segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O medo

Há quem viva com um receio, que por vezes tem a cara de medo, de não estar à altura do seu desafio pessoal.

Poderia ter medo de um determinado assunto, de uma apresentação, de um compromisso, da consequência de um acto, de uma coisa que fez, mas em vez disso, tem medo de ter que ser a pessoa que é.

É uma tarefa muito cruel tentar sobreviver com pessoas assim.

domingo, 25 de outubro de 2015

Sobre o amor

"Casal morreu na lua de mel" - algures na comunicação social.

Em tempo não chegaram a conhecer o outro lado da lua e sem tempo para deixar as sementes dessa lua. E como o Amor é sempre maior, fica sempre a desolação do amor ter passado tão rapidamente para a eternidade.

Perdi-te no tempo

Num tempo, outro
Desapareces-te da palavra
Foste para nenhures
Ficas-te, simplesmente, ausente.

E recordo-te, quase em desespero
Onde mora o interior do homem?
Onde mora esse amor
E consegue-se viver sem ti?

De reflexo da reflexão,
O sentir dos íntimos sentimentos,
A vergonha pura e essencial
Em ti nascida, porque fulcral.

Onde andas tu, moral?
Linha essencial
Rigor consciente
Que somos apenas pó.




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Frases e poema

Troquei a minha roupa pelo teu corpo
E nesse castelo me entreguei
Onde não existe amanhã


Poema

E poderia ter sido assim
Uma coisa que tinha sentido
Um movimento intencional
Coisas que são no interior...

E agora de que vale?
Um passado que nunca é
Mera iludida vontade de ser
O que nunca poderá acontecer

É que o sonho apenas vale
Enquanto se vive ambicionado
 

De vez em quando

Tudo é possível, basta querer. E é aqui, nesse nada que reside a capacidade de dar a volta e passar a ter.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Lendo 123

"Trata-se nesta história duma mulher a quem a culpa não humilhou (...)"– Agustina Bessa-Luís, Homens e mulheres, FCG, Lisboa 2014, pag 25

Quando a culpa, ou seja a meditação reflexiva do erro, não humilha é porque no erro houve grandeza e, nessa circunstância o erro é menor que o acto que o supera, desde que haja grandeza suficiente no actor.

Lendo 122

“Depois dos quinze anos, uma rapariga faz-se qualquer coisa de ignóbil ou de sagrado.” – Agustina Bessa-Luís, in Homens e mulheres, FCG, Lisboa 2014, pag 29

Ahhhh! Nada como uma mulher a falar das mulheres em geral. O que é que separa o ser sagrado de ser ignóbil? A maternidade? 
Mas ser mãe não é somente carregar nove meses e parir um ser humano. Para Agustina ser mãe é a arte última de se ser mulher. É que é mãe do mundo, é mãe do homem e até do Homem.

Lendo 121

“As coisas grandiosas devem ser narradas de uma maneira simples; as coisas mesquinhas, de uma maneira subtil.” – Agustina Bessa-Luís, in Homens e mulheres, FCG, Lisboa 2014,pag 25

Por mais que não se queira, a Agustina consegue estes momentos desconcertantes de uma sabedoria de vida maravilhosos. São, mais que uma fonte de inspiração, lições de vida. A simplicidade na grandiosidade, é, sem dúvida uma das condições que faz com que o que é grandioso seja, de facto, grandioso. O lado mesquinho requer a subtileza necessária para que não se cole a nós.  

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Chuva

Estava a olhar a chuva. Água que caia. Repetidamente. Insistentemente.

Passou pelo mundo e foi directa ao mar. Uma reunião que tardava.

A mudança

Havia a possibilidade, até mesmo a ilusão que a mudança traria consigo a misteriosa uma transformação para além do espaço, da geografia... mas aos poucos tudo se vai fechar nos hábitos mais antigos, mais fáceis...
Podes mudar muita coisa, mas se não nasceres todos os dias, se não te abrires ao mundo todos os dias, ficarás sempre na mesma e o bolor instalar-se-à, o ar bafiento e o pó instala-se como se fosse cinza.

Derivações

E corre serenamente em busca de si. O mundo passa e o sujeito nele marca o tempo, em linhas numa parede imaginária. Ao fundo, na esquina dessa parede todos os quadros que lhe apeteceriam ver, mas, por artes estranhas afundam-se nesse vértice levando com ele o passado, deixando ficar apenas o tempo. E o sujeito nele.

sábado, 3 de outubro de 2015

Mais um aforismo para começar o dia

Há momentos que partilhámos que podem já não ser nossos, mas meus serão sempre e para sempre.