sexta-feira, 4 de março de 2016

Uma pessoa burra

Conheci uma pessoa a quem o criador entendeu por bem não atribuir capacidades de entendimento particularmente ginasticadas pelo que é aquilo a que se poderia chamar, uma pessoa burra. Não que fosse estúpida, era apenas burra. Bom, entenda-se que o facto de não ser estúpida não significa que não deixasse de acometer uns bons actos de perfeita estupidez mas a estupidez não lhe era o ponto forte. Era mesmo burra.

Acabava por chamar a melhor misericórdia de cada um. Era aquilo e, portanto, todos davam o devido desconto. Não havia grandes expectativas e assim todos se contentavam com o que havia a recolher. Qualquer cenoura servia para a motivar e a sustentar.

Um dia, há sempre um dia que muda o modo de se olhar o mundo e fazer dele algo diferente que nos surpreenderá, um dia outra pobre de cristo deu por si a acalentar este pequeno ser criado a ideia que nela também havia exercício palpável de actividade inteligível. Foi como se dissesse a alguém que agora podia voar e esta, tão atenta a essa nova aptidão logo se estatela no chão provocando um mar de mazelas. Assim foi então. Sem surpresas os equívocos foram-se sucedendo na escala possível.

Aconteceu, por surpresa de muitos, que afinal não estava só, para além da burrice que lhe era devidamente reconhecida, acoplou-se a confusão de agregar discursos inteligíveis passando a produzir confusões ainda maiores. Não só não entendia, como criava enredos e confusões onde nada havia por incapacidade de organizar o mundo mais que a sua contingência.

A meio caminho deste descalabro passou a ter público fiel, crente e convicto das suas burrices.

Trata-se de um enredo fictício baseado em pessoas reais. Diria mesmo, demasiado reais. Tanto a burra como os crentes. Um mundo burro, portanto. E eu nele! Terei que aprender a surrar?

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