segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Fanny

O drama escrito por Camilo Castelo Branco, Fanny, em resumo é a história, drama e desconsolo de um homem que ama uma mulher casada, tendo, com um caso amoroso.

Bem sabemos que foi escrito com uma determinada forma estética e no século XIX, no entanto é imensamente ajustado ao sentir do amor. Este nunca é pleno e constante. É fugaz e momentâneo. E, num triângulo tal, é-se sempre perseguido pelo ciúme. "Quem amas mesmo?" A solução desejada implicaria sempre um rompimento e uma desonra ( coisa que nos dias que correm já não tem algum valor, tudo se tornou no gozo imediato). A ideia de "mulher de", era não só do homem, mas da casa e mãe dos filhos.
A leitura evidência uma relação absolutamente tormentosa pela obsessão do amante que sente todas as dores de não ser o marido e de ter de dividir a sua amada pelo marido. Nunca há verdadeiro sossego, apenas quando este se ausenta para fora. Aí, e durante esse período, vive-se na harmonia possível, pois está sempre latente o triângulo.
Mais tarde o marido volta e vem com uma amante. A mulher sente-se traída! Afinal a unicidade do amor não é tão evidente. O caos emocional do amante leva-o à necessidade da prova de fidelidade na relação extraconjugal da sua amada. E na confirmação da infidelidade instala-se uma febre de seis semanas! e o fim do romance.

Leio que reproduz, à sua maneira, um outro triângulo amoroso em que Camilo quase se vê envolvido mas foge dele.

Ler Camilo é sempre um prazer imenso. No caso deste drama, torna-se obrigatório a reflexão dos estados de alma do amante.

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