazer

terça-feira, 18 de abril de 2017

Ser isto que sou

Tenho a alma viciada
Em tormentos mil
E todos se resumem
A um só
O de ser
Isto que sou.

Ideias e projectos


Ando às voltas com uma ideia e antes de a realizar vou fazendo testes de exequibilidade.
Aqui está um desenho a carvão que foi dada cor por aguarela. O desenho final será numa tela, no mínimo, 40 por 40.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alegoriazinha

Agarrava na certeza
Como se fosse um pedaço de mel
E, ao vê-la escorrer,
Mão abaixo,
Sujando tudo,
Melando tudo,
Ficaria triste,
E desolado até,
Pois não era assim,
Doce,
Saborosa...
Era chata,
Incómoda,
Que sujava...

Calhando não era certeza,
Apenas mel...
Adoçando bocas tolas
Que não conseguem sentir
O infinito paladar da palavra
Em sentido puro,
Limpo,
E a tentar ser
Nada mais que uma palavra
Que É.

Eu, agora e sempre

Primeiro a sugestão
Depois, a medo, o sussurro
Não tarda a confirmação
E zás, está feita a condenação.

Deixo de ser eu
Passo a ser esse outro
Um qualquer vulgar
Que, a alguns, tanto interessa.

E, extraordinário,
Não importa o que passo a ser,
Mas o que tantos escondem
Para eu ser isso que passei a ser.

A um tempo,
Seja ele qual for,
Voltarei a ser
O que sempre fui.

E nesse tempo,
Qual embrulho da garganta
Estarei por aí às voltas,
De quem não soube se engolir.

Praia Grande


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Esqueci-me de ser outro

Esqueci-me de ser outro
E, sobretudo,
Porque ando sempre
Atrás do mesmo.
Não uma mania,
Um finca pé,
Ou insistência de mau génio.

Apenas desejo,
Penso e anseio
O que faça sentido,
Que integre tudo
Em resultado lógico,
Consequente
E deduzido de princípios.

E sei, sempre soube
O que disso vier
É o mais certo que há para haver
Pelo que, e como ser pensante
Apenas isso posso desejar.
Fora disso era ser outro
O que, desde sempre,
Me esqueci de ser.

Poema

2 dias em absoluta concentração
Numa tarefa prioritária.

Volto, cansado,
Espremido de esforço
De trabalho feito
De objectivos e
Outras demandas.

A porra do mundo
Continua na mesma.

Tivesse o mundo
Uma tarefa assim,
Daquelas que nos obrigam
MORALMENTE
e.... Ah..........

Pedra de toque!
O meu amanhã e só meu
Dele apenas me responsabilizo


quinta-feira, 6 de abril de 2017

O pântano do escorpião

No outro dia, ao passar por um lugar qualquer, tanto pode ter sido a feira da ladra, como um alfarrabista, uma livraria ou até um simples caixote do lixo, pousei os olhos num livro cujo título era "O pântano do escorpião". O livro tinha aspecto de ser literatura de cordel e o que captou a minha atenção foi o título e não tive o mais pequeno interesse no seu conteúdo.
Antes de mais tenho ideia que o escorpião é um animal de terras quentes e não húmidas, aliás como todos os aracnídeos não são animais de ambientes aquíferos, mas a ideia associada a um pântano, habitat de águas paradas, pouco profundas e atreito a desenvolver vários tipo de animais e restos de folhas em decomposição, já me interessou mais. O pântano ajuda a matar, a apodrecer. Colocar, então, um local com estas características como habitat do escorpião torna a ideia ainda mais interessante. Assunto a revisitar.

