quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Um história de amor?

Em tempos do Liceu foram o casal impossível. Ambos sabiam que havia uma química entre eles, assim como havia um efeito explosivo. Diriam que tinham tudo o que havia para ter para serem o casal do Liceu, mas tinham, também todas as incapacidades de se aceitarem.

E amavam-se? Claro que sim. O fogo desse amor era tão forte que inevitavelmente os destruía, impossibilitando-o.
E ciúmes? Mais que muitos. Tantos quanto o orgulho de cada um em se dobrar.

A vida encarrega-se de separar o que não foi feito para estar junto. E assim aconteceu. Toda a energia, a inevitabilidade, a certeza do que havia sido escrito nos céus ou nas estrelas passara com o maior remédio que alguma vez fora inventado, o tempo. E cada um fez a sua vida como era suposto acontecer. E sim, é claro que em cada um deles havia uma luz que nunca se apagara.

E eis que um dia, mais de 25 anos depois, se reencontram... Que dizer?
- Maria?
- João! Não acredito!
- Estás tal como sempre!
- Também tu!

E depois destes detalhes da praxe veio a conversa do tempo em que se fizeram homem e mulher, pessoas adultas e com carreira profissional. À parte das expectativas de um e de outro, acabaram por ser aquilo que, e à distância, seria normal que fossem. É fácil confirmar o presente e encontrar no passado as razões de ser aquilo que acabariam por ser.

Que fazer com aquela luz do passado agora? Um incerteza permanente, uma idílica possibilidade, um sonho de paraíso ou a certeza que alguma coisa não havia ficado no passado mas que acompanhava-os. E essa luz naturalmente cresceu e de intermitente, foi-se fazendo cada vez mais presente.

Aos quarenta tudo ganha uma forma mais arredondada, com menos atritos e com mais vontade de ser, sobretudo se vem sendo carregado à tanto tempo. O porque não ganha largamente às inseguranças da idade da adolescência.

E, num ápice que nem precisa de ser explicado, anunciado ou descrito, acabam por se encontrar num dia seguinte apenas com um lençol por cima e com a roupa que o criador lhes vestiu. E assim deu espaço às conversas que apenas se fazem assim. Como é que viemos aqui parar e porque é que só agora é que isto aconteceu. E repetem-se as acusações em tom de mel, as faltas que eram suposto serem motivos fortíssimos e tudo, afinal, nada era mais que uma imensa vontade um do outro.

Poderíamos ficar por aqui e era uma história de um antigo amor, como tantos outros que se verifica na idade em que a sabedoria começa a sobrepor-se aos ímpetos... mas o caminho, afinal, foi diferente.

Passada a lua de mel, aquela que não tem tempo e nem se dá por ele, e aos poucos, todos os motivos confessados e inconfessados se sobrepuseram à circunstância do momento e hoje como no inicio dos tempos para chegarem a perceber que são o que nunca poderá ser mas que insiste em ser. E sê-lo-ão assim para sempre.

Uma luz que nunca se apagará, um amor vencido mas nunca convencido e portanto invencível.

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