sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Tempo

O fim não é um momento
É mais que um tempo,
Um ideia,
Uma vocação.

E quando acontecer,
Cessa tudo o que foi
Restando apenas a memória

Some-se os agoras todos
E pulvilhe-se de passados
Será pó ao vento
Nada permanecerá

Apenas basta
Que o tempo passe
Não o meu,
Basto o de uma pedra.

o amor, sempre o amor

"O amor é de curta duração"

Pode a eternidade ser assim tão pequena?

E lá fui


Desci até ti
Perto, muito perto
Até te sentir respirar
Ofegante
Inquieto

Tudo o que espias
O mundo que vês
São palavras mudas
E sentidos trocados
Que apenas os sabe
Quem os disse ao passar
Sem te ver
Sem te sentir

E ao pé de ti
Esperei pelo que ficou
Pendurado no devir.

Os meus demónios


Os meus demónios são assim
A preto e branco
Que se expandem
Por uma luz
Que os amplia.

Os meus demónios são sombras
Feitas de outras luzes
Escondidas em mim
E tremem com o vento
que sopra na minha alma

Os meu demónios são meus
Pessoais e intransmissíveis
Pedaços de fantasias
Em estados efémeros
Que se futurizam

Mais fotografia



fotografia a preto e branco


Voltei

Voltei ao teu olhar...
Sem saber
Sem questionar
Sem entender
E esperei que o som
A sair dos teus lábios
Se convertesse no mesmo
Com que fui baptizado

Voltei ao teu olhar
Voltei a me perder

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Comunicando

Na estrada onde morámos
Pouco nos víamos
Agora nela passa um rio...
E deixámos de nos poder ver.
Nem às margens chegar.

Um aforismo deduzido da poesia lida

É na saudade que mora o paraíso onde tudo é amor.

Lendo 188

“o amor é fiel 
à saudade”
(…)
Maria Alexandre Dáskalos, in Do tempo suspenso, Editorial Caminho, Lisboa 1998, pág 9

Sobretudo porque é na saudade que mora o paraíso onde tudo é amor.

Lendo 187

“talvez o nosso corpo
Seja pequeno
Para ser a casa
Do amor”
(…)
Maria Alexandre Dáskalos, in Do tempo suspenso, Editorial Caminho, Lisboa 1998, pág 7

Apenas uma mínima nota, diria antes assim:

“talvez o nosso corpo
Seja pequeno
Para ser a casa
Do nosso amor”

Ou então passava o amor a Amor.

Mas seja como for é um poema muito bonito.

Sobre os políticos

O político precisa de surpreender.
E eu a achar que o político tinha que fazer o que a população necessita....

Sobre os egos

A dimensão do ego é capaz de transformar realidades, sendo que a realidade é sempre uma construção individual.

Sobre a utopia

A utopia, no limite, é o paraíso. E o paraíso é a saudade do passado que se realiza no futuro ideal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Fanny

O drama escrito por Camilo Castelo Branco, Fanny, em resumo é a história, drama e desconsolo de um homem que ama uma mulher casada, tendo, com um caso amoroso.

Bem sabemos que foi escrito com uma determinada forma estética e no século XIX, no entanto é imensamente ajustado ao sentir do amor. Este nunca é pleno e constante. É fugaz e momentâneo. E, num triângulo tal, é-se sempre perseguido pelo ciúme. "Quem amas mesmo?" A solução desejada implicaria sempre um rompimento e uma desonra ( coisa que nos dias que correm já não tem algum valor, tudo se tornou no gozo imediato). A ideia de "mulher de", era não só do homem, mas da casa e mãe dos filhos.
A leitura evidência uma relação absolutamente tormentosa pela obsessão do amante que sente todas as dores de não ser o marido e de ter de dividir a sua amada pelo marido. Nunca há verdadeiro sossego, apenas quando este se ausenta para fora. Aí, e durante esse período, vive-se na harmonia possível, pois está sempre latente o triângulo.
Mais tarde o marido volta e vem com uma amante. A mulher sente-se traída! Afinal a unicidade do amor não é tão evidente. O caos emocional do amante leva-o à necessidade da prova de fidelidade na relação extraconjugal da sua amada. E na confirmação da infidelidade instala-se uma febre de seis semanas! e o fim do romance.

