E eis que, sem aviso prévio, ele desfere por actos, pois era cobarde demais para o fazer por palavras, o seu desagrado, o seu incómodo, no fundo aquilo a que se denomina, erradamente é certo, o seu ódio. Ninguém odeia ninguém. O ódio é um amor pervertido, e quando não se reconhece o cerne dessa perversão enche-se de cargas negativas e com uma obsessão que, ela mesma, evidencia esse amor.
Aturdido, pois o ódio é-nos por definição desconhecido, e apenas esperamos dos outros uma variação de formas de amor, ele vai sentindo os golpes sucessivos desse vazio de amor. Como defesa diminui sucessivamente o amor que lhe tinha, quase à extinção. Tudo se resume, então, a uma indiferença.
E, neste ponto, ela deixa de conseguir odiar, pois não se consegue sobrepor à indiferença. E definha. Envelhece. Perde os minutos do dia e passa a viver de noite. E tudo dentro de si.
O que chora são agora lágrimas de si. Perdeu e perdeu-se.
O que será o dia 30 de Fevereiro?
Sem comentários:
Enviar um comentário