terça-feira, 31 de maio de 2016

segunda-feira, 23 de maio de 2016

e, no fundo,....

fico tantas vezes preso a mim que já nem se sei se perguntei por ti.

Ainda vives?

e...

Era capaz de chorar
Sérias lágrimas
Coisas doridas
E amores sofridos

Mas que te importa isso?
Que mares admiras
De ondas alterosas
Que te esquecem de mim...

Brindes matinais

Não entendi se foi um ataque de apenas insensatez, se chegou a ser maldade ou, o que mais me preocupa, estupidez muito mesquinha.

Valeu-me uma seca de mais de hora e meia de trabalho inútil para demonstrar que tinha razão na minha observação e tese.

No final ninguém retira a justas e necessárias deduções, muito menos com a devida amplitude dos actos e motivações e ficamos na mesma.

O que é lastimável é que o mundo está cheio de gente que por incapacidade intelectual e moral de olharem mais que narinas se deitam a infectar o mundo que lhes corre em frente. Amanhã lá se lembraram de outra tolice e dela farão outro cavalo de batalha que, pela sua natureza, se desmoronará como um baralho de cartaz. Não são temas nem assuntos. É inveja feita atitude. O que ainda é mais feio e desagradável.

Vou rodando


sexta-feira, 20 de maio de 2016

curta

Foi fazendo a sua vida sem grandes pensamentos. Cada dia seguia o anterior e os planos eram concebidos assim que se apresentavam e iam no fluir normal do que se ia acontecendo. Era generoso para com o mundo, pois pouco pedia e ía aceitando o que recebia. Aos poucos o tempo, o tic-tac biológico começou a perguntar-lhe o que queria para si? Era este seguir com o mundo que o rodeava, ou qualquer outra coisa? A pergunta atormentou-o, pois que havia perdido noção que as suas outras coisas se haviam perdido no tempo que gastava na sua vida. Deixara de ter outras coisas ou tempo para elas?
Achou que parte do que havia perdido foi tempo para elas, pois que sabia, e bem que coisas eram essas. Tinha uma ideia muito definida sobre elas. Mas tinha apenas essa ideia. A ideia dessas coisas ideais. E ficou parado a suspirar na linha do horizonte.
Como posso eu voltar a dar dimensão e corpo às minhas ideias e àquilo que gostava de dedicar o tempo?

Ficou em modo de pausa, em ponderação. Já passou o tormento do reencontro com o seu mundo ideal. Apenas falta cumprir o que de lá haja para haver.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

488

488 poemas, ou escritos em forma, ou modo, de poesia.

Nem sei o que vale, nem se vale, nem nada.

Que coisa esta de viver atormentado.

Outro tempo

Já estivemos deitados
No mesmo sonho,
Na mesma vontade
E na mesma ilusão.
E aí dormimos juntos
De abraço apertado
Fomos de mão dada
Nesse caminho
Onde havia possibilidade,
Um quase futuro.

Onde estivemos
Foi um tempo eterno
Único
Que apenas se revive
Calorosamente.



Ahhhh.....

Que farias eu
Se te visses a ti
Na pessoa que és
E sabendo o sentes?

Ahhhh........

Quanta miséria
E até demência
Invertes as palavras
Assim como o sentido

Ahhhh......

E, ainda assim,
Com muita veleidade
Insistes, ousas até
Em fazer juízos!

Ahhhh.....

Morre, mortal
Reduz-te a pó
Que se desfaz no vento
Invisível.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Benção das fitas

Há 27 anos lá estava eu no campo do estádio no Inatel vestido conforme manda o figurino e com as fitas amarrotadas no bolso. Umas tantas escritas e assinadas e outras tantas nem sei bem como e perguntava-me:
-"Para que serve esta cerimónia?"
As ditas fitas apenas as vi na meia dúzia de dias antes. Pasta nunca tive alguma que tivesse espaço para albergar semelhantes objectos. E assinei uma, ou mais dezenas delas com a mesma impressão que se assina um daqueles cartões de parabéns colectivos, ou seja, frases de circunstância, apenas.
Sempre tive alguma dificuldade em entender a excitação que rodeava o referido acto. Provavelmente é um ritual iniciático de uma qualquer coisa que me ficou apartado.
Não me recordo de nenhum dos meus irmãos ter ido, assistido ou sofrido semelhante trato.
Quanto aos meus pais, calculo que também lhes foi absolutamente indiferente.

