domingo, 3 de julho de 2016

Lendo 164

"Sim, beijei-a...
-Perdão, beijámo-nos."
João Gaspar Simões in Eduarda, colecção Novela, Lisboa 1942, pág 11

A tragédia do homem que se supõe o motor do amor e do afecto e se esquece tantas e tantas vezes que sozinho nada se faz. Não se beijam os lébios de uma mulher se essa mulher não beijar, também, os nossos. O beijo, esse encontro, resulta de dois encontros. No entanto o que vale quase sempre, ou que se sobrepõe é mais a frase: "roubou-lhe um beijo" quando o acto volitivo é apenas masculino, mas, e ainda assim quando o recebe, e se o aceita, aceita o roubo e devolve na pressão dos lábios juntos dos do ladrão, que, nesse momento deixa de o ser passando a ser um homem.

É neste encanto maravilhoso da relação homem e mulher, neste equilíbrio sempre instável mas que cada um sabe do seu lugar e do que se espera que se trava a batalha do amor e dos afectos.

Sem comentários: