segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Até depois

Vivendo a possibilidade do compromisso. Nada nunca é só branco ou só preto e para se entender a imensidade de cinzentos temos que encontrar modos de lá chegar.

domingo, 27 de setembro de 2015

Lendo 120

"Um actor da nossa companhia andava atrapalhado, jogou nas corridas e, veja o que são as coisas, ganhou mil e quinhentos rublos. Não faz sentido querer arrancar a nós esse dinheiro."
Mikail Bulakov, in Romance Teatral, Parceria A. M. Pereira, Lisboa 1972, pag. 123.

Esta dedução é muito comum a pessoas que não nunca tiveram que trabalhar para ter dinheiro, pois que de outro modo, saberiam que sempre que alguém produz algo, deve ter o respectivo retorno. Muito comum esta barbaridade, mas é o resultado das conquistas de abril e outras fantasias redutoras de uma coisa que, sendo intrínseca ao ser humano, insistem em fazê-la um adorno intelectual. A moral...

Lendo 119

"Depressa, muito depressa, deixarei de existir! Já decidi isso, embora me produza um certo medo..."
Mikail Bulakov, in Romance Teatral, Parceria A. M. Pereira, Lisboa 1972, pag. 117.

É uma decisão minha, do autor, de cada um, ou uma certificação dada à nascença? O fim, esse momento misterioso, pode ( poderá?) ser antecipado pela mão do homem, mas, e ainda assim, é fruto da liberdade que o criador dotou o homem....

Deixaste de amar...

Deixaste de amar
Fechaste uma porta
Sem abrir janelas...
Morrerás seca,
E apenas contigo.

Não te esvazies...

coisas

Procurava o teu afecto no meio desse desamor. Não sei o final da história, mas é bem o espelho de tantas desrelações. É um pouco como a comunicação. Há quem comunique com quem declaradamente descomunica, e, no entanto, entendem-se.

O mundo é um local assaz bizarro.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Deduções e outras ilusões

Vejo-me preso num enredo que nunca pedi para entrar. Tento cautelosamente colocar um ponto final no assunto e eis que surge um voz a atiçar-me para o esgoto da baixeza verbal.

C'est la vie....

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

e...

E vinha, balançando o corpo, deixando em cada lado o apetite desperto em cada olhar que cruzava. E em nenhum momento era comigo que se cruzava.

E...

Até que ponto podemos....?

Até ao limite da nossa vontade?

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Curvas e outras fábulas

Há um tempo que não se consegue medir por meio mecânico, lunar ou com base na rotação da terra à volta do sol. É o tempo do amor.

Existe um momento em que se dá um clique e a partir desse momento começa a contar esse tempo que tenderá a crescer de intensidade até ao momento em que se pede, se tenta, se busca a receptividade do outro.
Há depois um outro tempo em que as expectativas admitem um calendário mais apertado para concretização de todas as ideias, vontades e ambições. Este tempo depende da intensidade da relação e das pessoas que se envolvem. Passado esse tempo mistério e, caso não se tenha dado o passo decisivo, ainda que se mantenha alguma expectativa em alta, a frustração começa a carregar o ambiente. E nasce um azedume para fora.

O mundo é um local muito estranho para os seres humanos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mais um pedaço de gente

Pensava que ia ser fácil e fluido. Só podia ser. Tomada a decisão apenas havia que organizar o mundo para que, com toda a certeza, as coisas se encaixassem. Apesar de atravessar uma forte crise de fé, tinha, no entanto, uma crença profunda, porque não mesmo, uma fé, que havia uma organização, ou melhor mesmo, uma razão para que as coisas acontecessem. O que havia de mal era apenas passageiro e, seguramente, um erro temporário que o devir do mundo rapidamente transformaria numa coisa diferente em que a paz e a tranquilidade se sobreporiam. Podia, também, dizer que se habituava ao incómodo e, de tal modo, este deixava de o ser, e passava a ser parte normal do seu devir. É decorrente disto a sua absoluta necessidade de controlar o que se passa em seu redor, pois que só assim consegue condicionar as alterações.
Todas as tormentas, mesmo as mais extensas, são temporárias. Havia uma excepção. As que eram oriundas do seu afecto, ou melhor do seu desafecto. Essas eram permanentes e condicionavam o seu agir fazendo progredir o desagrado.

coisas assim...

Deixar de amar e continuar a ser amado.

Resulta num drama, pois inevitavelmente a acidez irá nascer.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

De uma ideia.

Aconteceu um dia. Cedo, assim como o Sol se prepara para despontar a ideia começou a fazer-se forma dentro da cabeça. Algures, de um rolho de confusão, uma pequena linha, um nada começa a destacar-se e a organizar-se como ideia que, de repente, torna-se inteligência.

Em baixa

A dificuldade de comunicação é, na maior parte das vezes resultado da incapacidade de se ouvir.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Mais uma

O silêncio dos inocentes é tudo menos inocente.

Sobretudo quando o silêncio cala.

Da mesma série

Acção gera reacção.

Há quem estime que esta frase apenas se aplica a terceiros, ou seja, é utilizada como justificação. Bom, isto acontece porque aquilo, mas geralmente recusam-se a cogitar qual o primeiro equivoco que leva ao conflito. Pois que depois deste instalado é difícil haver um retorno saudável.

de frases

Existe uma frase que diz algo como isto "Nós somos aquilo que fazemos." Esta frase deduz uma verdade que, infelizmente, nem sempre conseguimos discernir, mas quando o fazemos pode ser muito cruel, sobretudo se não estivermos preparados para ler quer os actos dos outros quer os nossos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Teste

Corria um Verão quente. Demasiado quente. Não havia vontade de produzir nenhum movimento. Arrastava-me do quarto para a sala na expectativa de me refrescar. As janelas estava abertas mas com os estores baixos deixando tudo numa penumbra. E foi nessa falta de luz, nesse vento que, a tempos, entrava pela janela que conversávamos.
- Porque é que aqui chegamos?
Com a cabeça tombada sobre o ombro levantava o olhar e olhava-me fixamente e mantinha o mutismo. Voltava a olhar para a fivela do sapato que abria e fechava repetidamente como se já não estivesse ali.
O silêncio caia assim como mais uma baforada de vento quente que entrava.
Passava-lhe a mão pela perna descoberta na esperança de uma resposta que pudesse suplantar as palavras que ficavam por dizer. Ela atirava a cabeça para trás, como que sacudindo o calor do cabelo deixando a descoberto o longo pescoço e suspirava fundo ao mesmo tempo que se aproximava e com a sua boca procurava o silêncio fechando os seus lábios nos meus.
E estava calor, demasiado calor para que os corpos não deixassem de dizer as palavras que faltavam. A nudez dos corpos acabou por rematar a conversa que ficou pendente.
Enquanto olhavam o tecto, lado a lado, cansados e suados, volto a pensar…
- Como foi?
Um longo e profundo silêncio.
Ela levanta-se e colocando-se em contraluz onde todas as formas se revelam numa linha, pergunta:
- Vamos tomar um banho?

Foi a melhor decisão do dia.