domingo, 29 de novembro de 2015

Isto é arte estúpido III


Hoje passei numa rua e, dentro de uma montra estava isto que se vê.
Segundo os conceitos mais alargados, podia dizer que se trata de uma instalação, logo arte.
Segundo um conceito mais mundano diria que alguém partiu um espelho.
Num conceito igualmente mundano acrescentaria alguém vai ter 7 anos de azar.
Para o dono da loja o pensamento seria maus inclinado para o custo do prejuízo.

Isto é arte, estúpido II


Ontem, durante um repasto muito simpático, falava com um curador de arte, parece que professor na Universidade Católica e carregado de atributos internacionais ( e tudo!!!) sobre o tema que, invariavelmente, me assalta, a saber, o que é arte. Dizia o simpático cavalheiro que, numa determinada altura havia levado a uma exposição uma estante cuja característica que lhe dava o galardão de ser "arte" era o facto de ter ganho a curvatura do peso dos livros deixando, pois, de ser uma muito justa aproximação à linha recta de uma tábua de madeira.

Dado ser um nadinha mais exigente com estas coisas da arte, jamais teria a ousadia de, com a foto que fiz e reproduzo ( exactamente com esta intenção), de chamar arte à mesma. Se alguém o fizesse seria para mim uma pessoa pouco honesta.

Lendo 129

"Arrependimento é sinónimo de metanóia." ( meta para lá, depois e nóia conhecimento)
António Telmo, in Aventura Maçónica -  Viagens à volta de um tapete, Zéfrio, Lisboa 2011, pág 30

A questão de sempre do que é ser verdadeiramente. Ser pensamento e ir verificando o que pensamos, como pensamos e as deduções que vamos fazendo e o arrependimento, o reconhecimento do erro, do engano, tem obrigação de nos fazer dar um passo à frente, mesmo que se entre em áreas do desconhecido. É nesse sentido que o verdadeiro arrependimento nos pode abrir portas a novas deduções, a novos conhecimentos, e, a rigor à verdade. Sempre que há arrependimento atingimos novo patamar de verdade. E só nesse caminhar é que poderemos chegar à mais perfeita e completa.

Arrepender é um sinal maior de se ser.

Lendo 128

"... quando te vires a ti próprio sem a meditação do espelho ou da imagem que tens de ti na memória do espelho"
António Telmo, in Aventura Maçónica -  Viagens à volta de um tapete, Zéfrio, Lisboa 2011, pág 27

"O teu rosto está também coberto por um capuz, embora não o saibas."
António Telmo, in Aventura Maçónica -  Viagens à volta de um tapete, Zéfrio, Lisboa 2011, pág 27

Como se pode verificar a temática do rosto/face e o pode significar com o conhecimento obriga a juntar duas ideias:
O espelho - ou seja uma representação reflectida que por isso mesmo deixa de ser a coisa mas uma imagem dela, logo apenas verificável parcialmente.
O conhecimento - o rosto, apesar desta dificuldade é a nossa primeira forma de conhecer.

Lendo 127

"Dizes-me ser o rosto a manifestação do nosso ser desconhecido."
António Telmo, in Aventura Maçónica -  Viagens à volta de um tapete, Zéfrio, Lisboa 2011, pág 27

Em se da Antropologia Filosófica a questão do rosto e da face assumem um papel fundamental na constituição do nosso ser por ser o modo como nos damos a conhecer e pela qual somos conhecidos. Acresce a esta que quer o rosto/face é absolutamente alheia à nossa vontade e fruto da criação e com ele comunicamos muito mais que alguma vez poderemos pensar, pois vai reflectindo as nossas emoções. Pondo, por ora, a questão filosófica mais primária sobre o tema do rosto deixa esta no ar uma outra que esta frase muito bem sintetiza. Nós só conhecemos o nosso rosto por reflexo, ou seja apenas pela visão em espelho é que conhecemos o nosso rosto/face e nunca chegamos a conhecer a totalidade, senão mesmo a infinidade das suas emoções. Assim há, necessariamente, um imenso eu que desconheço que se manifesta por mim.

Toda a temática filosófica da comunicação e conhecimento que o rosto abre é-me absolutamente fascinante. Uma pessoa diz-se tanto pelo ser rosto/face que consegue chegar a zangar-se por ter sido descoberta num segredo pelo modo como o rosto agiu.

Mais aforismos

O que mais incomoda não é o que não sabe, mas aquele que passeia a ignorância.

sábado, 28 de novembro de 2015

O público entrou em delírio


Apanhei as conversas a tempo



Abordagens diferentes







Irresistências




O final de dia no Outono


Será?