domingo, 2 de abril de 2017

Jogo invertido

Durante um período de tempo um personagem insistiu com alguma habilidade ser evidentemente distante e utilizou a comunicação do modo mais restrito possível. E fê-lo com a sua natural graciosidade e bonomia. Havia uma desculpa algures no fundo da irrealidade que se cingia a esta frase:
- E hoje estou muito melhor, nem queiras saber como já fui.
Resumindo em pequenos trocados uma mão cheia de argumentos, era, para o dito personagem, aceitável, normal e até funcional que numa normal relação entre dois seres humanos ser, por aquilo que definia como a sua natureza, desagradável, desafável e antipática. havia decidido ser assim e estava o caso encerrado.
O tempo passa e com alguma tropelias pelo caminho instala-se de parte a parte o clima desagradável, desafável, antipático, de comunicação restrita e, claro, a distancia tão bem cultivada.
E, chegados a este ponto, o personagem incapaz de lidar com o retorno da sua própria atitude, evolui o despropósito para uma quase zona de conflito. Assunto capaz de fazer as aberturas dos canais televisivos, não fosse o assunto em si ser uma evidente chachada.
Sun Tzu dizia que a melhor batalha era aquela que nunca se trava. Sim, o personagem em cause não conhece Sun Tzu nem a arte da guerra. Apenas conhece parte das suas inseguranças, pouco da sua intolerância, quase nada do mundo.
Há, também, uma outra máxima que diz o seguinte: Acção gera acção e reacção gera reacção. Ou seja se fores amável, recolhes amabilidade, mas se fores desagradável não esperes que o mundo te retorne com flores e sorrisos. Não. Se fores desagradável o mundo não está para te aturar.
E, a cereja em cima do bolo, a questão do espelho. A imagem que o espelho nunca é a realidade, é, apenas, o retorno invertido. Se te queres ver, tens que te colocar no outro lado, dentro do espelho.
Alguns anos de psicanálise e auto-análise hão-de ter servido para entender alguma coisa.
Tema que terá mais desenvolvimentos.

sexta-feira, 31 de março de 2017

poema

E aquele grito silencioso
Que apaga todos os sons
Que se propagam como se fossem
Moscas

Lendo 225

"Que peso tem agora a dor nessa balança
cujo fiel nem tu consegues
acertar?"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 52

Quantas vezes a sensação que se sofre está tão além da ideia de como se pode recuperar um pouco de harmonia....

Lendo 224

"Ela tem os peitos caídos, distantes já do coração(...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 45

Será que com o andar do tempo, à medida que os peitos vão descaíndo estes se vão afastando do coração? Não consigo concordar.

e segue
"As belas anoréxicas também
dispensam os seios,
os acessórios do sexo, (...)"

Não consigo entender o dispensar, por opção, destes acessórios do sexo. Entendo que, se por natureza ou por doença, os seios, peitos, mamas ou qualquer outra designação, são matéria inexistente, então se possa prescindir. Ao contrário, pela visão masculina, não entendo.
Se a abordagem é feita no feminino, apelas por suposição posso pensar e, portanto, não tem valor. Assim, serve para caracterizar algumas mulheres que se abandonam a uma qualquer opção que lhes excluirá essa parte do corpo e do mundo sexual. Reforça traços de personagem.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O grupo

