quarta-feira, 30 de março de 2016

Acabou a festa que não chegou a começar

Acabou a festa que não chegou a começar

Algures, em lado algum,
Havia, assim, uma ideia,
Uma emoção de futuro,
Ou mesmo uma vaga sugestão
De coisa nenhuma a haver
Um nada condenado a não ser
E por isso melancólico.
O que era para ser
Se tivesse alguma vez sido
Sequer sugestão de ser.

Tudo se resume a saudade
De nada de sempre,
Mas em afecto.

E dizia

"Ai se tu tivesses de aturar o que eu me aturo...."

segunda-feira, 28 de março de 2016

frases

Quando falas com uma mulher
Certifica-te que falas com ela
E não com os seus afectos.

Frase armada em poesia Haiku à maneira do Pde José Telentino Mendonça

Lendo 146

"Vive como quem constrói uma imagem
uma imagem
que desaparece."

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 60

Amigo e poeta Padre José Tolentino de Mendonça:

Não, obrigado.

Estamos em estradas diferentes, seguimos caminhos diferentes, procuramos coisas diversas. Talvez noutro livro. Talvez a questão seja a poesia Haiku.

Declino a proposta. Vivo não para uma imagem, mas para um encontro mais concreto, sincero, justo e amoroso comigo. A imagem, por mais que se diga será sempre um espelho de uma ideia. É fora do homem.

Lendo 145

"A brisa arrasta pelo pátio
restos
de uma antiga dor."

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 68

A dor é sempre a mesma, apenas a revisitamos em diferentes modos.

Lendo 144

"Por pátios e jardins silencioso
se chega ao lugar
da contemplação."

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 55

Dentro dos pátios e jardins da minha alma, onde me dispuser poderei contemplar. Preciso de entrar em mim e serenar a razão para que o entendimento me leve à contemplação que a minha circunstância tiver aptidão.

Lendo 143

"Nas mãos do oleiro
o universo descobre-se 
inacabado"

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 53

Duas notas: Não é nas mãos do homem que o universo se descobre inacabado. Deus é devir constante e em si tudo é sempre.
O universo, o suposto tudo ( uni-verso), não é tema para o homem. O homem tem mundo, e esse mundo não é universal, mas apenas o seu mundo.

Isto não está nada fácil....

Lendo 142

"Os que se assemelham a nada
assemelham-se
a Deus"

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 51

Mais uma liberdade linguística. Eventualmente poesia, eventualmente figurada, eventualmente qualquer coisa.

O que é assemelhar-se a nada? O que é nada? Nada é ausência de tudo, nomeadamente de ser. Ora Deus é por excelência e é quem dá existência a tudo, nomeadamente às coisas e às pessoas mesmo as que se recusam a ser e se querem assemelhadas com a ausência.

Não sigo, definitivamente, esta liberdade linguística.

Poesia Haiku

"O tempo não esconde
a escuridão
que se anuncia"

ou

"O tempo não esconde
a luz
que se anuncia"

Como podem ser ambos poesia haiku e, apesar de contraditórios em si, verdadeiros ao mesmo tempo?
O binómio luz/sem luz são um dos binómios mais utilizados para exprimir conhecimento. Já Platão, na alegoria da caverna utilizada a aproximação à contemplação da luz, como o caminho do homem, mas não deixa de dizer, em momento algum que a luz adquirida é permanente, pois que cabe ao homem apenas a contemplação dessa luz. Assim vivemos o binómio e anuncia-se sempre o binómio. Na demanda, no estado e na ambição. E tudo acontece no tempo.

É o drama das frase pequenas, dos aforismos, das sínteses. Pode e deve haver sempre mais.

Lendo 141

"Em silêncio o rochedo
vê chegar e partir
as estações."