Leio os jornais, vejo as revistas e sou bombardeado pela televisão: Há imensa gente perfeita, que conseguem fazer tudo, que chegam a  todo o lado, que possuem a maior tolerância do mundo, que são capazes de todos os pensamentos e de todas as leituras.

Depois paro e olho para mim...

Ok. Não tenho nada disso, mas cá vou vivendo como sei, aprendendo o modo de poder ser melhor, ainda que muitas vezes não pratique, e não vai nada mal ao fim de 50 anitos.

Depois penso um pouco e reflicto: Como podem esses seres maravilhosos ter pachorra para o dia seguinte? Nada há a surpreendê-los....
Ou será que existe um lado B que ninguém mostra?

Eheheheheheh. Eu vivo tão bem com o meu lado B!

Mais um aforismo ou uma mera verificação?

Há um tipo de insanidade que progride com a idade. Não se sabe se é contagiosa.
É conhecida pelo seu nome mais comum "Egoísmo"

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Coisas simples

Uma pergunta tão simples como:

"Onde é a tua casa?"

Pode ter tantas respostas quantas a capacidade do homem ter fé e ser projectos.

Lendo 126

"A Filosofia sem Iniciação não conduz a nada,
a Iniciação sem Filosofia conduz à estupidez."

Ibn Arabî, filosofo e poeta séc. XII e XIII

A ideia da ser necessária uma iniciação à Filosofia não é nova entende-se com facilidade, essencialmente pela facilidade com que se cai para pequenos pensamentos em vez de grandes reflexões.

A novidade está, nesta frase, da necessidade da Filosofia para a Iniciação em qualquer rito. Ou seja da noção cabal que nada pode ser o que quer seja sem haver uma reflexão profunda e rigorosa sobre o que se pretende.

A dificuldade está generalizada e entende que se deve atribuir cada vez mais graus de facilitação à vida e às provas sucessivas que vamos tendo que alcançar em vez de reforçar o rigor que todos se devem aplicar para atingir um fim. A não aplicação desse rigor gerará, necessariamente, na difusão e propagação do erro como verdade.  

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mais uma curta

Senti a corrente de ar que o mosquito provocou ao passar por mim... Deixei de ser presa dele. Ele sente o odor da morte.

Mais um aforismo

Tudo se degrada até ser absolutamente transparente

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Para uma peça num acto

Num pequeno grupo ouve-se uma voz:
-Eu não discuto com fulano!
E a conversa parou.
Porque não discutir com alguém? Por razões positivas em primeiro lugar. Não discuto porque não tenho capacidade para rebater as opiniões, porque sei menos, conheço pouco os assuntos, não tenho profundidade. Ou seja uma atitude humilde. E nesse ponto, e por uma questão de cortesia, diria algo como, mas tenho muito gosto, estou muito interessado em ouvir o que nos tem a dizer sobre isso.
Por razões negativas. Este interlocutor não tem conhecimentos, sabedoria ou valor acrescentado, pelo que abdico desde já de perder tempo numa mútua troca de posições.
Há, também, a observar a mera possibilidade de a discussão poder ter, por via das adesões emocionais, tons mais inflamados, mas, e nestes casos, quem se inflama por regra não se furta a uma inflamação à priori.

Ora, e no caso em apreço, a troca de opiniões não parou apenas exibiu uma ignorância assustadora. Deduzi que o medo e a incapacidade fazer uma troca de opiniões construtiva foi a razão pela afirmação: Eu não discuto com fulano. Não discute, apenas faz eco da sua ignorância. Lastimável mas suficiente para sobreviver num pequeno mundo de naperons e crochet.

Para transformar esta base numa peça bastará dar um ambiente que pode ser uma sala de espera, uma reunião de professores, um bar de uma escola ou algo similar.
Podemos acrescentar mais personagens, como uma enfermeira e depois abre-se a todo um universo da pequenez humana servida nas suas inseguranças.

Quem sou eu?

Quem sou eu?
A minha imagem,
Aquilo que pretendo,
As minhas sugestões,
A minha decepção
E a minha tristeza,
Ou mas minhas certezas?

Quem sou eu?
Posso ser tudo isso
Ser ainda outras coisas mais
Mas eu sou apenas
Enquanto exigir-me mais
Mais verdade,
Mais honestidade,
Mais humildade
E maior sinceridade.

