quarta-feira, 18 de maio de 2016

Benção das fitas

Há 27 anos lá estava eu no campo do estádio no Inatel vestido conforme manda o figurino e com as fitas amarrotadas no bolso. Umas tantas escritas e assinadas e outras tantas nem sei bem como e perguntava-me:
-"Para que serve esta cerimónia?"
As ditas fitas apenas as vi na meia dúzia de dias antes. Pasta nunca tive alguma que tivesse espaço para albergar semelhantes objectos. E assinei uma, ou mais dezenas delas com a mesma impressão que se assina um daqueles cartões de parabéns colectivos, ou seja, frases de circunstância, apenas.
Sempre tive alguma dificuldade em entender a excitação que rodeava o referido acto. Provavelmente é um ritual iniciático de uma qualquer coisa que me ficou apartado.
Não me recordo de nenhum dos meus irmãos ter ido, assistido ou sofrido semelhante trato.
Quanto aos meus pais, calculo que também lhes foi absolutamente indiferente.

Hoje sou pai de dois fitantes.
O primeiro já me disse que tinha mais que fazer. Está em época de testes e exames e não tem a perder com irrelevâncias. Um pouco excessivo, mas vindo de quem vem, faz completamente o seu tipo. Jantar de finalistas tem sentido. Baile de finalistas tem sentido. Festas de finalistas tem sentido. Benção de fitas? Para quê?
A segunda já tem um percurso espiritual onde a ideia de benção tem sentido. Não serão as fitas em especial, mas a ideia de um percurso espiritual que vai fazendo e, nesse sentido, recolhe a benção da vida. É uma crente e entende o acto como um acto mais religioso que profano, vivendo a parte religiosa e acomodando-se à parte profana por mera convivência social.

E agora, como pai que fazer?

Sem comentários: