sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Curta ao desamor

O desamor.... o desafecto estendeu-lhe uma enorme passadeira vermelha.
E, já no meio desta, recebe a extraordinária ovação para que toda e qualquer dúvida não ficasse. Tudo esclarecido! Até as que não possuem a capacidade para mais que dois ou três pensamentos. Facto consumado. Sem apelo nem agravo.
Resta um estado de alma que não se sobrepõe a nada.
A expectativa de qualquer ser humano é, por natureza deste, de ordem positiva, ou seja, ser amado. Claro está que entendemos bem que o amor a que nos referimos tem todos os graus e estádios que podem ir da mera aceitação ( aceitar é já um modo de amor que compreende a generosidade para com o outro) até à paixão cega e arrebatada. Não faz parte da constituição moral do ser humano ser desamoroso pois que o obriga  a dois actos, primeiro a indispor-se e depois a gerar sentimentos desagradáveis.
Ter sido escolhido, dizia, para este desamor obriga, pois, a procurar a raiz desse desafecto mas como como, e nas suas palavras, como não é o outro nem consegue caber na mente alheia apenas se lhe oferece ser misericordioso.
Quem desama assim tem, definitivamente um problema com o amor.

E virou costas ao assunto. Virou mesmo?

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