sexta-feira, 21 de abril de 2017

Impulso e mais

Como se pode querer
Assim como não se quer?
Amar e desejar
Ter até vontade de ter
E possuir também....

E reconhecer a força,
A inevitabilidade do não,
Do seu contrário,
Da justa impossibilidade,
Da simples negação...

É aquele animal profundo
Que reside em mim
Que diz sim para uma satisfação
E nega após maturação
Em respiração acelerada.
No constante desatino
De poder, uma vez,
Seduzir-se a esse querer.

Declaração de amor

Estendo-te as minhas palavras
Como uma toalha de praia
E nelas espero que te deites
Para que sintas o Sol
O mar e o meu sal.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ao tempo

Esperei o fim do tempo
A eternidade em si mesma.
Tudo o que nela cabia
E o que, ainda assim,
Lhe era admissível.
Esperei esse tempo
Todo o tempo
E nesse ínfimo instante
Nessa espera imensa
Cheguei desastradamente atrasado…


Como chegar atrasado ao tempo?

Aforismo

O caminho de retorno, reconhecendo o passado, reflecte a sua sabedoria no presente.

Mais um trabalho em andamento.



Ainda um longo caminho a fazer

terça-feira, 18 de abril de 2017

Ser isto que sou

Tenho a alma viciada
Em tormentos mil
E todos se resumem
A um só
O de ser
Isto que sou.

Ideias e projectos


Ando às voltas com uma ideia e antes de a realizar vou fazendo testes de exequibilidade.
Aqui está um desenho a carvão que foi dada cor por aguarela. O desenho final será numa tela, no mínimo, 40 por 40.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alegoriazinha

Agarrava na certeza
Como se fosse um pedaço de mel
E, ao vê-la escorrer,
Mão abaixo,
Sujando tudo,
Melando tudo,
Ficaria triste,
E desolado até,
Pois não era assim,
Doce,
Saborosa...
Era chata,
Incómoda,
Que sujava...

Calhando não era certeza,
Apenas mel...
Adoçando bocas tolas
Que não conseguem sentir
O infinito paladar da palavra
Em sentido puro,
Limpo,
E a tentar ser
Nada mais que uma palavra
Que É.

Eu, agora e sempre

Primeiro a sugestão
Depois, a medo, o sussurro
Não tarda a confirmação
E zás, está feita a condenação.

Deixo de ser eu
Passo a ser esse outro
Um qualquer vulgar
Que, a alguns, tanto interessa.

E, extraordinário,
Não importa o que passo a ser,
Mas o que tantos escondem
Para eu ser isso que passei a ser.

A um tempo,
Seja ele qual for,
Voltarei a ser
O que sempre fui.

E nesse tempo,
Qual embrulho da garganta
Estarei por aí às voltas,
De quem não soube se engolir.

Praia Grande


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Esqueci-me de ser outro

Esqueci-me de ser outro
E, sobretudo,
Porque ando sempre
Atrás do mesmo.
Não uma mania,
Um finca pé,
Ou insistência de mau génio.

Apenas desejo,
Penso e anseio
O que faça sentido,
Que integre tudo
Em resultado lógico,
Consequente
E deduzido de princípios.

E sei, sempre soube
O que disso vier
É o mais certo que há para haver
Pelo que, e como ser pensante
Apenas isso posso desejar.
Fora disso era ser outro
O que, desde sempre,
Me esqueci de ser.

Poema

2 dias em absoluta concentração
Numa tarefa prioritária.

Volto, cansado,
Espremido de esforço
De trabalho feito
De objectivos e
Outras demandas.

A porra do mundo
Continua na mesma.

Tivesse o mundo
Uma tarefa assim,
Daquelas que nos obrigam
MORALMENTE
e.... Ah..........

Pedra de toque!
O meu amanhã e só meu
Dele apenas me responsabilizo


quinta-feira, 6 de abril de 2017

O pântano do escorpião

No outro dia, ao passar por um lugar qualquer, tanto pode ter sido a feira da ladra, como um alfarrabista, uma livraria ou até um simples caixote do lixo, pousei os olhos num livro cujo título era "O pântano do escorpião". O livro tinha aspecto de ser literatura de cordel e o que captou a minha atenção foi o título e não tive o mais pequeno interesse no seu conteúdo.
Antes de mais tenho ideia que o escorpião é um animal de terras quentes e não húmidas, aliás como todos os aracnídeos não são animais de ambientes aquíferos, mas a ideia associada a um pântano, habitat de águas paradas, pouco profundas e atreito a desenvolver vários tipo de animais e restos de folhas em decomposição, já me interessou mais. O pântano ajuda a matar, a apodrecer. Colocar, então, um local com estas características como habitat do escorpião torna a ideia ainda mais interessante. Assunto a revisitar.

domingo, 2 de abril de 2017

Jogo invertido

Durante um período de tempo um personagem insistiu com alguma habilidade ser evidentemente distante e utilizou a comunicação do modo mais restrito possível. E fê-lo com a sua natural graciosidade e bonomia. Havia uma desculpa algures no fundo da irrealidade que se cingia a esta frase:
- E hoje estou muito melhor, nem queiras saber como já fui.
Resumindo em pequenos trocados uma mão cheia de argumentos, era, para o dito personagem, aceitável, normal e até funcional que numa normal relação entre dois seres humanos ser, por aquilo que definia como a sua natureza, desagradável, desafável e antipática. havia decidido ser assim e estava o caso encerrado.
O tempo passa e com alguma tropelias pelo caminho instala-se de parte a parte o clima desagradável, desafável, antipático, de comunicação restrita e, claro, a distancia tão bem cultivada.
E, chegados a este ponto, o personagem incapaz de lidar com o retorno da sua própria atitude, evolui o despropósito para uma quase zona de conflito. Assunto capaz de fazer as aberturas dos canais televisivos, não fosse o assunto em si ser uma evidente chachada.
Sun Tzu dizia que a melhor batalha era aquela que nunca se trava. Sim, o personagem em cause não conhece Sun Tzu nem a arte da guerra. Apenas conhece parte das suas inseguranças, pouco da sua intolerância, quase nada do mundo.
Há, também, uma outra máxima que diz o seguinte: Acção gera acção e reacção gera reacção. Ou seja se fores amável, recolhes amabilidade, mas se fores desagradável não esperes que o mundo te retorne com flores e sorrisos. Não. Se fores desagradável o mundo não está para te aturar.
E, a cereja em cima do bolo, a questão do espelho. A imagem que o espelho nunca é a realidade, é, apenas, o retorno invertido. Se te queres ver, tens que te colocar no outro lado, dentro do espelho.
Alguns anos de psicanálise e auto-análise hão-de ter servido para entender alguma coisa.
Tema que terá mais desenvolvimentos.

sexta-feira, 31 de março de 2017

poema

E aquele grito silencioso
Que apaga todos os sons
Que se propagam como se fossem
Moscas

Lendo 225

"Que peso tem agora a dor nessa balança
cujo fiel nem tu consegues
acertar?"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 52

Quantas vezes a sensação que se sofre está tão além da ideia de como se pode recuperar um pouco de harmonia....

Lendo 224

"Ela tem os peitos caídos, distantes já do coração(...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 45

Será que com o andar do tempo, à medida que os peitos vão descaíndo estes se vão afastando do coração? Não consigo concordar.

e segue
"As belas anoréxicas também
dispensam os seios,
os acessórios do sexo, (...)"

Não consigo entender o dispensar, por opção, destes acessórios do sexo. Entendo que, se por natureza ou por doença, os seios, peitos, mamas ou qualquer outra designação, são matéria inexistente, então se possa prescindir. Ao contrário, pela visão masculina, não entendo.
Se a abordagem é feita no feminino, apelas por suposição posso pensar e, portanto, não tem valor. Assim, serve para caracterizar algumas mulheres que se abandonam a uma qualquer opção que lhes excluirá essa parte do corpo e do mundo sexual. Reforça traços de personagem.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O grupo

No intervalo mais longo da manhã reunia-se sempre um grupo de alunos que era muito fechado e pouco dado a reagir com a restante população no recreio. Ficavam num canto, sempre o mesmo canto e, de certo modo, nas mesmos lugares de sempre. Falavam e divertiam-se para dentro desse grupo e com muito dificuldade era permitida a entrada ou participação de qualquer outra pessoa.
Era um clube quase exclusivamente feminino, pois que apenas um rapaz era autorizado. Diga-se, também que, apesar de ser um rapaz com buço e borbulhas, imaginando que a puberdade também se diversificaria pelo restante corpo, não apresentava outras características masculinas. A voz tardava a ganhar um tom baixo, mantendo-se a raiar o falsete, e, por norma, as mãos tombavam-lhe pelos pulsos como se fossem um peso morto que por ali ficava. Andava com elas, conversava com elas, partilhava dos seus segredos, enfim, era uma delas como, por natureza própria dos outros rapazes desse universo escolar, o diziam por chacota inconsequente. Era o irrelevante.
Não podíamos dizer que o grupo fosse homogéneo que não o era. Era até irregular, com entradas e saídas em função do jogo de afectos que a adolescência joga com superior mestria e amplo desconhecimento. Era assim porque sim e nada havia que justificar, ainda que, essa fase da vida provocasse conversas infindas sobre todos os temas, mas, e por regra, nunca o do afecto. Não havia tempo para discutir afecto, apenas, e só, para viver o amor.
O grupo existia e resistia fora do ambiente escolar, pois que a vida de cada um gerava limitações intransponíveis e outras posições inconfessáveis ao grupo.
Como em todos estes tipos de grupo havia a líder. Característica especial? Era a mais engraçada e a com mais sucesso no mundo masculino. Sem dúvida a reprodução do mundo animal onde a fêmea mais cortejada ganha o lugar de líder, ou as duas coisas em simultâneo e derivadas de si mesmo. O facto de ser mais aceite era o modelo, o facto de ser o modelo, era a líder, e por isso a mais aceite. É, sem dúvida um pensamento em círculo do qual dificilmente se sai.
Tinha, às suas ordens dois lugares tenentes, que funcionavam como guardas e defesa pessoal impossível de passar. Se algum rapaz se atrevesse com ela, podiam contar com um olhar esguio sempre que passasse, uma desconsideração, ou, o mais usual, a ignorar evidente. E era tão evidente que deixava de ser ignoração. Não eram almas gemelares. Impossível que fossem. Cada uma tinha a sua razão para ser defesa da líder. Uma por absoluta inconfessável inveja da amiga chefe, do seu corpo, dos seus olhos e do seu sucesso. De tal modo que contava um sem número de aventuras e desventuras onde o seu sucesso era a tónica permanente. Fatalmente acabava por namoriscar de quando em vez com quem lhe aparecesse, sem que fosse os atletas olímpicos com cabeça de Einstein com que enchia a boca. Era uma evidência que não se falava. Um segredo por todas guardado. Fazia parte do acordo se pertencer ao grupo. Silêncio absoluto pela realidade cruel de cada uma e defensa de qualquer modo e feitio do que de algum modo possa evidenciar esse segredo.
A outra lugar tenente, com fraca figura, mas aguçada intuição feminina e alguma acertividade, jogava essas suas artes de modo um pouco dúbio, não deixando nunca de lançar a sua cortante e seca observação se se sentisse atacada. De resto pontuava a sua acção pelo silencio e o olhar como se fosse um bloco de notas onde tudo se regista. Pode haver um dia, ou uma ocasião. Raramente baixava as guardas. Metódica e completamente previsível.
Havia a pobre de espírito que existe em todo o lado. Sofrida, cheia de mágoas de si mesma e por isso mesmo incapaz de ser de outro modo que não fosse sempre contra alguém. Construía ódios de estimação para evidenciar o seu pobre e desolado mundo onde suspirava um qualquer sossego que apenas se atingia sem esses ódios. Chegou mesmo, um dia atentar odiar a chefe. Claro que se deu mal, redimiu-se, achincalhou-se, maltratou-se e foi de novo aceite. Funciona, no grupo, como arma de arremesso embora, muitas vezes, se torne apenas, no termómetro do grupo.
Havia, de pois, uns anexos que aproveitavam e entravam no grupo como quem apanha boleia do mesmo guarda chuva. Era-o por questões mais funcionais do que de facto. Estava, até, um pouco na fronteira entre ser um personagem que vagueia solitário, que age individualmente mas, e por uma questão táctica, adoptava a posição do grupo. Sabia que, com isso, também se protegeria do resto da população que durante aquele tempo do dia andava por ali.
Falta a chefe, a líder do grupo. Era, como já se disse, dotada de algumas particularidades físicas que
lhe proporcionavam a também já referida notoriedade, mas, para lá disso, transbordava uma imensa insegurança que manifestava em todas as questões em que se via envolvida. Utilizava, por diversas vezes, a lágrima fácil, para infligir no agressor um sentimento de agressão sabendo que, com isso, terminava o que quer que fosse e voltava para o seu mundo. E, apesar de toda a sobredita aceitação, escolhe, bizarramente, a preferência da companhia masculino do elemento masculino com as mãos tombadas. Por ventura por essa preferência se recolhe a sua aceitação no grupo. Nunca se percebe se o faz pelo tal afecto que não se confessa se, tal como no mundo selvagem, para defender uma cria que de outro modo teria dificuldade de sobreviver no mundo real.
Fatalmente, e como modo justificativo da sua permanência enquanto grupo, tinham que ter inimigos objectivos. Não bastava apenas a defesa comum para o dia a dia, havia que ter um conjunto de indivíduos escolhidos criteriosamente. Funcionavam como um elemento agregador.
Lá vem o fulano, e o grupo juntava-se, ora com a líder à frente, como se fosse fazer uma pega, com a altivez demonstrada pelo nariz a apontar o céu, e a matilha por trás com um olhar de hienas à procura já do resto da matança.

Lendo e escrevendo

Estava a desenvolver um texto, uma qualquer coisa que virá a ser o que Deus entender, e dou nota de uma reflexão curiosa que fiz. E paro a escrita, copio a frase, e dedico-lhe uma entrada neste blogue. Será, portanto, lendo-me. Bizarro. Mas factual.

Nota sobre a adolescência

Não havia tempo para discutir afecto, apenas e só para viver o amor.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Em progresso



Vamos no bom caminho, mas ainda temos muito para andar.

Sou um pescador

Sou um pescador de mar alto
Solto e sem porto de abrigo,
No mar que não se vê o fundo,
Que se perde num negrume cego
Denso, forte e cheio.
E mesmo sem nada ver
Sei que tudo lá habita.
Os incríveis monstros,
Personagens impossíveis,
Mares maiores que o mar
E até sereias, peixes e pessoas.
A nessa faina me deixo levar
Sem vento ou maré
Apenas a ver se consigo pescar
A alma minha que uma dia perdi.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Curiosidades e banalidades


Simpático este desenvolvimento informático da google que apresenta no meu PC esta imagem no dia do meu aniversário. Touché.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Lendo 223

"O amor é um forno que arde,
Visível ou invisível,
segundo a irradiação dos corações sensíveis (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 31

Tenho encontrado na minha vida almas que amam, como todos o fazem, mas que, desoladamente, os seus corações são fracos de sensibilidade. Ao mesmo que encontro outros que são de uma enorme generosidade sensitiva. Melhor era que todos se dedicassem ao amor com toda a sua sensibilidade, pois acredito que com tanto amor, o mundo seria necessariamente um local muito mais agradável.