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 29

E que esse silêncio que não seja estático. Há um crescimento que tem que acontecer. O tempo é devir, é acontecer, é somando as passagens desse pelo como esse tempo nos faz dele. Que o silêncio seja cheio de ruído de conversas dentro do rochedo dando-lhe mais estrutura para podermos ir sendo cada vez mais um marco de nós.

lendo 140

"Deus está vazio
de todas
as suas obras"

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 67

O discurso figurado é sempre complicado. Deus NUNCA ESTÁ, pois Deus, em bom rigor É sempre e totalmente. Deus não entra no tempo, não tem tem estado ou circunstância. O Homem é que tem estados, modos e circunstâncias. Contudo, sejamos simpáticos para o autor e admitamos que entendeu ele escrever este trio, este haiku, com o sentido de ser/fazer queixinhas da ausência de Deus no homem. O homem saiu de Deus deixando, pois, enquanto sua obra, vazios Dele. Mas, e ainda assim. voltamos a um homem maior que o seu sentido. Esse homem não está vazio de Deus, mas distraído de Deus. Olha para o mundo muito convencido de si mesmo e da sua pequena razão que lhe dá muitas certezas, muitos raciocínios e sequências sentenciais que o afastam da sua interioridade.

Prefiro sempre levar o homem para si mesmo e, nessa medida, a Deus, do que esta modalidade verbal. Enfim... haiku.


Lendo 139

“Todo o Inverno
O solitário bambu
Mediu forças com o vento”

Pde José Tolentino de Mendonça, in “A papoila e o monge”, Assírio e Alvim, Lisboa 2013, pág 144

Há, neste haiku, uma ideia mais próxima do pensamento japonês, pelo menos daquilo que posso eu entender como tal, que coloca o homem na natureza e como o tempo lhe é manifestamente exterior e ao qual o homem se expõe. Falhará, todavia, na medição de forças, pois que o homem deve integrar a força do vento invernio e em vez de medir forças com ele, entender e viver de acordo com a força desse vento.

O Papa Francisco pede-nos para fazer pontes e não para nos medir com a natureza.


Rectificação

Afinal, o que li do Padre José Tolentino de Mendonça são poesias suas ( dele ) no modo Haiku.

Em breve mais sugestões minhas da leitura de tais haikus......

domingo, 27 de março de 2016

Poesia, fé e tolerância

A ler um livro do Padre José Tolentino de Mendonça sobre um livro de Jack Kerouac de poemas japoneses conhecidos como "Book of haikus".

De uma base de mais de 1.000, Jack Kerouac escolheu cerca de 500 e JTM filtra apenas 150. Este tipo de poesia é mais métrica, mas, e ainda assim é poesia.

Desconheço se existe um pensamento subjacente na poesia Haiku, ou se um nexo filosófico, mas há, como em todas as manifestações intelectuais do homem, pensamentos com alguma metafísica. Da escolha destaco a primeira frase do primeiro poema "O silêncio só raramente é vazio (...)" o que abre, desde logo, uma enorme porta à meditação. A expectativa fica, portanto elevada, mas poema após poema, começa a cair no rame rame das frases feitas sem novidade. Diria mesmo, uma certa forma e modo de alguns doutores da nossa Igreja de falarem. Uma presunção enfática de certezas que fecham portas à reflexão. Ora conhecendo alguns textos orientais, que, de fundo, apelam à meditação, à redução ao tamanho ínfimo do homem, ao seu singular lugar no cosmos de coisa que passa e que se deve sempre ligar ao tempo e ao mundo, fico sempre desolado com o afastamento desta religiosidade.
Sinto-a intolerante para com o Homem.

"O silêncio
não é o oposto
mas o avesso"

"As palavras ferem
o amor
como tudo o mais"

"Muitas vezes Deus prefere
entrar na nossa casa
quando não estamos"

Esta postura sapiencial é adversa a uma demanda séria, honesta e filosófica. Volto à frase de abertura "O silêncio só raramente é vazio", que apesar de continuar com uma vacuidade
"diz alguma coisa
diz o que não é"
Deixa uma abertura que depois se fecha. Admito que os restantes 850 haikus mereçam mais que a selecção do Pde JTM.

Nota fora do tempo: Afinal, o que li do Padre José Tolentino de Mendonça são poesias suas ( dele ) no modo Haiku.

sábado, 26 de março de 2016

Frases

Quem quer ser lobo não lhe veste a pele. E quem é Raposo?

Texturas de cor

A passagem do tempo na passagem do homem pelo tempo.

Fiquei sem tecto

O tecto da casa ruiu mas a janela, sem proveito, mantém-se

Marcas fortes

Entrada com personalidade

Uma pequena nota

O friso superior que foi caiado ee amarelo

Sepia

Sem palavras

Óbidos

Apenas um encanto

Janelas

Quando a idade se revela um factor de carinho que dá mais beleza e encanto ao que nos rodeia

Rua direita apartir de Santiago

Vista de Óbidos a partir da porta da Igreja de Santiago. Créditos para o tablet.

Óbidos

Vista panorâmica do topo da vila para nascente. Créditos para o tablet.

Praça de Santa Maria, em Óbidos

Outra grande foto panorâmica, desta feita da Praça de Santa Maria. Tudo fruto do tablet.

Igreja de São Pedro de Óbidos

Fotos panorâmicas de Óbidos.  Desta feita a igreja de São Pedro.  À primeira vista pode parecer uma grande angular, mas foi um pouco mais que isso.

Uma vista do meu Oeste

Após ter feito a subida da Via Sacra, em Óbidos,  termino no topo da vila com uma pequena porta que abre um poente deslumbrante e reconfortante.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Poema

Penso em ti
E desejo-te
E logo fico suspenso
Nada há a desejar.
És nada
E não há futuro.

Apenas em mim
Algo se emociona.

Frases na manhã

Ver sem ser visto e ser visto sem ver.


Dá-me paz!

Dá-me outro eu
Que este já está gasto de mim.

Já nada é novidade

Apenas me desgasto
Nas minhas contrariedades
De tentar ser o ideal
Apesar de saber incapaz
Nem sequer da sua sombra.

Dá-me Paz
Quero ter-me e sonhar.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Coisas mundanas

Leio num jornal "chorar faz bem à saúde" e logo penso na seguinte história de humor fácil que as televisões básicas adoram.

Está uma mulher a chorar como uma desalmada agarrada à fotografia de um esbelto homem e em voz off: " Deixe de chorar por dor de corno, chore pela sua saúde!"

terça-feira, 15 de março de 2016

Reviravoltas e mais voltas

Tudo se passa ao redor do amor. Do que se espera e do que se dá.
Tudo o mais é absolutamente irrelevante.

Ame-se com empenho e deixe-se amar. Tudo o mais flui naturalmente

another one bites the dust

Uma incansável vontade de novidade resulta numa enorme dimensão de insatisfação.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Aforismo

 No dia seguinte o sangue sabe a remorso.

Curta meditativa

Travou uma batalha à qual deu um tom que, não sendo o dela, foi o que fazia mais sentido. Fora informada que o inimigo havia dito, feito, vociferado e até instigado as maiores atrocidades. E achara-se uma Joana D'arc a guerrear o sangue impuro, os infiéis, quase o próprio demo.
Depois do calor desse sangue por terceiros aquecido, veio, aos poucos, à sua temperatura e ao seu modo de ser e pensar.

Quanto tempo havia perdido numa guerra tão estúpida quanto imbecil. E deduziu que, de facto, as guerras são todas estúpidas e imbecis, pois há, em todas, o dia seguinte. E no dia seguinte o sangue sabe a remorso.

Desafios

A escrever uma fantasia de uma não história em inglês. Não é fácil, mas é divertido. Going on.