No intervalo mais longo da manhã reunia-se sempre um grupo de alunos que era muito fechado e pouco dado a reagir com a restante população no recreio. Ficavam num canto, sempre o mesmo canto e, de certo modo, nas mesmos lugares de sempre. Falavam e divertiam-se para dentro desse grupo e com muito dificuldade era permitida a entrada ou participação de qualquer outra pessoa.
Era um clube quase exclusivamente feminino, pois que apenas um rapaz era autorizado. Diga-se, também que, apesar de ser um rapaz com buço e borbulhas, imaginando que a puberdade também se diversificaria pelo restante corpo, não apresentava outras características masculinas. A voz tardava a ganhar um tom baixo, mantendo-se a raiar o falsete, e, por norma, as mãos tombavam-lhe pelos pulsos como se fossem um peso morto que por ali ficava. Andava com elas, conversava com elas, partilhava dos seus segredos, enfim, era uma delas como, por natureza própria dos outros rapazes desse universo escolar, o diziam por chacota inconsequente. Era o irrelevante.
Não podíamos dizer que o grupo fosse homogéneo que não o era. Era até irregular, com entradas e saídas em função do jogo de afectos que a adolescência joga com superior mestria e amplo desconhecimento. Era assim porque sim e nada havia que justificar, ainda que, essa fase da vida provocasse conversas infindas sobre todos os temas, mas, e por regra, nunca o do afecto. Não havia tempo para discutir afecto, apenas, e só, para viver o amor.
O grupo existia e resistia fora do ambiente escolar, pois que a vida de cada um gerava limitações intransponíveis e outras posições inconfessáveis ao grupo.
Como em todos estes tipos de grupo havia a líder. Característica especial? Era a mais engraçada e a com mais sucesso no mundo masculino. Sem dúvida a reprodução do mundo animal onde a fêmea mais cortejada ganha o lugar de líder, ou as duas coisas em simultâneo e derivadas de si mesmo. O facto de ser mais aceite era o modelo, o facto de ser o modelo, era a líder, e por isso a mais aceite. É, sem dúvida um pensamento em círculo do qual dificilmente se sai.
Tinha, às suas ordens dois lugares tenentes, que funcionavam como guardas e defesa pessoal impossível de passar. Se algum rapaz se atrevesse com ela, podiam contar com um olhar esguio sempre que passasse, uma desconsideração, ou, o mais usual, a ignorar evidente. E era tão evidente que deixava de ser ignoração. Não eram almas gemelares. Impossível que fossem. Cada uma tinha a sua razão para ser defesa da líder. Uma por absoluta inconfessável inveja da amiga chefe, do seu corpo, dos seus olhos e do seu sucesso. De tal modo que contava um sem número de aventuras e desventuras onde o seu sucesso era a tónica permanente. Fatalmente acabava por namoriscar de quando em vez com quem lhe aparecesse, sem que fosse os atletas olímpicos com cabeça de Einstein com que enchia a boca. Era uma evidência que não se falava. Um segredo por todas guardado. Fazia parte do acordo se pertencer ao grupo. Silêncio absoluto pela realidade cruel de cada uma e defensa de qualquer modo e feitio do que de algum modo possa evidenciar esse segredo.
A outra lugar tenente, com fraca figura, mas aguçada intuição feminina e alguma acertividade, jogava essas suas artes de modo um pouco dúbio, não deixando nunca de lançar a sua cortante e seca observação se se sentisse atacada. De resto pontuava a sua acção pelo silencio e o olhar como se fosse um bloco de notas onde tudo se regista. Pode haver um dia, ou uma ocasião. Raramente baixava as guardas. Metódica e completamente previsível.
Havia a pobre de espírito que existe em todo o lado. Sofrida, cheia de mágoas de si mesma e por isso mesmo incapaz de ser de outro modo que não fosse sempre contra alguém. Construía ódios de estimação para evidenciar o seu pobre e desolado mundo onde suspirava um qualquer sossego que apenas se atingia sem esses ódios. Chegou mesmo, um dia atentar odiar a chefe. Claro que se deu mal, redimiu-se, achincalhou-se, maltratou-se e foi de novo aceite. Funciona, no grupo, como arma de arremesso embora, muitas vezes, se torne apenas, no termómetro do grupo.
Havia, de pois, uns anexos que aproveitavam e entravam no grupo como quem apanha boleia do mesmo guarda chuva. Era-o por questões mais funcionais do que de facto. Estava, até, um pouco na fronteira entre ser um personagem que vagueia solitário, que age individualmente mas, e por uma questão táctica, adoptava a posição do grupo. Sabia que, com isso, também se protegeria do resto da população que durante aquele tempo do dia andava por ali.
Falta a chefe, a líder do grupo. Era, como já se disse, dotada de algumas particularidades físicas que
lhe proporcionavam a também já referida notoriedade, mas, para lá disso, transbordava uma imensa insegurança que manifestava em todas as questões em que se via envolvida. Utilizava, por diversas vezes, a lágrima fácil, para infligir no agressor um sentimento de agressão sabendo que, com isso, terminava o que quer que fosse e voltava para o seu mundo. E, apesar de toda a sobredita aceitação, escolhe, bizarramente, a preferência da companhia masculino do elemento masculino com as mãos tombadas. Por ventura por essa preferência se recolhe a sua aceitação no grupo. Nunca se percebe se o faz pelo tal afecto que não se confessa se, tal como no mundo selvagem, para defender uma cria que de outro modo teria dificuldade de sobreviver no mundo real.
Fatalmente, e como modo justificativo da sua permanência enquanto grupo, tinham que ter inimigos objectivos. Não bastava apenas a defesa comum para o dia a dia, havia que ter um conjunto de indivíduos escolhidos criteriosamente. Funcionavam como um elemento agregador.
Lá vem o fulano, e o grupo juntava-se, ora com a líder à frente, como se fosse fazer uma pega, com a altivez demonstrada pelo nariz a apontar o céu, e a matilha por trás com um olhar de hienas à procura já do resto da matança.

Lendo e escrevendo

Estava a desenvolver um texto, uma qualquer coisa que virá a ser o que Deus entender, e dou nota de uma reflexão curiosa que fiz. E paro a escrita, copio a frase, e dedico-lhe uma entrada neste blogue. Será, portanto, lendo-me. Bizarro. Mas factual.

Nota sobre a adolescência

Não havia tempo para discutir afecto, apenas e só para viver o amor.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Em progresso



Vamos no bom caminho, mas ainda temos muito para andar.

