sábado, 31 de dezembro de 2016

Esta coisa do ano novo

Havendo alguma coisa a desejar, ou seja, que sendo independente da nossa vontade e por isso só recolhamos efeitos secundários, muito agradecia que a população que comigo convive neste mundo dedicasse um pouco mais de atenção à verdade. Se tal acontecesse, tudo, mas tudo, fluiria tal como os desejos manifestos em todo o lado. Eu tratarei de cumprir com a minha parte.

nota de poema

Escrever
E poemas....
São coisas de mims
Para outros mims.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Se

Num dia te quis
Toda
Essencialmente
Como uma mão de Deus
Que dispôs
Um nós impossível.

O tempo passa
E o nós é uma evidência.
Evidente
Presente.

E, vê lá a bizarria...
Insistes numa coisa
Que fazes tua ideia
Até essencial
Que o mundo, o destino
Ou é tal como o ambicionas
Ou não existe.

Ficamos, assim,
Uma suspensão

desenho à vista com imagens na net




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Amor -1

Como gostaria de contar
A história de amor,
O encontro de almas
E a reunião de unidades.
O fogo de artifício
E surpresa do amor
Da dádiva gratuita

Mas, e ao invés,
Recolho uma alma penada
Presa ao negrume
Dum ressentimento recalcado
Feito de frustração
De não conseguir ser mais
Que mera intenção.

Inverno

A mancha da humidade nocturna
Deixa parte do chão molhado
Haverá Sol de Inverno suficiente
Para secar mais esta alma?

De volta ao vazio

Vivemos com imensa pressa, de tal modo que já anda tudo cheio de vontade de entrar em 2017, no ano novo, deixando para trás tudo o mais.

Todos os anos se repete o mesmo. Ninguém se quer renovar, mas todos querem ser renovados.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mesquinhez humana

O ano finda e, por regra, as pessoas fazem retrospectivas e com base no reconhecimento de muitos dos seus erros, enganos e faltas de virtuosismos, aprestam-se a programar alterações que lhes façam superar tudo o que se deixou atrás mencionado. É um acto de fé no futuro e na renovação.

Acontece, todavia, que alguns preferem promover nestes tempos o reforço dos seus erros, a manutenção dos seus enganos, a insensatez da provocação gratuita. E tudo fazem na suposição que existe uma parede que ninguém entenderá nunca o quão deselegante e desclassificado é o seu comportamento. Desentendem que a verdade é tão pura e cristalina que se separa naturalmente do azeite.

Ficamos, pois, no final do ano, numa exibição gratuita de mesquinhez. Coisa triste para carregar nos últimos dias de 2016. Coisa feia para se levar para 2017.

perfis em traço largo e rápido



Desenhando


Esferográfica na mão

Engano

Não vou ao engano,
Sou-o
E nele me demando
E me insisto.
E vejo no fio do horizonte
A linha limiar do destino
Uma nau plena
Do que são as intenções
Da vida e da eternidade
Do meu engano.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Da condição humana

Hoje deparei-me com uma triste verificação da condição humana que nunca pára de me surpreender.

Alguém sabe, tem conhecimento, recolhe consciência que dentro do seu universo de relações existe mais que uma pessoa que intencionalmente age incorrectamente e que com essa acção a expõe. E opta por recusar o reconhecimento dos factos, opta por ignorar as acções e prefere indispor-se com quem lhe lembra, sugere ou evidencia essa circunstância.

Acredito que por detrás dessa atitude está um medo de perda. Se agir em função dos acontecimentos terá que, evidentemente, criar e gerir um conflito que não conseguirá ter um final amigável, pois não só a conduta é reprovável como a coloca em causa. Fugir à tomada de conhecimento, fingir que esse assunto não existe permite que o dia siga o seu caminho sem perturbações. E, fazer deste medo um modo de vida com todos aqueles que de algum modo franquearam as portas do seu afecto, vai acabar por restringir o universo de gentes que poderão entrar na sua vida transformando-se cada vez mais só. E, os que foram escolhidos, vão seguir as suas vidas que cada vez mais se distanciarão pela natureza própria do devir humano.

E a prazo? Instala-se, obviamente, uma permissividade que se vai tornando progressivamente mais evidente, mais difícil de esconder.

