quinta-feira, 5 de maio de 2016

Lendo 148

"Constança Manuel acabava de despertar para a adolescência; sentia pela primeira vez uma melancolia sem definição, que era a consciência mesma da memória" António Cândido Franco, in A Rainha Morta e o Rei Saudade, Ésquilo, Lisboa 2005, página 19.

A "melancolia sem definição", o raiz do filosofar, aquele estado de alma que nos empurra para uma centralidade que sai fora de nós. É uma melancolia que é um alheamento.
A adolescência ao mesmo tempo que abre, escancara mesmo, as portas do afecto, do amor e absolutamente da concupiscência, vai abrindo dimensões ao pensamento, formas e modo de integrar diversos conteúdos sobre o mesmo dado. A coisa desintegra-se fisicamente e explode intelectualmente. E, no deslumbre da imensidão, acontece essa melancolia.

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