Lendo 222

"Os velhos insensatos sonham sexo
com os neurónios viris (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 25

Tenho alguma dificuldade em entender a adjectivação "insensatos", pois que sonhar sexo é natural ao homem e, pelo menos até à data, ainda não encontrei ninguém, independentemente da idade, não sonhasse sexo. E claro que no caso presente tratando-se de homens serão com os neurónios viris. Acredito que as mulheres o façam com os neurónios feminino, sedutor e emocional. 

Lendo 221

"Ninguém ama sozinho (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 13

A natureza do amor é a agregação pelo que sendo evidente que ninguém pode amar sem ter alguém para amar, poderá sempre, no entanto, haver amores que pela contingência se quedam individuais. Quais? O mais cruel é quando quem se ama nos deixa e morre. Amamos sozinhos. Amamos o que do outros nos ficou.

Fica, implícito, que quando amamos, acabamos por nos multiplicar. Ficamos com um pedaço desse amado dentro de nós.

O Amor não morre

Estava deitado ao teu lado
E com os olhos semicerrados
Redescobríamo-nos
Pela gentileza do tacto.
Para não incomodar o som da música
Que enchia o ambiente
Entretínhamos as nossas bocas
Uma na outra,
Em longos infindáveis beijos.
Ainda hoje volto semicerrar os olhos
E a sentir o calor dos teus lábios
E as formas eternas do teu corpo.

O Amor não morre

Sentires

Se sentisse as tuas mãos,
Os teus gestos
E o teu corpo
Como sinto a tua alma
Não haveria céu que nos salvasse

quarta-feira, 22 de março de 2017

O inferno


Ou a porta da fornalha

Descoberta

Parto do prindecípio de sempre que não existe maldade. Ninguém age, gratuitamente, por mal. Acontece, todavia, que numa impressão de defesa de si, pois por insegurança e medo se sentem atacadas, respondem com actos viciados em maus sentimentos.
E depois relembro o ditado popular, "dos fracos não reza a história", e entende-se bem, pois que esses ao gerarem esses movimentos acabarão, fatalmente, ou por descobrir a sua força, e aí deixam de ser fracos, inseguros e com medo, ou por isso mesmo são inevitavelmente derrotados.
A sabedoria popular tem raízes profundas no comportamento humano.

Passando por aqui

Já vivi o tempo eterno
Aquele que não tem amanhã
E nem sequer conhece o passado.

E estive, também, num outro
Que ía fazendo passado
Admitindo que era o amanhã.

Vivo agora meditando todos os passados
Pois estou indo para o amanhã
Do tempo eterno.

terça-feira, 21 de março de 2017

A miséria humana

Consegue levar alguém até onde?

Hoje, definitivamente, cheguei a sentir pena de como alguém se reduz a nada apenas para não ter que contrariar uma opção sumamente absurda.
Nenhum merece o que quer que seja. Um exige um comportamento. Outro aceita e executa a ordem absurda. Duas nulidades juntas.
Há matemáticos que conseguem construir uma teoria na junção de duas nulidades, algo como menos com menos dá mais...mais menos...

Tema a voltar com mais atenção e cuidado. O poder. Mais uma vez não é uma arma, não é uma vantagem, é uma questão de servir. Ideias que hoje não são perceptíveis. Poder, hoje, é para servir-se.
A si e aos seus.

O meu Oeste


Comigo mesmo

E estava comigo mesmo,
Não com o meu outro
Ou ainda aquele...
Era comigo mesmo

Estava como sempre
Num apenas eu
Reforçando a introspecção
A falar comigo
Como se fosse um outro
Com o defeito de ser eu
Sabedor das perguntas
E das respostas
E fugindo das dúvidas
Que me ousam a ser
As motivações desastradas
Que nas curvas da vida
Seguimos em linha não curva,
Mas torta.

E voltei para mim mesmo
Não querendo esse eu outro
Mais cruel e fustigante
Que confirma friamente
Que o erro do mim mesmo
É consequente,
Dormente
E sempre presente.

Explicação geométrica

És uma singular recta
Que se faz curvas
E quase se torna num arco...

Mas, e aos poucos,
Fechas as entradas
Que nunca estiveram abertas.
Apenas te restas nesse ponto.
Sem mais nem menos.

Vazios os cheios

Dá-me o teu vazio
Que eu te darei o meu.
E juntos podem ser
Algo mais que
Apenas tu e eu.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Lendo 220

"Caí gota de água no teu ombro,
humedeci levemente a tua pele
e esperei depois a tempestade
o rude furacão que me fez voar (...)"

Pedro Tamen in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013, pág 48

Eu diria, talvez assim

"Caí gota de água no teu ombro,
humedeci levemente a tua pele
e esperei depois um furacão
onde uma tempestade me fizesse voar (...)"

Mas eu sou um romântico que vive emocionalmente para uma harmonia explosiva de felicidade e não gosto de descrever a frieza da separação sofrida.

