domingo, 29 de novembro de 2015

Lendo 127

"Dizes-me ser o rosto a manifestação do nosso ser desconhecido."
António Telmo, in Aventura Maçónica -  Viagens à volta de um tapete, Zéfrio, Lisboa 2011, pág 27

Em se da Antropologia Filosófica a questão do rosto e da face assumem um papel fundamental na constituição do nosso ser por ser o modo como nos damos a conhecer e pela qual somos conhecidos. Acresce a esta que quer o rosto/face é absolutamente alheia à nossa vontade e fruto da criação e com ele comunicamos muito mais que alguma vez poderemos pensar, pois vai reflectindo as nossas emoções. Pondo, por ora, a questão filosófica mais primária sobre o tema do rosto deixa esta no ar uma outra que esta frase muito bem sintetiza. Nós só conhecemos o nosso rosto por reflexo, ou seja apenas pela visão em espelho é que conhecemos o nosso rosto/face e nunca chegamos a conhecer a totalidade, senão mesmo a infinidade das suas emoções. Assim há, necessariamente, um imenso eu que desconheço que se manifesta por mim.

Toda a temática filosófica da comunicação e conhecimento que o rosto abre é-me absolutamente fascinante. Uma pessoa diz-se tanto pelo ser rosto/face que consegue chegar a zangar-se por ter sido descoberta num segredo pelo modo como o rosto agiu.

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