quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Choro

O Sol despediu-se agora
Roubou o dourado das janelas
O brilho das aves
E em breve virá
A sombra da noite
A luz dos candeeiros
E o voo dos morcegos

O Sol que se me morre
É o teu sorriso quando se apaga
A lágrima que te nasce
Do que ficou por te amar
Desse tempo intemporal
Quando te deste ao mundo
E ninguém te recebeu.

Choro a tua sombra
Que te segue nesse modo,
De ser sempre depois.
De ti e do mundo
De ser passado no presente
Estar sem poder ser.
Um futuro por conceber.

Choro a minha alma
Pudera ela ser
A sua possibilidade
Construir-se na sua vontade
E amar-se plenamente
Como quem não carece
Todo o amor da criação.

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