quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Refazendo o existente

Durante anos fizeram, diariamente, o mesmo percurso. Esperaram e correram ao mesmo tempo. Riram e chatearam-se pelos mesmos motivos. Fizeram as mesmas conversas e tiveram os mesmos temas. Descobriram razões e, também, algumas emoções. Terão feito o mesmo caminho onde traçaram uma intenção de destino. Foram, durante um tempo, quase os dois num. E foram assim, como foi o tempo.
Sem saber e sem se querer, um dia, um foi deixando de ser o um para o outro. Deixou de fazer o percurso e passou a andar ao lado. Não fazia já a conversa, mas ouvia e, se calhasse, opinava. Passou a sorrir quando o outro ria, a concordar em vez de apoiar. Os caminhos passaram a ter destinos diversos. 
No meio ficou a cumplicidade do que nunca foi mas poderia ter sido. Um livro cuja capa foi aberta permitindo que todos os enredos fossem inventados. Não aconteceu a audácia de se fazer romance, drama ou apenas uma novela.

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