quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Lendo 172

A 15 de Março de 1751, D. José I fez publicar uma nova lei.

«Faço saber aos que esta lei virem que, por me ser presente que de alguns tempos a esta parte se frequenta o delito de se porem cornos nas portas, e sobre as casas de pessoas casadas, ou em partes em que claramente se entende se dirige este excesso contra as mesmas pessoas; e por desejar evitar estes delitos, de que resulta atrocíssima injúria àqueles contra quem se cometem, e grande perturbação à paz, e quietação necessária entre os casados; e tendo outrossim consideração ao que sobre esta matéria me foi presente em consultas da Mesa do meu Desembargo do Paço: Hei por bem que este caso seja de devassa: e mando a todos os corregedores, ouvidores, juízes e mais justiças a que o conhecimento disto pertencer, que, sucedendo este caso, ou tendo sucedido de dois anos a esta parte, tirem devassa deles na forma que o devem fazer dos mais, de que por seus ofícios são obrigados a devassar; e outrossim mando ao Doutor Francisco Luís da Cunha de Ataíde, do meu Conselho, e meu chanceler-mor, faça publicar esta lei na Chancelaria, a qual se imprimirá, e enviará por ele assinada à Casa da Suplicação e Relação do Porto e a todos os julgadores dos meus reinos, para que procedam na forma dela.» 

Enquanto me entretenho a documentar-me sobre o século XVIII, eis que me deparo com esta pérola. 
Imagine-se a maldade que reinava antes desta norma. Alguém resolve fazer o chamado "olho gordo" à vizinha e, para adiantar caminho, toca de colocar uns cornos na porta do vizinho, este fica de mal com a mulher e o nosso vizinho, qual conquistador sem amanhã fica logo com porta aberta para consolar a pobre inocente... daí à concretização da afixação é só uma questão de habilidade do conquistador. 

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