Lendo 219

"(...) e que nasceu
desde sempre já morto."
Pedro Tamen in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013, pág 34

A poesia, enquanto escrita absolutamente livre consegue trazer pensamentos, pequenos fragmentos que me faz parar e respirar fundo. Quantas vezes andamos com algo definitivamente morto, acabado e sem préstimo para nada... e sequer sabemos porquê ou para quê.

Fazer suas as mágoas alheias

Vive assim
A sentir as penas
E as dores da vida alheia
Com intensa entrega
E, sem se aperceber,
Vai-se quedando
Duplamente mais amarga,
Com um queixume facial
Numa acidez corporal
Irrelevante
É que, por mais esforço
Que dedique a essa causa,
Por mais empenho
E até emoção
Nunca será mais
Que um mero figurante

Por natureza dos enredos
Absolutamente não existe.

...continuação

Vejo um helicóptero a sobrevoar baixo e a cuidadosamente varrer todo o litoral procurando um corpo que estará perdido no mar.
Por instantes admiti que procuravam a minha alma e eu, aqui, em silêncio, observava o mutismo dela e sobre isso me reflectia.

Uma história ( continua)

Vejo um helicóptero a sobrevoar baixo e a cuidadosamente varrer todo o litoral procurando um corpo que estará perdido no mar.
Por instantes admiti que procuravam a tua alma....

Uma reflexão à volta da poesia

A poesia não é um acto que se faz mas uma vida que se vai fazendo

sábado, 18 de março de 2017

Explicação matemática

Descrevo,
Ou escrevo,
Ou revejo
Todas as linhas do teu corpo.

Faças o que fizeres,
Estejas onde estiveres,
Revejo esse corpo,
E tudo deixa de ser o que é.

É impossível explicar a uma recta
O que é uma curva.
Pois não é da sua natureza.

O prazer do lazer

Na expectativa de um especial momento de lazer vamos fazendo planos e enchendo não só a expectativa, como, e também, de coisas esse momento de lazer, chegando ao ponto do mesmo ficar impossível.

domingo, 12 de março de 2017

Poema

E cheguei depois.
Depois de ti,
Liberdade.
Anunciada e, até,
Amplamente comemorada.

É verdade
Cheguei agora,
Onde isso é, apenas,
Palavra gasta em discurso oco.

Vi o meu irmão
Companheiro,
Como se diz?
De caminhada,
Esmagado no seu ser,
Espremido por um indigente,
Por quem não queria
Mais que a sua promoção
O seu prémio,
E a sua sustentação...
Mas não vi
A tal da liberdade,
A coisa da igualdade....

Acompanhei o descrédito
E a instalação da impossibilidade...
Dos que não são,
Não foram para ser,
Não sabem o que são
Não conhecem o que é vir a ser
E vivem a circunstacialidade
De viver para receber.

Incrédulo,
Tentei recolher
A um impossível não ser,
A um inquisitante não que não confere
A circunstância do amanhã...

E, desesperado, verifico
Que o que se instala
É a imoralidade intrínseca
De quem nunca fez
A mais pequena ideia
Do que é
SER

Sobretudo quando ser
É aquilo que se é.

sempre o oeste


Mais Oeste


Oeste


Primeiro esboço da Lagoa de Óbidos


Uma Aguarela


Uma aguarela da nossa Rainha D. Maria Pia. Um ponte em Sintra.

Leques reais





Leques desenhados pela nossa Rainha D. Maria Pia. Palácio da Ajuda.

Foto


Lembra pessoas cujas almas estão trancadas e vivem assim, vazias por dentro. São apenas uma fachada.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Alice

E nasceste Alice
Hoje
À hora marcada
No teu dia
No teu momento
No teu eu!

És um Sol que nasce
Quando este desperta
Para te vir espreitar
E, também, te beijar.

Sejas mais um anjo,
Uma flor
E uma imensa cor´
Que tudo ilumine,

Tudo o que te pertence
Tudo o que venhas a ser
És tu,
Pois és o futuro todo!

E és, essencialmente
AMOR

Para o Ricardo Pratas com um abraço pela sua Alice.

Aforismo

Poder é servir. Não é servir-se.

Ser ou estar chefia?

Ninguém é chefe. Ninguém é poder. Acontece, num tempo, terem a capacidade de decidir sobre terceiros. Não é um orgulho, não é uma vaidade. É uma obrigação moral. Poucos conhecem a diferença.