E de nada vale lutar
Por uma imagem desadequada.
Somos o nosso lastro
E esse merece sempre revisão.

Arte ou logro?


Esta foto foi tirada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Fazia parte de uma exposição.
Não me apetece muito perder tempo a perurar sobre a noção do conceito "arte" e de como ela pode ser mais abrangente e incorporar outras representações feitas pelo homem. Não aceito essa teoria e muito menos a ideia subjacente. Arte, tal como a literatura, a poesia, a música, etc, tem um determinado enquadramento que faz com as coisas caibam lá ou não.
Não por esticar um conceito que determinada produção humana passa a ter lugar. Até porque esse conceito apenas é distorcido para quem assim o entende, a maior parte do comum dos mortais apenas se afastará pois achará que estão a gozar com ele.

E isto tudo é a parte visível de um logro ainda maior que é a redução das coisas a um denominador comum cada vez mais básico e desclassificado de modo a tudo abranger o que inevitavelmente irá ter um papel centrifugador de deitar fora os melhores, os que têm valor e permanecer no centro o pior e mais desclassificado.

Meditando

A qualidade das pessoas revela-se pelos princípios que defendem.

Esta citação ocorre-me em imensas situações, quando vejo um administrador que se esquece de cumprimentar um empregado, quando um chefe toma uma decisão emocional, ou completamente centrada em si, quando se é "um doutor" ou o que quer que seja. Há uma linha absolutamente menor que alguma coisa extra pode ter promovido a pessoa e que essa coisa coisa esteja fora daquilo que ela é no mundo.

sábado, 21 de novembro de 2015

Drama existencial

Que fazer quando não se está à altura de si mesmo?

É a lei da vida

Quando se olha para uma fotografia de família, daquelas de grupo e nos damos conta que nos aproximamos cada vez mais das pessoas da primeira linha e ao centro. O tempo a passar e o nosso testemunho a ficar atrás de nós e, em alguns casos, os testemunhos deles já a nossos pés ou ao colo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Razões de morte

Razões de morte
Por afectos de vida.

Ou um amor que se desfez
Para que outro viva,
O seu ou de si,
Que no tormento rasteja.

Haverá futuro nesse afecto?
O de si....



terça-feira, 17 de novembro de 2015

OUTONO


Chegou aquele Outono que me entra na alma e varre-me todas as cores deixando-me os pastéis, os castanhos e uns cinzentos.........

A minha casa


Lendo 125

"Para acreditar nele [Deus] é preciso ter perdido o juízo."
Marques de Sade, in Filosofia na alcova, Antigona, Lisboa 2000, pág 30.

Lá voltamos ao mesmo. A fé não é um acto racional de onde se produzem os juízos. A fé é uma adesão, uma entrega. E assim, claro, para se ter fé, e FÉ mesmo, é necessário largar todos os juízos... Tão óbvio, tão certo, tão simples.

Quem se segura em todos os seus juízos já se perdeu neles.

Lendo 124

Não chamais religião ao pacto que liga o homem ao seu criador e que o obriga a testemunhar-lhe, mediante um culto, o seu reconhecimento pela existência recebida das mãos de tão sublime autor."
Marques de Sade, in Filosofia na alcova, Antigona, Lisboa 2000, pág 29.

Sade, o responsável pelo dito Sadismo, arte inicialmente focada em grandes desvairos no leito, ou fora dele, mas envolvendo sempre matérias do mesmo, era muito hábil na descrição desses desvairos mas um pouco ousado, para não dizer mais em matérias sejam filosóficas, sejam teológicas.

Gosto da ideia da religião ser um pacto, um acordo mediante um culto, entre o criador e o ser criado. Mas, e aqui é que a porca toda torce o rabo e toda ela mesmo, é que o criador pertence a um plano, a uma natureza, a uma capacidade de ser que jamais em tempo e modo alguns se pode assemelhar ao criado. E esta diferença crucial, abissal mesmo, faz com que a frase dita por Sade seja uma divertida brincadeira e tão somente isso. A ideia de pacto é, necessariamente, uma combinação entre as partes, ora como pode assim ser se uma delas se deve integralmente à primeira. A não ser que seja um acordo da primeira com ela mesma para que a segunda produza um culto a fim de o encontrar e o reconhecer. Caminho tortuoso mas curioso.

O que de ti quis...

O que de ti quis,
Mais que tudo,
Foi o sossego
E aquele silêncio...

A paz do calor,
Encostado no tempo,
Que resiste
Na eternidade

E veio a palavra
Com o seu ruído
Abriu-me os olhos
Quando a noite caiu.

E sempre se repete
Sé e em grupos
Num barulho infernal..
Mas o que foi que fiz?

domingo, 15 de novembro de 2015

Desapareceu

Desapareceu uma cadela. Ontem grande, enorme e engraçada, embora um nada pastosa e repetitiva. A sua ausência tem provocado grande dor de cabeça, um sabor amargo e uma grande vontade de ficar na cama.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

be in english

I have a challenge. More than writting in english, try to do some poetry on it.

Accept my apologies my very good and breathtaking teacher, but I´m a bit shy on it.... Anyway do not give it up.

Olhó avião....





Mas??????


Isto vem a propósito de quê?

Todos somos transparentes


A preparar a noite



Insiste


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Para uma amiga perdida

Desfez-se a pobre coitada,
Desasada e mal amada,
Em si já desacreditada
E no seu futuro rejeitada.

Fora uma miragem,
Uma ideia que tinha de si
Construída em possibilidade
De se eternizar imobilizada.

Como o mar fura a pedra
O vento do tempo também
Semeia expectativas nas estações
E tudo pede mudança.

E, mantendo-se parada,
Gélida já, dos ventos
Que incessantemente sopram
Morre-se mais em si.

Sem já nada para dar,
Nem mão que a receba
Fustiga-se contra o movimento
Desse tempo que insiste.

Fazes um desenho de mim? Desenhas-me?

Só se for nua....

Claro que ela não se despiu, mas eu despi-a.

E um desenho



Por defeito gosto de desenhar mulheres

mais desamor?

Em cima de mim,
No meu centro
Instala-se um burburinho
Ensurdecedor barulho
Discussão progressiva
Num incómodo profundo
Que se reduz,como tudo
       
        ao desamor....

Desamor

Aquele que desamou e que conhece esse desamor, que o entende e que o integra, entra na dimensão superior do amor onde deixa de haver objecto amado para haver simplesmente amor.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Antecipando o Natal


Mais uns exercícios




Na mesma onda

 

 

 

 

 

Mais uns exercícios de ver





Exercícios de ver




Choro

O Sol despediu-se agora
Roubou o dourado das janelas
O brilho das aves
E em breve virá
A sombra da noite
A luz dos candeeiros
E o voo dos morcegos

O Sol que se me morre
É o teu sorriso quando se apaga
A lágrima que te nasce
Do que ficou por te amar
Desse tempo intemporal
Quando te deste ao mundo
E ninguém te recebeu.

Choro a tua sombra
Que te segue nesse modo,
De ser sempre depois.
De ti e do mundo
De ser passado no presente
Estar sem poder ser.
Um futuro por conceber.

Choro a minha alma
Pudera ela ser
A sua possibilidade
Construir-se na sua vontade
E amar-se plenamente
Como quem não carece
Todo o amor da criação.

Sossega-te

Sossega a tua ânsia,
Esse afecto que ficou no ar,
Solto sem quem o segurar
E se fez raiva cinza.

Sossega essa dor
Que te rasgou a carne
E que persiste
Nesse tão pesado desamor.

Sossega esse desconsolo
De ficar perdido
Sem um horizonte
Ou, sequer, um abraço.

Sossega-te
A criação acontece todos os dias
E só te resta
Recriares o teu mundo.

Continuando a desamar

Desamou
Mas continuou a amar
Já não esse amor
Mas o tempo dele

Desamou

E desamou...
Partiu sem força,
Incapaz de vencer
A dor d'amar.

Mais amor

Ai se te pudesse reter...
Aquele momento,
Instante mesmo,
E aí permanecer...

Quando os olhos riem.
A luz acende o teu rosto
E a tua boca humedece...
E tudo isso é para mim...

Deixo-me escorregar,
Desfazendo-me assim
Como gelo feito água
E matar esta minha sede de ti.

Fazem-me o favor de deixar ser eu?

E foi chamada à cadeira de decisão. Não por opção mas por dedicação. Sempre fora dedicada ao que lhe era dado para fazer. Executava porque era a sua natureza. Não era pessoa de pensar a razão das coisas, nem a forma, mas e tão somente o modo. Era uma executante. E que fazer agora que lhe cabia pensar no que era suposto, entender o motivo pelo qual as coisas aconteciam e, pior de tudo agir individual e num grupo para o fim último. Não era capaz. Escorregava na sua falta de auto-estima e não desistia porque era, no fundo, uma executante.

Projecto de vida que se torna dilema de vida e pedaço de morte.