E o que fazer com o mundo que entende essa opção, essa escolha e, consequentemente se sente colocado num plano diferente, de, pelo menos, segunda escolha? Abre um fosso comunicacional que por mais que se ria, que digam piadas de circunstância, se façam sorrisos não se consegue nunca fechar essa brecha. Fica um ferida aberta que, inevitavelmente, irá gangrenar.

Que o mundo é um lugar difícil e de escolhas é uma verdade inquestionável. Reflectir sobre as nossas escolhas, bem como das consequências delas é uma tarefa que nos devia obrigar. Podemos ser melhor ou apenas passar por aqui entre os eventuais pingos de chuva.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Amor

Deixa-me amar-te
Como se não houvesse amanhã,
Nem como ontem, ´
Nem como nada mais que isso
Apenas amor....
Sentir e voltar a sentir.
Saborear e integrar o sabor
Desse sal único do beijo
Deixa-me sentir,
Mesmo que sozinho
Solitário, mesmo,
Esse sentir autêntico
De um amor que retorna
Ao tempo do tempo do amor
Que é, apenas, e unicamente
O tempo do que se ama
E quando se ama.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Estudos













Estudos para um trabalho sobre a cruz dos templários e a cruz de cristo.
As medidas estão encontradas, bem como a proporção. Falta apurar o traço e executar.
Em princípio será um conjunto de cinco quadros.

Lá fora - dedicado ao Natal

Vejo roupa estendida
Como se fossem afectos
A secar a um vento
Que teima em não soprar.

Oiço palavras e frases
Tudo cheio de sentidos
Apenas para quem
Um dia, as escreveu.

E encontro sorrisos
E caras iluminadas
Por um contágio colectivo
Que faz parte do calendário.

E chego a encontrar afecto,
Amor, até,
Apenas porque a isso
Se fazem disponíveis.

E olho-me, ausente
Dessa encenação recorrente.
Espectador que recolhe
Este feitio de ser diferente.

Onde morará, afinal,
O sentido de se ser
Mais por dentro
Do que lá fora?

sábado, 24 de dezembro de 2016

Uma vez por ano

Uma vez por ano vivemos todas as hipocrisias mundanas. Colocamos um cartaz em cima de nossa cabeça que está ornamentada com o mais inacreditável sorriso e temos o descaramento de desatar a desejar um feliz natal a tudo o que mexe.

E o que é o tal natal que se deseja a torto e a direito? Ninguém sabe ao certo, mas sabe bem.

O natal é nascimento, é renovação, é o cumprimento das palavras das escrituras que afirmam a vinda do salvador. E a lógica implícita nesse movimento é que cada um de nós acompanha esse movimento e deseja aos outros que aconteça essa renovação acompanhada pelo salvador. Mas desejamos isso aos outros. Renovem-se e sejam salvadores! Agora, façam-me um grande favor e não me chateiem mais com as vossas cenas parvas.

E, não satisfeitos, passado uma semana, depois de se terem verificado que o natal apenas se resumiu a uns quilos a mais e uns pares de meias, toca a desejar um Ano Novo Feliz.

E tudo seria tão mais simples se em vez de chagar meio mundo com tudo isso, repetissem essas palavras à vossa consciência e se empenhassem verdadeiramente a reconhecer os erros, as falhas, os pecadilhos, a miséria de cada um e, nesse esforço, tentar diluir isso com a renovação do salvador. Mas isto é muito fatela e cheira a conversa bafienta da Igreja.... Pois cheira, mas é a única coisa que faz sentido. Tudo o mais é mais do mesmo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Natal, ou algo similar

Penosamente arrasto-me pela tempo mais desastrado do ano. A uma qualquer ambição escondida de paz, de reencontro, de união apenas recolho refeições fartas em sucessão vertiginosa deixando uma sensação de enfartamento. Fico com a vaga sensação que a alma é trocada pelo garfo.

Quero uma tosta e uma canja.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

poema sucinto

Se te soprar um olhar
Consegues apanhar o beijo?

A particularidade

Rompo uma fronteira
E sulco um caminho
Onde revolvo conversas
Insistindo em te procurar.

E mesmo que te escondas
Encontro-te nessa terra revolvida
Seja na que se revela
Ou em toda a que se cobre.

Ser esse modo de mil formas
Que se é um pouco em todas
Como pedaços de um conjunto
E, em cada uma, uma certa unicidade.

A particularidade.

Haja, tão somente,
Para além do espaço e do tempo,
A disponibilidade
Para a comunicação.

Comunicar?

Já não te oiço,
Não mais me dizes
Palavras de sentido
E mais não falas.

E que te importa ?
Se não sentes a solidão
Do que ficas por dizer
E do tudo o que há a ouvir?

Segues, seguindo-te...
Contigo, apenas....
Uma ínfima ilha
Noutro pequeno lago.
Suficiente de ti,
Certa de ti
E cheia disso tudo.

Poema

Nunca esteve para ser.
Mas ficou para sempre
Uma enorme saudade

domingo, 18 de dezembro de 2016

Tenho saudades...

Tenho saudades...
Não desse tempo parado
Que a memória eterniza
Em moldura dourada.
Mas de poder ser,
Tudo e nada,
Apenas o que fosse
Tão denso como um beijo
E tão certo como o abraço
Solto e sem passado.

Amar sem ontem,
Apenas para amanhã.

Fosse ele o que fosse...

Pema

Todos os dias a luz,
No horizonte,
Desfaz-se em mil tons
Dissipando-se noutros
Menos claros,
Menos luminosos,
Menos luz.

Todos os dias
Sempre a mesma luz,
Mil tons,
Os mesmos odores
As mesmas cores
O mesmo amor.

Onde me chego
Para depois acordar
O infindo circulo

poema

Baixando a couraça
Descendo a carapaça
Sou regra de revolta
Espuma e esgana.

Sou tudo o que escorre
De uma vontade de ser
De desejar ser
O oposto deste ser
Que junto a mim se rende
E senta,
E calma,
E explica,
E desdrama,
Integra serenamente
Um outro cosmos
Organizado,
Justificado,
Serenizado.

E o fogo que se apaga?
A cinza que se dissipa,
A brasa que brota vida
Seiva eterna...

Nunca uma só palavra,
Um só frase,
Um só saber
Tudo consegue integrar e entender...

Apenas o amor.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

aforismo

A realidade resume-se a uma sucessão de mentiras em que queres acreditar. E, por mais intensamente que o faças, nunca se transformarão a verdade.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

engano

Quem queres enganar
Quando é a ti que te enganas?

E, pelo caminho, o engano não falece,
Nem diminui,
Nem se quebra,
Apenas se adensa

E quanto maior a confusão
Mais seguro estarás
Que, afinal, esse engano
Tinha uma qualquer
Absurda justificação

A tua vida já não.
O logro instalou-se
E, como um vírus
Ferir-te-á de morte.

nota breve

Com um tijolo na cabeça
Um garrote no peito
E uma nascente no nariz
Que me deixam em lume brando.

As verdades, de facto, são assim mesmo
Só na adversidade damos conta
Do quanto temos a agradecer o dia a dia
Pela nossa estabilidade funcional

A perenidade da opinião

Uma opinião tende a ser um conjunto de juízos que monta um cerco à realidade, transformando esta não numa ambição de pureza intelectual, mas uma justificação emocional. Com o tempo, pela natural evidência dos factos, tudo se reduz a pó, pois todos os juízos emocionais são tão opacos como um vidro transparente.

E que fazer depois? Insistir?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Se te contasse

Se te contasse apenas
Metade da minha alma
Ficarias com a dúvida
De como seria a alma completa...

Se me contasse
Essa mesma metade
Ficava com outra dúvida
De quem estaria a falar...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Intensidades

Ser sempre um passado,
Que podia ter sido
Mais que apenas isso,
Um naco de tempo
Vivido com mais intensidade....

E sou sempre nostálgico...,
Não desse passado,
Mas dessoutra intensidade
Que ficou num tempo eterno.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

English poem

I could go into you
If I knew
That you could go
Into your words...

As a whole meaning
That meant you
And......
Eventually
With me.

Your words
My mind
A dream that could
Eventually, be a dream.

Uns nadas

Hoje fiz um pequeno nada.
Apenas um acto de amor...

E, podem crer?
Não é que este se replicou?
E, em outros actos de amor,
Em todos os que tocou,
Reconfirmaram o seu amor
Não por ninguém,
Mas pelo amor.

De uma canção

"I forgot to die" ( esqueci-me de morrer)

Quem é que se pode esquecer de morrer? Talvez quem ambicione a eternidade?

Mini curta

- Chegas-te a ver o blogue?
- Não tive tempo... Fui para o cinema, tive lá eu tempo para ver blogues...

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Mini curta

Vejo-te a sair da casa de banho e noto em dois detalhes: Tens nas mãos uma agulha de cozer com uma linha preta. Tens as calças rotas nos joelhos. E penso: Eia que chatice ter rompido as calças!


Depois, distraio-me e rectifico: É a moda estúpido! E logo penso que a agulha e linha terá sido para coser um pedaço qualquer de uma peça íntima, pois que é sempre útil e necessário apimentar a mente e deixar discorrer a tendência natural da minha animalidade. 

Nota: Afinal a linha era azul! Lá se vão as rendinhas pretas da lingerie....

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Lendo 195

"Já não me resta nada que me possa magoar a não ser tu."
Lawrence Durrell in Monsieur ou o Príncipe das Trevas, ed Difel, Lisboa, 1984, pág. 24.

Quando uma mulher (sim, este tipo de frases só pode ser dita por uma mulher!) diz este tipo de disparate é mais uma forma de estilo para continuar a castigar o homem. Se já nada há que magoe a senhora, significa que nada que rodeia o personagem lhe é indiferente, logo é uma secura de pessoa. Que mulher chata!
Bom... e já vos contei das pernas maravilhosas que ela tem? Quando calça umas meias de renda pretas e uns sapatos de salto alto só apetece é que a saia seja desmesuradamente curta. E, nem vos conto do seu volumoso e hirto peito... Pois é... faz tudo parte desta natureza animal.

Lendo 194

"Ninguém gosta de ser homossexual, assim como ninguém gosta de ser negro ou judeu."
Lawrence Durrell in Monsieur ou o Príncipe das Trevas, ed Difel, Lisboa, 1984, pág. 21

E é com frases destas que começam grandes questões. Homofóbico, intolerante, racista, etc, etc, etc... E ficamos todos onde estávamos antes de termos lido este tipo de frases. O que gostava de realçar é  mais o incómodo que a diferença da maioria provoca do que o motivo que nos coloca fora dessa maioria.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Caderno 22


desenhando a mesa

Caderno 22


Uma mão de um idoso cheia de artrites a pegar num copo de aguardente durante um programa sobre o quadro Fado de José Malhoa

Caderno 22



A ver programas entediantes de televisão

Caderno 22


Enquanto me entediava fortemente na Assembleia Municipal de Óbidos

As inovações em modo de curta

E pensei naquele dia em que quase em sussurro confidenciava que antes de se deitar, despia-se e tomava primeiro um banho de água bem quente. Depois, então, ia para a cama e tal como havia vindo ao mundo... Arrepiei-me... Como é que se pode ter este tipo de pensamentos em pleno Inverno quando taz tanto frio que se torna quase impossível ousar pensar em tal coisa que não apanhe de imediato uma enorme constipação!
Vou ter que esperar mais uns meses para revisitar este pensamento e, quem sabe, deixar-me ir mais além do banho...
E sorrio com a ideia.
E ela sorri de volta.
E, com a pele perfumada, os seios cheios, desafiantes num caminhar seguro de quem sabe o que quer e encostada a mim sopras ao meu ouvido:
- Ainda bem que ainda estás vivo...
Para alguma coisa se fizeram os edredons! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Pensamento do dia II

Uma defenestração por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.

Pensamento

Uma boa defenestração pode levar à libertação.

Humor negro

Em tribunal o Juiz prepara-se para julgar um suspeito de ter sido apanhado a ter relações sexuais não consentidas, nem sequer perguntadas, pois a senhora estava de tal modo embriagada que não dava qualquer acordo de si. Seria, portanto, mais correcto afirmar ter utilizado o corpo de uma mulher para obter um prazer e satisfação sexual.
- Diga-me, então meu caro senhor, o que o levou à situação que consta no vídeo que consta dos autos.
- Senhor Juiz, eu fui chamado ao local para uma emergência...
- Quer definir melhor emergência? Isto para não se dar o caso de se poder aferir que a emergência era o que vimos.
- Não senhor Juiz, era o caso de uma pessoa ter perdido os sentidos.
- Muito bem. Portanto o senhor foi chamado para prestar auxílio a uma pessoa que perdeu os sentidos.
- Isso mesmo.
- Continue, então.
- Ao chegar ao local, depara-mo-nos com a rapariga no chão. Fizemos todos os procedimentos usuais e acabamos por colocar a senhora na maca, para a levar ao hospital.
- E durante esse tempo, em algum momento falou com a rapariga?
- Não.
- Tentou falar?
- Sim.
- E como reagiu a rapariga?
- Não reagiu, manteve-se em silêncio.
- Registou alguma expressão?
- Não, senhor Juiz, nada.
- Diga-me, então o que se passou em seguida.
- Passou-se o que está no video.
- E porque é que o senhor agiu assim?
- É que lembrei-me da minha mulher.
- Como assim?
- É que ela também se faz de morta.

E se houver amanhã?

E se houver amanhã?
Se tiver sentido
Toda a metafísica,
a teologia
e, até, as escrituras?


Acordar com chuva

Com a luz do dia a começar a despontar cai uma imensa e barulhenta chuvada. A maravilhosa melancolia do renascer faz-se presente. Ao fundo, até, um pássaro insiste repetidamente um fino piar. E enquanto a chuva escorre pela estrada abaixo até à sarjeta num percurso sempre igual e aparentemente repetido, o dia insiste em rasgar a luz do candeeiro da rua para instalar o tom cinzento. E, assim, até o pássaro se cala...

Vou voltar para a cama que o sino da igreja já tocou.

Tendências matinais

Entre a Lua e o Sol, fico com dúvidas. Cada um tem o seu encanto, a sua magia e a sua sedução.
O que apetecia mesmo era tudo. E de tal modo que não deixasse tempo a estas reflexões. Satisfação plena e constante.

O desamor

E pode haver desamor onde nunca houve amor? Pode, porque o amor é inato, é substantivo, nasce com o indivíduo, faz parte da sua substância. Pelo menos para a maioria das pessoas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Em vão

Em vão...
Espero.
À medida da melodia,
Num caminho que cresce
No sentido de uma confirmação.

Seremos, assim,
Tão inevitáveis?
E fomos
Tão inevitavelmente nós?

Um tempo no tempo
Que não servirá de passado,
A não ser para nós,
Que o vivemos.

E, em vão,
Volto a insistir
Volto a futurizar
Mas volta e retorna
O tempo que não volta.

Reincidências

Do meio do caminho
De onde recolho aqueloutra
Imensidão de pedras,
Acabo por tropeçar
Nas do costume.
Não que sejam as mais pesadas,
As mais sujas
Ou as mais difíceis,
São, simplesmente, aquelas,
Que sendo o que são,
Sou eu todo nelas.
E não há como dizê-las,
Nem como explicá-las.
São a reincidência
Da minha originalidade.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Lendo 193

"O que realmente morre é a imagem colectiva do passado"
Lawrence Durrell in Monsieur ou o Príncipe das Trevas, ed Difel, Lisboa, 1984, pág15

O tema do devir colectivo mais próximo só com o tempo serena e ganha sentido mais definitivo. Até lá sucedem-se um sem número de ideias que se ultrapassam. E é esse devir do mundo, do nosso mundo que morre todos os dias. As justificações de cada dia mudam, desenvolvem-se, alteram-se e ganham outros conteúdos a cada dia que passa, perdendo-se no tempo o motivo inicial do que levou a todo o devir. E tudo porque somos sempre devir, e estamos sempre a intervir nesse mundo. Nada cessa e se cristaliza num ponto.
Se a história for efectivamente relevante, sobrepor-se-à aos afectos e justificar-se-à.

A ruptura

Houve uma ruptura que aproximou dois seres e o tempo manteve-os numa harmonia possível. Tal como o dia sucede à noite e esta ao dia, assim eles se sucederam a si mesmos. Aquilo que os atraía, o magnetismo da mãe natureza, foi-se dissipando, cansando-se das mesmas cargas. Um certo dia, fruto de uma corrente cósmica, um dos pólos afasta-se e faz desaparecer o magnetismo que produzia a força. O dia continuou a suceder à noite e esta ao dia e o mundo voltou a sorrir.

As mudanças são factores de expansão e crescimento. Assim como o tempo muda a todo o instante, também o mundo pode mudar com ele.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Do conto ao romance... ou ao drama?

Conversavam sem passado. Apesar de se saberem num caminho comum, sabiam que partilhavam uma estreita berma. Não era o centro de nada, apenas um percurso lateral construído de um afecto que se foi solidificando. Conversavam sempre sobre o eu que se projecta e se ambiciona. Havia futuro, desejo de outro mundo, desejo de liberdade e de autenticidade. E esse trilho brilhava por entre os olhares. Poderá haver, um dia, algo mais que encontros de afecto? Passariam a caminhar na berma, ou passaria a berma para o centro da vida? E, nesse tempo, como integrar o passado e passar a fazer consequência? Como passar a fazer história? A deixar de ser um conto para ser um romance.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A razão que se dane

Rasgo-me de nada
Como se fosse um tudo.
Uma qualquer razão,
....
...que piada!
Ainda haver quem acredite
Sim! Acreditar!
Nessa razão!
Amante de 20 euros
De trabalho mal servido
Sujo e repetido
Ensaiado ao enjoo
Para se sobrepor
A tudo o mais
E, escancarada, assumir-se
Reguladora de senso
E certezas absolutas...

Rasgo-me de afectos
Irracionais,
Sentidos
Mentidos
Amados
Sofridos
Queridos
Desejados

A razão que se dane...
Consegue lá ela entender o Amor...
O homem...
A emoção....

A saudade

Aquilo que sinto
Amargo doce,
Calor que comove
Sentido que se sobrepõe
A toda e qualquer retórica
Mundo de outros mundos
Passado pleno
Inquestionável.

Passado sem passado
Puro e cheio
Sentido pleno
Em suspenso
Nesse instante
Absoluto.

Um curta

Acordara sem grande motivação para se preocupar com o que vestiria por cima das calças de ganga. Olha-se para o espelho e enquanto penteia despreocupadamente o cabelo vê-se com a camisola de lã apenas. Prefere ir assim a ter que vestir camadas sucessivas de peças de roupa, seja top, camisa, casaco ou o que for. Apenas uma simples camisola de malha.
A ligeireza e tranquilidade com que se veste acaba por se transformar na tónica que o dia lhe foi progressivamente dando.
Ao fim do dia, satisfeita, despiu primeiro as calças e de olhos fechados esperou que umas mãos a ajudassem a tirar a camisa. Teria sido o fim de dia perfeito. Suspirou fundo e com suavidade desceu os finos dedos sobre o seu corpo sentindo o calor morno debaixo da roupa. Abriu o soutiã como quem respira longamente aliviada. Retirou-o pudicamente pelos braços mantendo-se apenas com a camisola. Apenas no espelho se mantinha sozinha.

Mãe, mãe e MÃE

No outro dia, e num programa de televisão, dizia uma entrevistada que o seu filho, aos treze anos resolveu ir viver com o pai. Entre algumas, não exaustivas explicações e consequências, falou num "drama social".

Ser mãe é um dom da natureza que as mulheres têm em exclusividade. Geram dentro delas um feto que dá origem a um ser humano que é parido. Durante a gestação têm a possibilidade de desenvolverem mil laços e outras relações intangíveis que após o parto se consolidarão. A própria capacidade de dar de mamar fortifica essa relação, adensa essa misteriosa protecção que a mãe vai significando.

O bebé vai ganhando autonomias e a mãe também. O mesmo caminho começam, naturalmente, a serem dois caminhos. E na criança fica sempre esse elo.

Imagine-se, todavia, que a mãe, por um vastíssimo espectro de motivações, vai tomando sempre a maternidade com um sentimento de imposição, de diminuição da sua liberdade, de supressão da sua independência, da sua autonomia. E, aos poucos, e sucessivamente, passa a ser a mãe do socialmente aceite, do que é suposto ser. Desaparece-lhe o afecto genuíno, natural, quase mesmo o afecto animal. Passa a ser uma relação com óbvios reflexos na, ou nas crianças geradas.

Visa esta reflexão não ser nada mais que uma reflexão sobre o unanimismo de conceitos e ideias que os dias de hoje nos obrigam sem serem minimamente abertos ou permissivos a uma tolerância do modo com que cada um viveu a sua relação maternal, nem como algumas mães lidam com os seus filhos. É tão obrigatório amar, respeitar, adorar e tudo o mais no limite superior do conceito à mãe como é obrigatório respeitar todas as diferenças de opções sexuais. Porquê ligar uma coisa à outra? Porque acredito, precisamente, que uma coisa vem da outra.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A outro tempo

Quando o pano cair
Dançarás sobre o meu cadáver,
Numa triste satisfação
Da vitória final

Eu, já sem tempo,
Ainda permanecerei
Apenas onde te couber
Onde te tocar.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Aforismo temporal

Há coisas que ficam no tempo. Nada como saber deixá-las manterem-se lá.

Uma curta mundana

E ela diz, segura e confiante, quase professoral:
- Eu, hoje - particularmente enfatizado - até concordo contigo...
Ficou apenas estupefacto.
Nunca lhe tinha passado pela cabeça que ela pensasse que eu haveria de perder um segundo sobre as suas opiniões. Era tão transparente que não precisava de opinar. Ela era aquilo. Desde o princípio do tempo. E, pasme-se, não buscava, em momento algum, a sua aceitação.
Uns segundos depois. orgulhosa da sua deixa, repete a frase:
- Eu, hoje até concordo contigo...
Que tão longo suspiro.

Valsando

Poderia eu guiar-te numa valsa
Onde tudo passava
À velocidade do carrossel
Passando por apenas ali estar.
E, pela cintura,
Sentia o teu calor,
O teu odor,
E, até, o teu amor...
Até onde poderia alhear-te do mundo,
Centrar-te apenas no som
Que contigo me rodeia?

Valsa-me... valsa-me...
Numa roda incessante
Um, dois, três...
Sempre

Ao beijo

Quantos beijos caíram
No meio dos teus lábios
Como se fossem
Uma simples saudação.

E quantos outros
Sentidos, queridos,
Desejados e ansiados...
Que ficaram por dar...

E os beijos piedosos,
A par dos obrigados,
Mero encosto de lábios.
Até forçados...

O beijo....
Como flor do Amor
Aflore-se com elegância
Ouse-se com vigor
E sinta-se arrebatadamente
Para que o seu aroma
Se quede intemporal

Apenas eterno

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Desabafo recuperado

Falar, conviver, conversar, partilhar uma refeição com alguém vive na mesma realidade sócio-cultural é melhor que qualquer outro processo exógeno de reconstituição moral.

Diga-se o que se quiser, mas há, definitivamente, mundos onde temos encaixes melhores e piores. E, de pois há aqueles que, mesmo assim, ainda nos devolvem um sorriso à alma que se vê no rosto.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Da revolução francesa

A revolução francesa fez-se com base na trilogia "Liberdade, Igualdade e fraternidade" que os seus descendentes socialistas tomam como conceitos absolutamente seus. É sua pertença. É o seu património. Mas não dão a liberdade para os outros serem diferentes. Não os tomam como irmãos. E, para cúmulo, não os acham seus iguais, acham-nos menores, burros, imbecis, etc... Que mundo pode haver com gente assim?

Tenho, convictamente, cada vez menos respeito intelectual por quem defende princípios que não pratica.

Política

Cada vez mais decepcionante. Não tanto a dita cuja, mas os seus actores mais passivos ( ainda que tenham a ambição de serem mais activos que os próprios actores)

Tenho cada vez mais dificuldade em entender as defesas emocionais ( para não dizer, mesmo caninas) de quem não viu a sua preferência ter sido a escolhida. Descem aos níveis mais básicos e animalescos de comportamento recusando lidar com a realidade. Chegam mesmo a querer obrigar o mundo a repetir à exaustão todas as tomadas de decisão até que os burros, estúpidos, ignorantes e imbecis que não os acompanham encontrem a luz dos seus argumentos.

Falta humanidade. Falta espiritualidade. Faltam exames de consciência. E muita tolerância.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

paradoxo

A imagem no cinema é uma sequência de vários instantes. Nenhum vale por si. O conjunto sobrepõe-se e é o movimento aquilo que retemos. A fotografia, o instante desse cinema, é em si o tempo todo.

Um paradoxo bizarro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Um altar aberto


Onde pára o telhado?


Olhando



Um longo caminho



Lazer


Espreguiçando de pés molhados

Templários


Mais que um símbolo, uma marca, até uma divisa.