No outro dia, e num programa de televisão, dizia uma entrevistada que o seu filho, aos treze anos resolveu ir viver com o pai. Entre algumas, não exaustivas explicações e consequências, falou num "drama social".
Ser mãe é um dom da natureza que as mulheres têm em exclusividade. Geram dentro delas um feto que dá origem a um ser humano que é parido. Durante a gestação têm a possibilidade de desenvolverem mil laços e outras relações intangíveis que após o parto se consolidarão. A própria capacidade de dar de mamar fortifica essa relação, adensa essa misteriosa protecção que a mãe vai significando.
O bebé vai ganhando autonomias e a mãe também. O mesmo caminho começam, naturalmente, a serem dois caminhos. E na criança fica sempre esse elo.
Imagine-se, todavia, que a mãe, por um vastíssimo espectro de motivações, vai tomando sempre a maternidade com um sentimento de imposição, de diminuição da sua liberdade, de supressão da sua independência, da sua autonomia. E, aos poucos, e sucessivamente, passa a ser a mãe do socialmente aceite, do que é suposto ser. Desaparece-lhe o afecto genuíno, natural, quase mesmo o afecto animal. Passa a ser uma relação com óbvios reflexos na, ou nas crianças geradas.
Visa esta reflexão não ser nada mais que uma reflexão sobre o unanimismo de conceitos e ideias que os dias de hoje nos obrigam sem serem minimamente abertos ou permissivos a uma tolerância do modo com que cada um viveu a sua relação maternal, nem como algumas mães lidam com os seus filhos. É tão obrigatório amar, respeitar, adorar e tudo o mais no limite superior do conceito à mãe como é obrigatório respeitar todas as diferenças de opções sexuais. Porquê ligar uma coisa à outra? Porque acredito, precisamente, que uma coisa vem da outra.
Sem comentários:
Enviar um comentário