Histórias reais

Hoje um amigo com quem trabalhei cometeu o derradeiro acto. Não sei com que dor, com que drama, com que desespero, com que impossibilidade. Soube apenas que deixou a sua vida.
E que soube e fui sabendo mais? Que preparou o momento. Tratou de alguns assuntos de ordem jurídica e levou uma arma de fogo para o local onde a utilizou. Ninguém faz isto sem previamente ter pensado e maturado no assunto. Não é um acto impulsivo. É um acto determinado.
No seu carácter podíamos ler este tipo de acto? Nem por isso. Jovial, bom vivant, com gosto pela natureza, pelo belo sexo, montava a cavalo, havia feito projectos de futuro e apreciava os 50 anos que já havia vivido. Não era homem de se meter em conflitos e gostava de não ser notado ainda que socialmente bem aceite.
Nos últimos tempos, no seu local de trabalho, a miséria humana que nos tem habituado sobrepõe-se à moral e oferece desconsiderações sucessivas ao limite de o deixar sem funções durante um mês. Depois disto oferece como recompensa de 25 anos de trabalho soluções que não se enquadram no seu perfil. Pouco importa a história concreta, porque o desfecho deste relato anulam por si qualquer outra dedução.
A uma hora que foi a hora dele, entra no gabinete da sua hierarquia e sabendo da sua ausência, marca a vermelho a alcatifa definitivamente.
Quem pode ser chefe e desconsiderar um ser humano a ponto de receber esta "nota de despedida"?
Quantos chefes há assim? Iludidos, cheios de soberba, convencidos de tudo, capazes de toda a insensatez que o seu orgulho lhes pede, donos de "lições exemplares"...
Cada vez mais vejo fugir a dimensão moral aos homens.

Todos perdemos. Ele a vida, a mãe um filho, o irmão um irmão, a filha o pai, a namorada o seu amor, os amigos um amigo, o seu chefe a sua paz interior. Ninguém, estou certo, ganhará alguma lição.

Descansa com a paz com que te conheci e que era marca da tua vida.

O mundo está carregado de filhos da puta que não merecem que ninguém morra assim por eles.

Aforismo

A dimensão moral faz um Homem.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Panteão ao entardecer


Mais um aforismo

O homem é uma fugacidade iludida de eternidade.

aforismo

O homem não é de um tempo, mas está num tempo.

Lendo 218

"(...) o sangue como dizia o Padre António Vieira, "é o que Deus dá a cada um sem eleição de quem o tomou."
Pedro Calafate in Portugal, um perfil histórico, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Lisboa 2016 pág, 69

É imenso entender o sentido desta frase do jesuíta ( 1608 - 1697) que nos obriga a uma dimensão completamente diversa da vida que temos. Muito do que somos, somos pelo acaso da nossa circunstancialidade que, obviamente para os crentes, se funda na liberdade do Criador. E isto obriga a uma aceitação em primeiro momento. Somos esta circunstância. Depois uma reflexão no nosso devir e na nossa liberdade individual. O que queremos ser.
Ninguém nasce preto por opção ou homem por opção ou de que género por opção. É da liberdade do Criador. E cabe a cada um de nós saber utilizar os instrumentos que nos são dados. É, mais uma vez, e sempre!, a dimensão moral do homem. O seu destino.

Lendo 217

"Critica o Infante [D.Pedro, 1º Duque de Coimbra 1392-1449] a tendência para, entre nós, esquecermos o principal em nome do acessório e para sobrecarregarmos o trabalho com minudências dispersivas,  pois que, como se diz, em Portugal "as obras necessárias são muitas vezes esquecidas e sobre as voluntárias [leia-se : não necessárias] se dá grande trabalho ao povo e se faz grande despesa", colocando-se assim o esforço colectivo ao serviço de vontades arbitrárias e de interesses pessoais."
Pedro Calafate in Portugal, um perfil histórico, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Lisboa 2016 pág, 25

Já no século XV se identificava o grande vício da gestão em lato senso que se aplica em Portugal. Se a esse tempo a gestão era da grande coisa pública ou dos homens de grande concentração de poder, hoje esse vício conseguiu invadir todo o pequeno espaço onde a responsabilidade da decisão se difunde nas cadeias hierárquicas. O Estado continua invadido, mas também as empresas públicas ou privadas. A decisão deixa de estar motivada pelo mais elevado interesse da entidade (pública ou privada) mas grosseiramente imiscuída das necessidades ou erro intencional de origem moral ou emocional que gera, inevitavelmente, atrasos e grandes factores de impossibilidade de conclusão das tarefas com o sucesso desejado.
O objectivo de realçar este dado não é apresentar nenhuma solução, pois que, e a rigor, a solução estará apenas na dimensão ética do homem, mas sim trazer a uma certa evidência da transversatilidade deste erro e deste modo de agir.
Casos como os do político Sócrates, do banqueiro Salgado (BES), da pedofilia na Casa Pia, e tantos outros que chegam à nossa vizinhança ( os conflitos nos condomínios) são exemplos cabais desta observação.
A diminuição da espiritualidade do homem só piora as coisas. É mais fácil errar se a nossa dimensão moral e espiritual for menor.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Cedências ao erro

O mundo para além de estar pleno de amor tem, também, um lugar incrivelmente difuso e absurdo onde se consegue atingir níveis incríveis de destruição. São momentos, situações ou desencontros que escorrem contra toda a lucidez, bom senso e razoabilidade.
É assim que nascem os conflitos, as guerras e, também, os ódios de estimação.

Um ódio de estimação dificilmente se desfaz. Infelizmente.
 
 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Salva-te!

Outrora o azul dos teus olhos
Traziam-me uma maresia
E um céu imaculado
Numa manhã de promessas...

O dia já quase finda
E o azul dos teus olhos
Acinzentou-se
E pior que chuva
São apenas um vazio.