Hoje sou pai de dois fitantes.
O primeiro já me disse que tinha mais que fazer. Está em época de testes e exames e não tem a perder com irrelevâncias. Um pouco excessivo, mas vindo de quem vem, faz completamente o seu tipo. Jantar de finalistas tem sentido. Baile de finalistas tem sentido. Festas de finalistas tem sentido. Benção de fitas? Para quê?
A segunda já tem um percurso espiritual onde a ideia de benção tem sentido. Não serão as fitas em especial, mas a ideia de um percurso espiritual que vai fazendo e, nesse sentido, recolhe a benção da vida. É uma crente e entende o acto como um acto mais religioso que profano, vivendo a parte religiosa e acomodando-se à parte profana por mera convivência social.

E agora, como pai que fazer?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Fui ao horizonte

Olhei a serenidade
O canto dos pássaros
E o vento que corria
A empurrar o tempo lento.

Senti-me lá ao fundo
Naquele ponto difuso
Onde nada alcanço
Mas sei-o um todo.

Nem o pássaro, nem o vento,
Nem a cancela a ranger
Apenas o horizonte
Ao fundo, comigo lá.

Rapidíssimo

Corre rápido o que penso
Que me perco a meio
Ficando, às tantas,
Com o sem meio de ser.

Explode a intenção
Que se quer com sentido
Fujo-me a meio
E no fim, fico perdido.

E havia sentido em tudo
Pois que assim o entendi,
De um nada ao outro
Tudo se fazia um todo.

CUrta

E veio seco de amor. Mas dizia que todas amava.
A todas desejava, não o amor concupiscente e carnal. Nem a vontade de possuir. Apenas o desejo de ser amado. De ser desejado.
Foi ficando cada vez mais seco, e continuava a todas amar.

Nunca entendeu que o que desejava era amar-se.

Poema

Quero o nada
Mais que a ausência
A plenitude vazia
O todo sem parte alguma.
E nele reter-me
Em silêncio
Meditando
E, claro,

Suspirando-te

Era para ser

Um dia pensei em escrever um texto, cheguei mesmo a começar, sobre a aventura de um alguém que queria abrir um restaurante e via-se confrontado, por transposição de norma comunitária, a ter de fazer não as duas casas de banho para cada género, as três.
Sempre que contava esta ideia a alguém, todos, de um modo ou outro, achavam que a ideia que apresentava era para fazer pouco, ou achincalhar todos os que seguem a "terceira via".


"Obama decide. Alunos transexuais vão à casa de banho que quiserem."

Até aqui me sinto um pouco visionário. Obviamente que o meu fito era brincar com a ideia, perguntando o tamanho, que tipo de instrumento colocar, as cores a pintar, e mais uma série de malandrices que colocariam em causa a especificidade física de cada género e o seu modo de se livrar do que o corpo determina, mas, digamos, entrava, claro está naquilo que hoje temos como códigos específicos de cada género e não a escolha que cada um faz ou fez.
Evocaria também os malandros, os voyeurs e outras figuras de estilo que num mundo que circula o prazer se perdem nos detalhes.

Fica o apontamento de uma ideia que já tem mais de uma década dentro do meu ideário.

Lendo 151

"O prazer não conta os dias, ao contrário do pezar, que os enumera um a um." António Cândido Franco in A Rainha Morta e o Rei Saudade, Lisboa Ésquilo, 2003 pág 26

Faz parte da natureza do homem reter-se e, sobretudo remoer-se nas suas dores. Não faz o mesmo nas alegrias nem nos momentos de gratificação.
Uns entretêm, outros comprimem.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

De olhos fechados

Deixa-me fechar os olhos
E voltar a um tempo
De tão novo que já é velho
E  tão difuso...

Não é sequer o que foi...
A vontade moldou-o
Já nada é concreto,
Apenas uma emoção,

Um conforto de estar
De olhos fechados
A aquecer a memória
Não fosse a saudade.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Mudanças

Por um tempo, apenas queria papel e um lápis. Sempre o mesmo lápis. Só esse lápis. E fazia tantas coisas...
Depois fui comprando outro tipo de lápis, uma caneta de ponta mole e continuei escrevendo e desenhando.
Depois a caneta foi sendo mais exigente para poder pintar aguarelas por cima e continuei fazendo tudo isso e até pintando.

Hoje tenho tantas canetas, lápis, pincéis e afins... Fui ficando mais exigente, não só o material como com o resultado.

Ao mesmo tempo que ando para a frente vou sentido que ando para trás.