Leio que reproduz, à sua maneira, um outro triângulo amoroso em que Camilo quase se vê envolvido mas foge dele.

Ler Camilo é sempre um prazer imenso. No caso deste drama, torna-se obrigatório a reflexão dos estados de alma do amante.

domingo, 25 de setembro de 2016

Mentira

- Porque mentes?
- Eu não minto!
- Ao dizeres que não mentes, estás a dizer uma verdade.
- Vês como não minto.
- Não estás a mentir e como tal dizes, mentindo, que mentes.

sábado, 24 de setembro de 2016

coisas próximas do céu


a descer

Na praia onde moras
A areia não aquece os pés,
O Sol não se põe no mar
As gaivotas não voam
Nem o mar marulha.


Sentir

Ao longe havia uma mulher.
Não a ideal nem a única.
A preferida?
Também nem tanto.
A mais formosa?
Nem sei se era de tal modo.
Era uma mulher.
E uma mulher é sempre
A mulher
Que um dia,
Num momento,
Numa circunstância,
Por um instante,
Era a mulher.

É da natureza.
Coisas sem razão
E menos coração
Apenas sentir.

Lendo 186

"O amor próprio, por igual com o amor, tem seus ciúmes, seu pudor, suas torturas."
Camilo Castelo Branco in Fanny, Parceria António Maria Pereira, Lisboa 1903, pág 65

Claro. Chama-se a isso a consciência, a auto-crítica, a auto-análise.
A reflexão do eu devia ser uma constante. Apenas na aprendizagem e incorporação das nossas acções alimentamos devidamente o amor próprio.

Lendo 185

"No espaço de um ano, com grande custo, apenas teremos cem horas de viver juntos... a felicidade de que devemos contentar-nos, é isso?"
Camilo Castelo Branco in Fanny, Parceria António Maria Pereira, Lisboa 1903, pág 68 e 69.

A queixa do amante que vive um amor carregado da incapacidade de ultrapassar as ditas 100 horas pela contingência de viver um amor extra conjugal que para manter a respeitabilidade da esposa e amante. Apesar de ter apenas essas 100 horas para poderem suspirar os mesmos ares, encontra nesse tempo a porta para uma felicidade possível.
Contrapõem-se esta ideia à ilusão do amor numa ilha e numa cabana onde todos os dias o Sol se põe maravilhosamente tornando-se, esta, à vista da anterior um imenso tédio.
O que nos pode contentar no amor? Pode o amor ser contentado? Não serão todas as impossibilidades, todas as adversidades e todas as dificuldades do amor, tantas vezes, o sal desse amor?

Planos de contigência

Em todos os sítios por onde andei profissionalmente desde sempre se criaram, de tempos a tempos, planos de contingência. Não que existissem dramas ou cataclismos emergentes, apenas havia que ocupar mentes demasiado soltas, mas temerosas que, tal como aos invencíveis gauleses, o céu lhes caísse em cima da cabeça! A ideia que se pretende passar é que existe uma tal urgência nessas vidas que possuídas de uma ansiedade vital e essencial, instalam essa coisa horrorosa que se chama medo. Ai e se...? Bom e se acontecesse? No limite a ideia é pensar o que fazer se só ficarmos nós na terra? Como se deixa ver, a ideia por si revela que não faz a mais pálida ideia que o mundo, a sociedade, a cidade onde habita, é feito por muitas outras pessoas que em qualquer dessas "tenebrosas" circunstâncias estariam em igual maré de sortilégio maligno e, por tal, absolutamente nas tintas para elas ou o seu importantíssimo desígnio de salvar o mundo e a porca que tem que diariamente apertar, tal como Charlie Chaplin o ilustrou.

Ou seja, num plano meramente primário, a mera possibilidade de ter que haver uma alternativa operativa global, esquece a natureza do universo onde esta se encontra, pois a se dar tal circunstância, ela não seria circunscrita.

Demos, então de barato, que vamos todos acompanhar o esforço de alguém justificar um nada de facto, entretendo para isso o precioso incómodo de um vasto conjunto de pessoas para demonstrar que, com abnegação, esforço e, sobretudo, com a sua suprema dedicação, a solução pela qual todos passaram a suspirar é viável. Nem se imagina a redução maciça de ansiolíticos e anti-depressivos que tal promoverá! Poderemos até pensar que farmácias criaram planos de contingência para essa possibilidade!

Depois das inacreditáveis reuniões estratégicas, metódicas, funcionais e até de trabalho, vamos chegar aos escolhidos, os contingentes! ( no dicionário diz-me que o contingente é algo possível, mas incerto. Não estou a dizer que os escolhidos sejam incertos, pois que o são seguramente, mas são os possíveis! Essa rara qualidade que só a alguns acontece!)

Como chegamos aos contingentes? A primeira linha são as chefias. Afinal são os que verdadeiramente importam para quem desenvolve estes planos, pois é para lhes dar essa noção de escolhidos, de eleitos que estes planos são elaborados. Eles e as chefias são quem realmente importa. Num cataclismo eles dariam o passo em frente e garantiriam o futuro ( bem sei que a ideia de ficarmos reduzidos a eles e às chefias em si é assustadora, mas trata-se de um pressuposto de quem gere a contingência.) Que importa, afinal, aqueles que são os que diariamente lidam com a realidade, que sujam as mãos nos assuntos, que esventram os problemas, que conhecem a carcaça da entidade? Nada, eles são nada, pois na realidade a contingência é uma mera hipótese académica. É um trabalho onde os todos não existem, não entram nem fazem parte. Pode custar uma fortuna, mas isso é irrelevante, pois que uma vez apresentada e resolvida, todos ficaram muito felizes. É como dizer tenho aqui um seguro fantástico que cobre a possibilidade. Custa uma fortuna, mas a possibilidade fica segura. Quem decide, como não é o dono do dinheiro, fica muito mais tranquilo pois que a possibilidade está segura! Aconteça o que acontecer, não acordará a meio da noite atormentado pela possibilidade. Ela está segura!

E assim se gere e planeia a estratégia neste país!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Mentir

Descobri, facilmente diga-se, que uma pessoa mentiu.
Depois, quando verificava a facilidade com que o fez, reconheço outra e depois outra e mais outra ainda.
O problema foi a primeira mentira, ou a dissimulação da realidade é o seu mundo?

Foto pela manhã


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Concerto e uma lição de vida

 

Ontem a Fundação Calouste Gulbenkian celebrava o seu aniversário e convidou a população para ouvir um concerto de música clássica.

Primeira nota: a perfeita integração do edificado na paisagem e desta na fruição dentro dele. Poder assistir a um converto com a imagem de fundo do imenso arvoredo do parque com a sua vida usual é uma encenação maravilhosa. Quase que se espera que das árvores surja um coelho, uma raposa, um urso e que estes desenvolvam um qualquer conteúdo de acordo com a afinação musical. Ao cair da noite a luz artificial mantém a magia de uma natureza absolutamente animada.

Segunda nota: Conheço a quinta sinfonia de Beethoven há anos e anos, como, calculo, parte considerável da população, pelo que sei a sequência e o que espero da sua melodia e sequência. Com esta premissa foi extraordinário ver e entender a necessidade de cada instrumento na maravilhosa produção do conjunto. O tambor ( terá, seguramente, outro nome técnico que desconheço) com assertivas batidas fazia a sonoridade ser exactamente a que o texto melódico necessitava. A determinado momento, e para quem oiça e conheça Beethoven sabe que assim é, de uma imensa intensidade sonora quase tudo se abstém e apenas um pequeno trompete ( ou seria clarinete?) mantém o som e de uma forma maravilhosa. As trompas, atrás, igualmente audíveis na sua singular sonoridade.