Sou um pescador

Sou um pescador de mar alto
Solto e sem porto de abrigo,
No mar que não se vê o fundo,
Que se perde num negrume cego
Denso, forte e cheio.
E mesmo sem nada ver
Sei que tudo lá habita.
Os incríveis monstros,
Personagens impossíveis,
Mares maiores que o mar
E até sereias, peixes e pessoas.
A nessa faina me deixo levar
Sem vento ou maré
Apenas a ver se consigo pescar
A alma minha que uma dia perdi.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Curiosidades e banalidades


Simpático este desenvolvimento informático da google que apresenta no meu PC esta imagem no dia do meu aniversário. Touché.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Lendo 223

"O amor é um forno que arde,
Visível ou invisível,
segundo a irradiação dos corações sensíveis (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 31

Tenho encontrado na minha vida almas que amam, como todos o fazem, mas que, desoladamente, os seus corações são fracos de sensibilidade. Ao mesmo que encontro outros que são de uma enorme generosidade sensitiva. Melhor era que todos se dedicassem ao amor com toda a sua sensibilidade, pois acredito que com tanto amor, o mundo seria necessariamente um local muito mais agradável.

Lendo 222

"Os velhos insensatos sonham sexo
com os neurónios viris (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 25

Tenho alguma dificuldade em entender a adjectivação "insensatos", pois que sonhar sexo é natural ao homem e, pelo menos até à data, ainda não encontrei ninguém, independentemente da idade, não sonhasse sexo. E claro que no caso presente tratando-se de homens serão com os neurónios viris. Acredito que as mulheres o façam com os neurónios feminino, sedutor e emocional. 

Lendo 221

"Ninguém ama sozinho (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 13

A natureza do amor é a agregação pelo que sendo evidente que ninguém pode amar sem ter alguém para amar, poderá sempre, no entanto, haver amores que pela contingência se quedam individuais. Quais? O mais cruel é quando quem se ama nos deixa e morre. Amamos sozinhos. Amamos o que do outros nos ficou.

Fica, implícito, que quando amamos, acabamos por nos multiplicar. Ficamos com um pedaço desse amado dentro de nós.

O Amor não morre

Estava deitado ao teu lado
E com os olhos semicerrados
Redescobríamo-nos
Pela gentileza do tacto.
Para não incomodar o som da música
Que enchia o ambiente
Entretínhamos as nossas bocas
Uma na outra,
Em longos infindáveis beijos.
Ainda hoje volto semicerrar os olhos
E a sentir o calor dos teus lábios
E as formas eternas do teu corpo.

O Amor não morre

Sentires

Se sentisse as tuas mãos,
Os teus gestos
E o teu corpo
Como sinto a tua alma
Não haveria céu que nos salvasse

quarta-feira, 22 de março de 2017

O inferno


Ou a porta da fornalha

Descoberta

Parto do prindecípio de sempre que não existe maldade. Ninguém age, gratuitamente, por mal. Acontece, todavia, que numa impressão de defesa de si, pois por insegurança e medo se sentem atacadas, respondem com actos viciados em maus sentimentos.
E depois relembro o ditado popular, "dos fracos não reza a história", e entende-se bem, pois que esses ao gerarem esses movimentos acabarão, fatalmente, ou por descobrir a sua força, e aí deixam de ser fracos, inseguros e com medo, ou por isso mesmo são inevitavelmente derrotados.
A sabedoria popular tem raízes profundas no comportamento humano.

Passando por aqui

Já vivi o tempo eterno
Aquele que não tem amanhã
E nem sequer conhece o passado.

E estive, também, num outro
Que ía fazendo passado
Admitindo que era o amanhã.

Vivo agora meditando todos os passados
Pois estou indo para o amanhã
Do tempo eterno.

terça-feira, 21 de março de 2017

A miséria humana

Consegue levar alguém até onde?

Hoje, definitivamente, cheguei a sentir pena de como alguém se reduz a nada apenas para não ter que contrariar uma opção sumamente absurda.
Nenhum merece o que quer que seja. Um exige um comportamento. Outro aceita e executa a ordem absurda. Duas nulidades juntas.
Há matemáticos que conseguem construir uma teoria na junção de duas nulidades, algo como menos com menos dá mais...mais menos...

Tema a voltar com mais atenção e cuidado. O poder. Mais uma vez não é uma arma, não é uma vantagem, é uma questão de servir. Ideias que hoje não são perceptíveis. Poder, hoje, é para servir-se.
A si e aos seus.

O meu Oeste


Comigo mesmo

E estava comigo mesmo,
Não com o meu outro
Ou ainda aquele...
Era comigo mesmo

Estava como sempre
Num apenas eu
Reforçando a introspecção
A falar comigo
Como se fosse um outro
Com o defeito de ser eu
Sabedor das perguntas
E das respostas
E fugindo das dúvidas
Que me ousam a ser
As motivações desastradas
Que nas curvas da vida
Seguimos em linha não curva,
Mas torta.