Lendo 150

"Há remédios que agravam o mal. A guerra é um deles". António Cândido Franco in O Amor de Pedro e Inês de Castro, Ésquilo, Lisboa 2003, pág 54.

Parece daquelas frases de sabedoria oriental, mas é, apenas uma reflexão de um romance histórico sobre Pedro e Inês. Quando a nossa alma se predispõe para a melancolia, para a tristeza o pior mesmo que podemos fazer é levantar uma questão com alguém ou com alguma coisa. Já basta a nossa indisposição. O ideal mesmo é em circunstância alguma abrir um conflito, mas isso é sempre mais difícil

Em insónia

Se tivesse por aqui
Um nada de mim,
Um pequeno pedaço
Que tivesse aquela luz...

Mas o negro é vezeiro
Quase chegando a ser gente.
Carrega a dor costumeira
Que humedece o mundo



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Haverá futuro?

Vivemos num tempo em que nada importa ao chamado mainstream ( a mediania). Só as margens são apoiadas, toleradas, incentivadas, estimadas e estimuladas.
Se algo não for suficientemente diferente, ninguém toma a devida atenção. Acontece, todavia, que a vida daquilo que hoje temos como o homem é o resultado de uma lenta e progressiva evolução ou mudança.
No tempo presente tudo tem que ser agora, já!, completamente e, sobretudo ininterruptamente. Não há ninguém disposto a avaliar as consequências no agora e no hoje e muito menos no futuro. O futuro cessou de existir. O homem só está no agora.

Consequência filosófica deixou de haver espaço para pensar a saudade, pois esta só tem sentido na futurização do passado, acto reflexivo que se projecta do tempo inicial no fim do tempo, ou seja no paraíso.

Ao almoço, ou depois dele


A bondosa senhora com alguma experiência de vida sempre agarradinha à sua mala

E espaço de recordar amigos


O original e a cópia



Copiando mestres



Prefiro desenhar mulheres a crianças

E insiste


Um rosto de Da Vinci... Mestre é mestre e com alguém tenho que errar, errar, errar, errar para aprender

Tentando


Em menos de 1 minutos replicar o corpo de uma mulher deitada.

Arremessos de fatalidade

Andava como se fosse um destino trágico. O seu passo era uma subida constante para um qualquer altar onde iria ser sacrificada por uma queda sua que não conseguia verificar no tempo nem no acto. E, por isso mesmo, o seu passo era firme e resoluto que se reflectia na firmeza do seu peito que fazia ressoar cada passo num ritmo impressivo. O olhar deixava, também algum desdém, e por isso fazia sobrepor ao nariz recto e doce e ligeiramente arredondado. Em definitivo não convidava a uma aproximação. E como sofria por isso...
E olhava-se no espelho, cheirava-se com o aroma das águas de cheiro que fazia deslizar sobre si. Fazia tombar a roupa que escondiam as linhas do seu corpo e, outra vez, sofria pela solidão desse corpo.
Percorria, ligeira, os dedos pelas formas do seu peito e o sabor era sempre o mesmo, o dos seus dedos.
E recolhia a sua cara entre as mãos numa angústia moral. Como seria possível ser amada, ser cortejada e possuída sem o peso da queda moral? Pode ser mulher sem ser um ser moral?

terça-feira, 10 de maio de 2016

Diálogo

Gostava de te dizer uma coisa,
Um assunto meio,
Com princípio, meio e fim,
Um sugestão que me ocorre.
E, curiosamente, logo logo
Me dizes algo diferente
Que afasta o que te quero dizer
Que se trata da tua vida
E que surda a minha
Como se não fosse coisa alguma,
Sobre o que te incomoda,
Ou, apenas, te salta entre a língua.
E quando volto a insistir,
Nas palavras minhas,
E até dores ou tormentos,
Volto a ficar na casa da partida,
Porque nunca apanhas o caminho
Do sentido das minhas palavras.
Vou falar comigo, então,
Pelo sou forçado a me ouvir.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Lendo 149

"Depois dele [ Dom Pedro], a morte deixou de existir e foi substituída pela saudade. Foi ele que arrancou Inês à morte e ao esquecimento;” António Cândido Franco in O Amor de Pedro e Inês de Castro, Ésquilo, Lisboa 2003, pág 29.

A noção de imortalidade implícita que o amor arrebata à vida e apenas numa esfera sobrenatural se entende. 

