quinta-feira, 23 de junho de 2016

Lendo 159

“Ainda não sabia como havia de fazer, mas no quarto que ocupava, situado a meio caminho entre a zona nobre e o acesso à capela, ía meditando todas as noites na maneira de a seduzir, acompanhando essas meditações das práticas solitárias com que costumava aliviar-se dos escandecimentos sempre que não tinha outro recurso à sua disposição.”

“A mosca espanhola, também conhecida por cantárida, teve como resultado exacerbar notavelmente a excitação e os ardores com que Teodoro de Azambuja a galgava, sem que ele desse quaisquer sinais de exaustão ou simples fadiga e muito menos de se achar próximo do fim.
Arquejando sob esses ímpetos animais, Violante acabou por ficar ainda mais dorida e molestada. Por vezes, de manhã, custava-lhe a andar, tais as dores que sentia no baixo-ventre e nas articulações.”

“(…) Joana e Violante descobriram uma até então insuspeitada dimensão erótica para o seu relacionamento, o que acabou liga-las ainda mais.
Faziam confidências acerca das suas vidas e dormiam agora muito agarradas uma à outra no mesmo beliche, acariciando e beijando-se ternamente atingindo paroxismos que por vezes lhes pareciam os mais deliciosos que tinham experimentado.”

“Tendo acabado de encher dois cálices de Porto, Violante estendeu-lhe um, olhou-a bem nos olhos e pôs-se depois a sossega-la entre carícias suaves. Molhava a ponta dos dedos no vinho doce e passava-os pelos bicos do peito de Joana e depois lambia-os muito devagar, enquanto ía murmurando que não se sentia nada viciada, mas fascinada pelo pano verde.”

Excertos do livro “Os desmandos de Violante”, terceiro de uma sequências de novelas de Vasco Graça Moura, notável poeta e ensaísta.

A uma dimensão erótica na literatura que acabam por ter o gosto especial da malandrice. Um prazer mais pequeno do que o erotismo vivido, mas um certo espreitar pelo buraco da fechadura....

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