Terceira nota: A grande lição que, como tudo na vida, é necessário um chefe que seja respeitado ( o maestro) e que todos sejam exigentes com a sua prestação para que o conjunto tenha valor. Não se consegue ouvir uma peça de música se houver alguém a mandriar, ou a se exibir, ou simplesmente a esconder-se no conjunto. E para que isto aconteça é necessário estudo, treino, esforço e dedicação. Nada na vida é fácil, oferecido ou caído do céu. Tudo requer trabalho e dedicação. Muito.




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quem se arrasta

Podes encher o tempo de coisas, se delas nada extrais, apenas andas a fugir à morte.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Caixa de pandora ou da ignorância

Uma revista de história, naturalmente não portuguesa, pois estas só conhecem o século XX, abre-me para o grande tema dos Templários. O mínimo que descubro é que estes estão na origem da banca.

domingo, 11 de setembro de 2016

O amanhã

Que te espera amanhã.
Nada.
Não há expectativa.
Tudo será igual.
As mesmas querelas
As mesmas fitas
As mesmas mentiras
As mesmas encenações
Os mesmos encobrimentos
As mesmas fantasias
As mesmas desilusões
O mesmo vazio
Igual
Desesperadamente igual

Triste esta história do e no meu país.

A praia e o Oeste


sábado, 10 de setembro de 2016

Mesmo escondido


No mais fundo e empedernido racionalismo, todos temos, lá ao fundo, um lugar para a fé. Tenha ela a forma que tiver. Negá-la é uma guerra perdida.

Ponte


Sobre o Rio Lizandro

Pontos de segurança


Há tantos na nossa vida que são apenas uma sugestão....

escadas


Fotos diferentes


Esta posição, quando o peito é comprimido e por isso se expande por onde pode, ainda que nada tenha de sexualmente explícito, possui uma natureza sexual implícita muito forte.


Ericeira


Passei pela Ericeira no caminho de outro destino. Mas nunca consigo passar só pela Ericeira. Foram muitos verões seguidos, praias sobre praias e sempre este hotel na minha vista.


Aconteça o que acontecer terei pela Ericeira sempre uma calorosa memória.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Em dobro


A cruz de cristo na forma, também, heráldica dos Pereira.

O mar

Vim ver o mar.
Esperando que ele
Vendo-me novamente
Dance, outra vez, para mim.

Vi o fim

Vi o fim.
Sem poesia
Ou figuras literárias
Ou de estilo.
Apenas o fim.
Fui a cama 7,
Depois a 3.
Com cateteres
E eléctrodos.
Deixou de haver tempo
Apenas bip's sucessivos
Deixou de haver espaço
Apenas uma cama
Nada foi alegórico,
Nem sequer sugestão.
Foi o preto e branco
Sem luz
E foi tão solitário
Como foi nascer.
Apenas ficar deitado
E esperar....

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

sábado, 3 de setembro de 2016

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O homem


Percebe-se, ainda, uma forma geométrica que é interrompida por um pilarete. Poderáser um marco geodésico que ajuda a medir a terra. Mas o espaço que ficava entre o que terá sido um ponto de vigia é o que mais entusiasma. No fim da ilha, de modo a ver todos os movimentos marítimos de Peniche à Nazaré, muitos ali ficaram de vigia. E tanto no Verão, como no Inverno. Num círculo com 2 metros de diâmetro...

Natureza no Baleal


A rocha entre no mar inclinada. A ideia das linhas que temos nem sempre admite esta ideia.



Baleal



Para onde vais?
Para o mar dos meus sentidos. É ali mesmo à frente.

Baleal


Encantador para tomar um chá. Fica no nosso imaginário o que pode ser por dentro.

Baleal


No fundo da ilha que é, de facto, um istmo, está esta capela que dizem edificada no século XVI ou XVII. A Fé do homem que para lá de todos os racionalismo insiste em prevalecer.