Pudesse ser um nevoeiro,
Um mancha espessa,
Temporária,
Que escondesse um mar
Que voltasse a ter vida.
Mas apenas lhe corre
A agonia do dia
Para o negrume do nada.

Acorda!
Corre!
Foge!
E salva-te!

É por ti,
Apenas por ti.
Ninguém merece
Ir morrendo assim.

domingo, 5 de março de 2017

Nacionalidade

Como nasce a ideia de nação? De grupo colectivo? Quando aparece um líder forte, guerreiro e capaz de vencer. Segue-se o vencedor e confirma-se o grupo.

Depois disto passa tempo e nessa passagem acontece a certificação da liderança já não dum grupo, mas do grupo que se certifica e se reconhece sobre o líder, aceitando a sua sucessão. Acresce ainda p lado místico do milagre de Ourique que não só confirma o líder e o seu grupo, como lhe dá um valor adicional de ser um grupo escolhido.

Esclareci hoje, finalmente, como nasce Portugal. Como nasce a adesão a Dom Afonso Henriques, líder forte, vencedor de batalhas, conquistador, senhor das terras conquistadas. O líder natural, ainda por cima abençoado. No século XII é assim que se forma a adesão que o tempo confirma como país, como nação.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Óbidos


Alcobaça 04


Alcobaça 03


Ave com mamas


Alcobaça 02


Alcobaça 01


Sem desistir

- Eu não faço da minha vida uma constante crítica aos outros para me valorizar!... Eu não tenho a pretensão de ser perfeita como tu!...

E, como se poderá calcular, diz estas frases no fundo da sua humildade, reconhecendo que é a aceitação de tudo e de todos, bem como o seu mundo é uma construção diária.
Dá meia volta, levanta ligeiramente o traseiro para equilibrar a coluna pois o queixo sobe no ar empinando o nariz...
E a história começa onde todas as novelas de qualidade duvidosa começam, num mal de amor. Como suportar uma perda do amor da vida e, ao mesmo tempo, dedicar algum afecto a alguém que se  reconhece indubitável qualidade amorosa. Não é romance, não é amor, não é nada mais que um aguenta aí a minha falta de amor. Contudo, no pequeno mundo em que vive, esse não amor é sempre visto como um romance. Que fazer com isso? Como explicar que não é nada disso, sem ter que explicar ao outro que ele não é isso? Que explosão de irritação sempre que há um olhar, uma expressão, um vago comentário ou insinuação. Ninguém entende.
O tempo passa e todo este tema passa a obsessão ao ponto de gerar mal entendidos e até pequenos conflitos que chegam a um inequívoco:
- Vai para o caralho!
E a novela, com o tempo adensa-se. As estruturas defensivas formais vão se consolidando em fronteiras formais e relacionais. Sabe que, no fundo, tudo aquilo é um erro colossal, mas já não há volta a dar, já não há retorno. Seria necessário reconhecer erros, enganos e desvios. Dizer desculpa a si mesma.
Mais tempo que passa e mais definha a possibilidade que sair do buraco. De aceitar, até, pequenas pontas que possam vir a desembrulhar a falta de futuro do erro.
E insiste:

- Eu não faço da minha vida uma constante crítica aos outros para me valorizar!... Eu não tenho a pretensão de ser perfeita como tu!...

Não sou capaz de admitir os meus erros, de me criticar, de me corrigir, de baixar a cerviz...

Será isto um episódio ou a história da minha vida?
 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Poema para quem partiu

E foi-se embora....
Definitivamente..
Para sempre...
O nosso sempre,
O sempre que conhecemos.

E fico aqui,
Às voltas com a sua doçura
Com a sua candura
Com o seu modo.

E fico-me
Dentro da minha memória.
Dentro do meu afecto
Dentro do que gosto.

Para a Ana que hoje ficou um anjo.

À mulher

As minhas palavras são mudas
Ouves o teu sentido
Do que não te digo
Mas que preferias
Para satisfazer
O teu egocêntrico desejo
De te saberes sempre
Senhora de toda a certeza...

E o tempo passa
O mundo passa
A vida passa
E nada consegue ficar...
Em ti...
Contigo...
Para ti...
Que não sejas tu, teu, de ti....

Amanhã?
Para quê?
Haja quem insista!
Homens de sempre...

Ouvindo

Durante a missa:
“Perdoai os vossos inimigos (...)”

A origem do perdão está na capacidade de entender, logo o desafio é entender o teu “inimigo”. Nesse caminho conhecê-lo-ás e verás que ao entendê-lo encontrarás todos os caminhos para o receberes e, nesse tempo, nada há a perdoar mas sim mais um pedaço dele a integrar. O "inimigo" é um outro eu. E eu posso ser, ou deixar de ser "inimigo".

Poema lastimado

E, do fundo de algo
Similar a um simulacro
Aparece um sinaleiro
Figura ausente
E quasi irrelevante
De um passado quente...
E diz autoritário:
STOP!
Anacrónico
Irrelevante
Inconsistente
Coiso........

Ninguém nada já.
De que vale o sinaleiro
Quando já não há sinais?

