domingo, 7 de agosto de 2016

Para mastigar devagar.

Quanto vale a expectativa no ser humano?

O pequeno homem escraviza-se de mil assuntos que dá como interesses e faz deles o centro de um identidade. Não procura dentro de si a razão de ser católico ou ateu. Não encontra dentro de si a razão de ter determinada orientação política. Ajuíza sem uma fundamentação, mas porque adere a um grupo. E cada vez mais o grupo corrói a dinâmica individual da reflexão.

É-se testemunha de um acto injusto e faz-se silêncio absoluto na alma e na acção. É-se conivente pela inacção. E essa conivência deve-se à adesão ao grupo que sem fundamento moral ou ético, apenas requer que não se manifeste. Fere o imediato, ganha corrói o futuro e descredibiliza o longo prazo. Assim é na injustiça, na corrupção, no pequeno pecadilho.

O drama é que esse silêncio, num primeiro momento recolhe dividendos, tenham eles a dimensão que tiverem, e num segundo diminui a intolerância ao erro. Tudo pode, no limite, vir a ser aceite.

Na minha vida tenho um rol de "amigos" porque nesse momento crucial não comprei o silêncio, comprei a minha paz interior. Fui um cristão, agi como um cristão, falei e intrometi-me ( obviamente que muitas vezes mais desastrado que um perfeito imbecil), mas fiz questão de não deixar calar o erro moral.
O tempo, obviamente e sem nenhuma novidade, tem mostrado vezes sem conta que a minha posição era a correcta e que o preço a pagar é muito superior ao que eu paguei pela afirmação do erro. E ninguém quer reconhecer que em tempo oportuno havia dado a devida nota. Inclusivamente ganhei um interlocutor obrigatório que às minhas frases, opiniões ou reflexões, age de má cara quando não mesmo ao coice. Não ganha a razão, mas descarrega a sua frustração de não conseguir ter um eficaz centro moral.

Eu não o pedi. Reflicto alguma coisa e agradeço a quem me deu a minha capacidade de pensar, pois tudo o que penso não é meu, foi-me dado para utilizar.

Percebo, sem nenhuma dificuldade que estou condenado a ser o inconveniente, o que não interessa, o que chateia. Mais entendo ainda melhor que o futuro é um caminho cada vez mais estreito.

Sem comentários: