segunda-feira, 28 de março de 2016

lendo 140

"Deus está vazio
de todas
as suas obras"

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 67

O discurso figurado é sempre complicado. Deus NUNCA ESTÁ, pois Deus, em bom rigor É sempre e totalmente. Deus não entra no tempo, não tem tem estado ou circunstância. O Homem é que tem estados, modos e circunstâncias. Contudo, sejamos simpáticos para o autor e admitamos que entendeu ele escrever este trio, este haiku, com o sentido de ser/fazer queixinhas da ausência de Deus no homem. O homem saiu de Deus deixando, pois, enquanto sua obra, vazios Dele. Mas, e ainda assim. voltamos a um homem maior que o seu sentido. Esse homem não está vazio de Deus, mas distraído de Deus. Olha para o mundo muito convencido de si mesmo e da sua pequena razão que lhe dá muitas certezas, muitos raciocínios e sequências sentenciais que o afastam da sua interioridade.

Prefiro sempre levar o homem para si mesmo e, nessa medida, a Deus, do que esta modalidade verbal. Enfim... haiku.


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