terça-feira, 20 de setembro de 2016

Concerto e uma lição de vida

 

Ontem a Fundação Calouste Gulbenkian celebrava o seu aniversário e convidou a população para ouvir um concerto de música clássica.

Primeira nota: a perfeita integração do edificado na paisagem e desta na fruição dentro dele. Poder assistir a um converto com a imagem de fundo do imenso arvoredo do parque com a sua vida usual é uma encenação maravilhosa. Quase que se espera que das árvores surja um coelho, uma raposa, um urso e que estes desenvolvam um qualquer conteúdo de acordo com a afinação musical. Ao cair da noite a luz artificial mantém a magia de uma natureza absolutamente animada.

Segunda nota: Conheço a quinta sinfonia de Beethoven há anos e anos, como, calculo, parte considerável da população, pelo que sei a sequência e o que espero da sua melodia e sequência. Com esta premissa foi extraordinário ver e entender a necessidade de cada instrumento na maravilhosa produção do conjunto. O tambor ( terá, seguramente, outro nome técnico que desconheço) com assertivas batidas fazia a sonoridade ser exactamente a que o texto melódico necessitava. A determinado momento, e para quem oiça e conheça Beethoven sabe que assim é, de uma imensa intensidade sonora quase tudo se abstém e apenas um pequeno trompete ( ou seria clarinete?) mantém o som e de uma forma maravilhosa. As trompas, atrás, igualmente audíveis na sua singular sonoridade.

Terceira nota: A grande lição que, como tudo na vida, é necessário um chefe que seja respeitado ( o maestro) e que todos sejam exigentes com a sua prestação para que o conjunto tenha valor. Não se consegue ouvir uma peça de música se houver alguém a mandriar, ou a se exibir, ou simplesmente a esconder-se no conjunto. E para que isto aconteça é necessário estudo, treino, esforço e dedicação. Nada na vida é fácil, oferecido ou caído do céu. Tudo requer trabalho e dedicação. Muito.




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