E voltei para mim mesmo
Não querendo esse eu outro
Mais cruel e fustigante
Que confirma friamente
Que o erro do mim mesmo
É consequente,
Dormente
E sempre presente.

Explicação geométrica

És uma singular recta
Que se faz curvas
E quase se torna num arco...

Mas, e aos poucos,
Fechas as entradas
Que nunca estiveram abertas.
Apenas te restas nesse ponto.
Sem mais nem menos.

Vazios os cheios

Dá-me o teu vazio
Que eu te darei o meu.
E juntos podem ser
Algo mais que
Apenas tu e eu.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Lendo 220

"Caí gota de água no teu ombro,
humedeci levemente a tua pele
e esperei depois a tempestade
o rude furacão que me fez voar (...)"

Pedro Tamen in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013, pág 48

Eu diria, talvez assim

"Caí gota de água no teu ombro,
humedeci levemente a tua pele
e esperei depois um furacão
onde uma tempestade me fizesse voar (...)"

Mas eu sou um romântico que vive emocionalmente para uma harmonia explosiva de felicidade e não gosto de descrever a frieza da separação sofrida.

Lendo 219

"(...) e que nasceu
desde sempre já morto."
Pedro Tamen in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013, pág 34

A poesia, enquanto escrita absolutamente livre consegue trazer pensamentos, pequenos fragmentos que me faz parar e respirar fundo. Quantas vezes andamos com algo definitivamente morto, acabado e sem préstimo para nada... e sequer sabemos porquê ou para quê.

Fazer suas as mágoas alheias

Vive assim
A sentir as penas
E as dores da vida alheia
Com intensa entrega
E, sem se aperceber,
Vai-se quedando
Duplamente mais amarga,
Com um queixume facial
Numa acidez corporal
Irrelevante
É que, por mais esforço
Que dedique a essa causa,
Por mais empenho
E até emoção
Nunca será mais
Que um mero figurante

Por natureza dos enredos
Absolutamente não existe.

...continuação

Vejo um helicóptero a sobrevoar baixo e a cuidadosamente varrer todo o litoral procurando um corpo que estará perdido no mar.
Por instantes admiti que procuravam a minha alma e eu, aqui, em silêncio, observava o mutismo dela e sobre isso me reflectia.

Uma história ( continua)

Vejo um helicóptero a sobrevoar baixo e a cuidadosamente varrer todo o litoral procurando um corpo que estará perdido no mar.
Por instantes admiti que procuravam a tua alma....

Uma reflexão à volta da poesia

A poesia não é um acto que se faz mas uma vida que se vai fazendo

sábado, 18 de março de 2017

Explicação matemática

Descrevo,
Ou escrevo,
Ou revejo
Todas as linhas do teu corpo.

Faças o que fizeres,
Estejas onde estiveres,
Revejo esse corpo,
E tudo deixa de ser o que é.

É impossível explicar a uma recta
O que é uma curva.
Pois não é da sua natureza.

O prazer do lazer

Na expectativa de um especial momento de lazer vamos fazendo planos e enchendo não só a expectativa, como, e também, de coisas esse momento de lazer, chegando ao ponto do mesmo ficar impossível.

domingo, 12 de março de 2017

Poema

E cheguei depois.
Depois de ti,
Liberdade.
Anunciada e, até,
Amplamente comemorada.

É verdade
Cheguei agora,
Onde isso é, apenas,
Palavra gasta em discurso oco.

Vi o meu irmão
Companheiro,
Como se diz?
De caminhada,
Esmagado no seu ser,
Espremido por um indigente,
Por quem não queria
Mais que a sua promoção
O seu prémio,
E a sua sustentação...
Mas não vi
A tal da liberdade,
A coisa da igualdade....

Acompanhei o descrédito
E a instalação da impossibilidade...
Dos que não são,
Não foram para ser,
Não sabem o que são
Não conhecem o que é vir a ser
E vivem a circunstacialidade
De viver para receber.

Incrédulo,
Tentei recolher
A um impossível não ser,
A um inquisitante não que não confere
A circunstância do amanhã...

E, desesperado, verifico
Que o que se instala
É a imoralidade intrínseca
De quem nunca fez
A mais pequena ideia
Do que é
SER

Sobretudo quando ser
É aquilo que se é.

sempre o oeste


Mais Oeste


Oeste


Primeiro esboço da Lagoa de Óbidos


Uma Aguarela


Uma aguarela da nossa Rainha D. Maria Pia. Um ponte em Sintra.

Leques reais





Leques desenhados pela nossa Rainha D. Maria Pia. Palácio da Ajuda.

Foto


Lembra pessoas cujas almas estão trancadas e vivem assim, vazias por dentro. São apenas uma fachada.