Quase pronto - Espichel


Acrílico sobre tela
20 cm por 20 cm
2017

Em trablaho


Hoje foi dia de fazer a face. Ainda faltam horas de trabalho.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Poesia

A poesia é transportar as minhas dúvidas, ansiedades e reflexões para palavras cifradas para que quem queira (me) possa entender.

aforismo

Aquele que ama, entrega-se.
Quem teme, defende-se.

Diferentemente

Para ti.
Quem?
Eu!
Não entendo...
Quero ser para ti!
Não pode ser. Ficas preso.
Não. Faço porque quero.
Sim. Ficas.
Não aceito, não posso aceitar.
É assim.
Como?
Quem consegue amar em entrega pura não sobrevive.
Sobrevive a quê?
Ao amor do outro.
Porquê?
Porque poucos conseguem...
Amar?
Não, serem amados gratuitamente.

Uma mulher

A impossibilidade de se ser
Um futuro para além de si
Nasce num pedaço de passado
Que ficou por viver.

E ficou nesse tempo
Onde ainda não se é,
Mas que se entende que tudo cabe
Dentro da palma de uma mão.

Depois, num ápice saltou mulher
Sem o tempo de crescer Mulher
Ser uma Eva que dá a maçã
Sem a dinâmica da serpente.

E fora do tempo
Volta a esse buraco
À procura dos instrumentos
Para conhecer esses momentos.

A ambição de ser completa
Passa pela fusão do passado
Com todo o presente
E integrando essa ausência

E futurando-se numa íbis
Que vindo do princípio do tempo
Fecunda o presente
Na plena prosperidade.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Gerir emoções

Gerir equipas em função da necessidade de protecção emocional é um desastre. Fazer passar a responsabilidade para terceiros torna-a inqualificável.
Todas as pessoas têm qualidades e defeitos. Ninguém pode estar sobre qualquer outra pessoa pelo simples facto que emocionalmente seja necessária.
E pior, não se pode ostracizar alguém com base no medo de expor as suas fragilidades emocionais. Mais tarde ou mais cedo o azeite separa-se da água.

E estes erros podem ter preços mais elevados do que se possa admitir.

Desastres emocionais

A força do afecto
Reduz o sentido
Do entendimento
Chegando, até,
A dar a este
Motivos tais
Que novos mundos nascem.

E, nesses últimos
Apenas resulta
O efeito da ilusão
Que se funda
Na ânsia do amante
Tentar sobreviver.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A espera

Esperei por ti
Como aurora
De um tempo novo

Esperei-me
E não me fiz novidade,
Apenas mais agastado

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Lendo 216

"(...)
Nessa caixa de nada não tardará depois
a não estares só tu,
a não estar só eu,
a estarmos só os dois."

Pedro Tamen, in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013 pág. 19

Enfim...a síntese do amor

Lendo 215

"Não me vejo no espelho em te miro, (...)"
Pedro Tamen, in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013 pág. 19

O que encontrei de belo nesta frase é a possibilidade do poeta entender que, nunca declaração de amor, se sente ausente desse amor, ou seja, que na pessoa amada não se encontra. É a falta da peça que se chama "nós" no amor.

Uma curta para animar

Foi verificado o óbito. Já não respirava, nem o coração batia. Chamaram o médico para assinar a devida certidão de óbito.
O médico analisou o cadáver e após breves momentos ditou o motivo:

- Racionalizou o amor.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Lendo 214

"(...)
2. Não sei o que te invento
se amo mesmo quando não és

Não sei o que te amo
se te invento como és
(...)

Mia Couto in raiz de orvalho e outros poemas, Editorial Caminho, Lisboa 1987, 6ª edição, pág 78

Lendo 213

"(...)
Se chorasse, agora
o mar inteiro
me entraria pelos olhos"

Mia Couto in raiz de orvalho e outros poemas, Editorial Caminho, Lisboa 1987, 6ª edição, pág 73

Muitas vezes, na poesia, são pequenas frases que me encantam.

Poema

Quero planear um amanhã
Que me faça sentir
Satisfeito de ter tido
Esse passado.

Poema redondo

Onde mora o amanhã?
Saiu para parte incerta
E supõe-se que virá
No dia depois de hoje...

Mas tudo não é mais
Que meras suposições,
Pois que o amanhã
É um certo modo
De ser o nunca,

Estou, pois condenado
A ser sempre
O hoje,
O agora.

Amanhã.....
Pois...
Talvez...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Nasci em hora aziaga

E todos os dias,
À mesma hora,
Revivo o tormento
Daquele momento.

E é em absoluta solidão
Que me foge o chão
Onde tudo gera incerteza
À excepção do nada.

E corro atrás do tempo
De todas as referências
De um outro passado
Para vencer o sentido.

Ao findar da hora
Quando a ansiedade
Cansada desiste,
Fico exausto de mim.

Como ser sempre
Esse passado sem futuro?

Caminhos


sábado, 21 de janeiro de 2017

O inverno

O Sol acaba de se pôr numas nuvens que tomam a cor de fogo que se desvanecerá num lilás. A temperatura vai correr atrás desse Sol que teima em se ir embora cedo demais. É o Inverno!

Tirar um pouco de água