Até ao céu


Primavera e luz




sexta-feira, 11 de março de 2016

E veio o Disney

Perguntava a empregada de mesa:
- Um tiramisso
E o Shrek respondeu
- Mas o quê?
A piada simples e barata, que correu o perigo de cair na exaustão foi o trocadilho do docinho italiano e a sugestão de se preparar para uma sessão de uma leve erotismo de alguém tirar isso que seria, obviamente, a roupinha.
A nossa Anastácia, personagem de um filme que nunca vi, pelo que todas as sugestões serão apenas isso mesmo sugestões, ria e enquanto escondia um olhar fingindo um vago pudor meditava já no que seria fazer esse tirar isso.
Ouviu-se uma benção a Pilates, pois que graças ao mesmo tudo está no lugar e bem puxado para cima. Esta última reflexão era dirigida às amigas do peito que, generosamente recolheram a amizade de todos, as do peito, claro. Atitude generalista que se enquadra muito bem nas tendências dos tempos modernos em que todos devemos ser tolerantes e abrangentes, assim, as amigas do peito são todas, sem excepção minhas amigas. Uma declaração às amigas do peito!
A nossa Branca de Neve, a que aturou progressivamente muito mais de sete matulões e outros tantos aldrabões, ou não fossem pescadores e caçadores dos encantos alheios sugeriu, a copos tantos de uma bebida imprópria para consumo em lugares onde se sentam senhoras, que ouvira uma forte e grosseiro despropósito. De tão arreliada que estava que teve que contar a história da vizinha que se cruza com ela no elevador com as amigas do peito debaixo de uma rendinha e fofinhas e emproadinhas. A arrelia era tanta que nos deu a graça de reviver esse momento em que as ditas amigas, as duas de uma vez se elevam, e nos cimos desses montem se juntam em oração. Um enorme graças a Deus!
Tarzan, John Smith, príncipe encantado e tantas outras personagens que se condensam num único ser estava furiosamente preocupado com a montanha de louça que tinha para lavar em casa. Apesar do rigoroso regime a que se dedica, estava aflito com o jantar do dia seguinte e a actividade de grupo a haver em Tróia onde se exibirá desnudo, ou quase, para imensa satisfação de todas as meninas desejosas de ver filmes de homens strippers. E, ao que parecem, juntam-se em grupos e atiram-se para debaixo de mantas com vários copázios de bebidas libertadoras de todas as líbidos.
A pequena seria queria mostrar e acompanhar as boas memórias de tantas momentos nocturnos passados mas, e vá-se lá saber por que razão havia perdido a chave dessa pequena sala da memória. E queixava-se:
- Quem me dera lembrar-me desses momentos tão divertidos que tivemos juntos! Mas não me lembro.
Mas todos garatimos que foram absolutamente divertidos, e foram-no de tal modo que ainda hoje nos recordamos com satisfação e um gostinho especial. Chegamos, até, a quebrar o mistério incógnito. Nada como uns shots de vodka em forma de gelatina para arrumar com qualquer tentativa de esconder a nossa identidade. Foi uma dose generalizada de exibição da boa folia. Diria, mesmo, que os deuses desceram e nos acompanharam nessas demandas dionisiacas.
Pocahontas com a serenidade que lhe caracteriza trazia sempre a sensatez ao assunto. Com os conhecimentos da Mãe árvore recordava com os restantes pequenos nadas que soltavam boas e saborosas gargalhadas.
O Shrek disse os disparates que lhe apeteceu e evocou a musa do bom gosto, da fineza e delicadeza só possível a poucos... Que miragem do paraíso em versão popular.

terça-feira, 8 de março de 2016

Curtinha

Num tempo em se consegue perceber o mundo mas em que somos incapazes de interagir nele ouvi vezes sem conta uma pessoa queixar-se de um outro ou outra que tudo faziam para lhe atazanar a alma e que nada percebiam de como o seu mundo se organizava.

Tinha, na verdade uma enorme dificuldade em lidar com a adversidade.  Havia sempre alguém  em quem depositar a responsabilidade de as coisas não estarem de acordo com o seu desejo e ambição. Porque é que o mundo não entendia o que ela sofria por essa desconformidade da sua alma?

Má sorte  a minha que passei eu a ser o outro que apenas vive para atazanar.

Talvez um dia consiga conversar com essa desconformidade da sua alma e faça, em definitivo, as pazes com o seu eu e aquilo que não é conforme à sua vontade.


Agora que te vi

Agora que te vi
Caiu das alturas
O olho que te mirava
Ficou rés vés, a rasar.

E voltou a olhar
Queria, antes, a ilusão
E o calor de então,
Preferia a negação.

E que ficasse seco
O olho que assim olha,
Sem pingo de lágrima
Que corre de assim te ver.

Já nada volta
Ao outro tempo
Àquilo que apenas era
O que queria que fosse.

Vejo-as passar

Vejo-as passar
Vestidas e apertadas
Numa roupa comprimidas.
E as formas com que ficam
São o todo possível
Que um olhar pode desejar.

Mais uma curiosidade

Conheci uma mulher... pois nem sei se cheguei a conhecer essa mulher, talvez reconhecesse o seu aspecto físico, a sua fisionomia, a estrutura do seu corpo, mas, de facto não a conhecia. Ela vivia de tal modo num mundo de faz de conta que nunca se chega a perceber onde mora o que realmente é, o que lhe é substante.
E meditando nessa personagem ocorre-me pensar se ela terá uma ideia de si? E será a mesma ao longo da vida, ou cada dia muda, ou mesmo durante o dia?
E será que sofre? E sofre de quê? Da sua dor, ou da dor da sua fantasia do momento?
E será que ama?
E poderá ser amada? E quem a ama, ama exactamente quem? A de que momento?

segunda-feira, 7 de março de 2016

Dúvidas existenciais

Há um modo de andar que só acontece nos extremos da vida.

