sábado, 24 de setembro de 2016

Lendo 185

"No espaço de um ano, com grande custo, apenas teremos cem horas de viver juntos... a felicidade de que devemos contentar-nos, é isso?"
Camilo Castelo Branco in Fanny, Parceria António Maria Pereira, Lisboa 1903, pág 68 e 69.

A queixa do amante que vive um amor carregado da incapacidade de ultrapassar as ditas 100 horas pela contingência de viver um amor extra conjugal que para manter a respeitabilidade da esposa e amante. Apesar de ter apenas essas 100 horas para poderem suspirar os mesmos ares, encontra nesse tempo a porta para uma felicidade possível.
Contrapõem-se esta ideia à ilusão do amor numa ilha e numa cabana onde todos os dias o Sol se põe maravilhosamente tornando-se, esta, à vista da anterior um imenso tédio.
O que nos pode contentar no amor? Pode o amor ser contentado? Não serão todas as impossibilidades, todas as adversidades e todas as dificuldades do amor, tantas vezes, o sal desse amor?

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