Arrancar à morte é uma noção que mostra bem que a pessoa cessa de existir, ou sequer de ter existido.  A sua dimensão deixa de ser a do tempo e passa a ser do Amor e da Saudade. Inês e Pedro saem do seu lugar do mundo.

domingo, 8 de maio de 2016

Mais intenso


Avec tendresse


mais traços


Em traços rápidos


Mais mulheres


Quase no limite

Sei que estás a dormir.
Deixa-me entrar nos teus sonhos e ser aquele que te faz sorrir, e sonhar

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Estava na fila


Estava à minha frente


Desenhando



assim, um pouco mais

Os seus olhares cruzaram-se e perderam-se um no outro. Ambos deixaram-se ir nesse olhar e sem se atreveram a preocupar-se estavam já à mínima distância. E, num nada, os seus lábios recolhiam o sabor da entrega. As pulsações agitavam a vontade e sem nenhum constrangimento já se abraçavam sem roupa, percorrendo-se um no outro, entregando-se ao momento.

E passa, nem um instante demora, é um calor que se acende, ferve e depois deixa-se arrefecer. O olhar deixou de olhar e passou a contemplar o momento.

Mais uma vez ou outra vez a primeira vez?

Que mistério há no encontro que consegue levar tudo pela frente?

Despertar

Deitado na cama olhava para o relógio e esperava que o dia rompesse. Como pode ser romper? Romper implica um acto agressivo, uma violência, rasgar alguma outra coisa para daí sair. O dia não rompe nada, nem rasga nada. O dia muito suavemente chega, como aquele afago, aquele beijo que nos retira do sono suavemente e com um gosto doce.
Fechei os olhos e um luz azul cinzelada instalou-se sobre o meu imaginário.  
Já não há descanso, um formigueiro começa a instalar-se nesse azul cinzelado abrindo cores sobre cores e mais cores. E com tudo isso uma luz intensa vai-se instalando. Não me consigo abandonar nem deixar-me ir apenas atrás de um tom... Tudo se mescla e os encarnados e os amarelos começam a parecer mais vivos e luminosos e até os azuis são mais intensos...

O dia começa quando dentro de mim se abre a paleta das cores.

Lendo 148

"Constança Manuel acabava de despertar para a adolescência; sentia pela primeira vez uma melancolia sem definição, que era a consciência mesma da memória" António Cândido Franco, in A Rainha Morta e o Rei Saudade, Ésquilo, Lisboa 2005, página 19.

A "melancolia sem definição", o raiz do filosofar, aquele estado de alma que nos empurra para uma centralidade que sai fora de nós. É uma melancolia que é um alheamento.
A adolescência ao mesmo tempo que abre, escancara mesmo, as portas do afecto, do amor e absolutamente da concupiscência, vai abrindo dimensões ao pensamento, formas e modo de integrar diversos conteúdos sobre o mesmo dado. A coisa desintegra-se fisicamente e explode intelectualmente. E, no deslumbre da imensidão, acontece essa melancolia.

Ás vezes é assim

Corria um monólogo onde um actor de circunstância repetia o discurso de alguém, como convém, aliás. A seu lado, feito acólito, estava a companhia em silêncio e cabisbaixo. O tempo desse acto terminou e apenas a companhia se manteve em cena. E perguntaram-lhe:
- Então tu concordavas com aquelas coisas todas?
- Eu???? não!, de todo!
- Como assim?
- Não viste que estava calada?
- Há silêncios que são cúmplices, pois permitem que se repitam frases que não são verdadeiras, para além de forçarem intenções.
- Mas não podia fazer nada...
- Podias sempre
- Sim...
- Ninguém te obriga a estar ali.
Calou-se. Pensava mais no seu futuro do que na verdade, na justiça, na circunstância e.... no palerma que me chagava! Raios o partam!

O tempo passou e hoje treina para actriz.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

O original e a cópia



Mais um desenho


- Uma mulher????
- É verdade....
- Não sabes fazer outra coisa?
- Não.
- Não achas  graça, é?
- Não, não acho graça.
- Ahhhhh esquisito!

brincando

E sussurrou baixinho ao ouvido:
"Levava-te até ao fim do mundo"
Ela fechou os olhos e deixou tombar a cabeça para trás e voltou-se para ele na expectativa de receber o beijo que selaria esta certificação.


Tudo podia continuar assim:
E juntos, num longo beijo, saltaram de um arriba para o mar revolto de Março. ( não era capaz de dizer secamente do topo de um prédio, é que mesmo fazendo uma piada parva, o mínimo que se pede é que tenha encanto, mesmo na morte.