Descrição: Pernas direitas, pernas direitas e traseiro ligeiramente empinado. ( não confundir com a versão de uma pessoa do continente africano que acabam por abusar no empinar do traseiro). Tronco direito e o peito ligeiramente projectado para a frente. ( e não, não se trata da exibição das suas graças da natureza, mas, e tão somente o colocar os ombros para trás). Pescoço hirto e o queixo projectado. O olhar é feito pela base do olho ( como se tivesse dificuldade em ver e estivesse a ver pelas lentes de ver ao perto.)

Geralmente é o ar emproado que acontece na meninice e na adolescência. Ou então na terceira idade quando elas têm algum poder menor e estão deliciadas a exibi-lo.

Quando se vê noutra qualquer mulher fora destes parâmetros a questão que se coloca é a seguinte: Em qual deles caberá? Numa tardia infância ou numa infantil atitude?

Acasos da alma

Quando se segue o discurso de uma pessoa burra que destino se espera ter?

E um espelho poderia ter dito mais, sobretudo depois do mero reflexo do ego.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Seguem-se os animais da quinta

Depois da burra, teremos a cabra... bom, aqui a dificuldade é encontrar apenas uma.

Uma pessoa burra

Conheci uma pessoa a quem o criador entendeu por bem não atribuir capacidades de entendimento particularmente ginasticadas pelo que é aquilo a que se poderia chamar, uma pessoa burra. Não que fosse estúpida, era apenas burra. Bom, entenda-se que o facto de não ser estúpida não significa que não deixasse de acometer uns bons actos de perfeita estupidez mas a estupidez não lhe era o ponto forte. Era mesmo burra.

Acabava por chamar a melhor misericórdia de cada um. Era aquilo e, portanto, todos davam o devido desconto. Não havia grandes expectativas e assim todos se contentavam com o que havia a recolher. Qualquer cenoura servia para a motivar e a sustentar.

Um dia, há sempre um dia que muda o modo de se olhar o mundo e fazer dele algo diferente que nos surpreenderá, um dia outra pobre de cristo deu por si a acalentar este pequeno ser criado a ideia que nela também havia exercício palpável de actividade inteligível. Foi como se dissesse a alguém que agora podia voar e esta, tão atenta a essa nova aptidão logo se estatela no chão provocando um mar de mazelas. Assim foi então. Sem surpresas os equívocos foram-se sucedendo na escala possível.

Aconteceu, por surpresa de muitos, que afinal não estava só, para além da burrice que lhe era devidamente reconhecida, acoplou-se a confusão de agregar discursos inteligíveis passando a produzir confusões ainda maiores. Não só não entendia, como criava enredos e confusões onde nada havia por incapacidade de organizar o mundo mais que a sua contingência.

A meio caminho deste descalabro passou a ter público fiel, crente e convicto das suas burrices.

Trata-se de um enredo fictício baseado em pessoas reais. Diria mesmo, demasiado reais. Tanto a burra como os crentes. Um mundo burro, portanto. E eu nele! Terei que aprender a surrar?

Tudo permanece

A dor,
O incómodo,
A desolação
E toda a insatisfação...

O selo da criação
Dobrou-se,
Caiu e desfez-se.
Desagregou-se.

Perdeu-se numa imagem
Numa visão
Numa noite
Enevoada e sem lua...

Só resta a morte
O frio
O gelo
E o vazio.

Um buraco longo
Que se fixa
Até ao fundo
Sem luz.

Dos mortos nada fica.
Apenas memórias
Que o tempo apaga
E o coração sente.

De volta ao amor

Se por amor de uns podemos desamar outros que vale esse amor de uns?

quarta-feira, 2 de março de 2016

Cada dia que passa mais certo fico que a democracia é uma das maiores mentiras do homem actual. A singular ideia de que todos podem ou têm aptidão para a decisão é uma mera intenção.

Quando o limite é o limite de cada um pouco mais se pode esperar que o limite do indivíduo. Assim ficamos sempre a perder. O limite é o ilimitado, a saber Deus.