Havia um homem que, andasse em que local fosse, olhava à sua volta e escolhia de imediato, entre as mulheres presentes, qual a cobiçar. Era uma acto quase reflexo que levava a perguntas, em ambientes mais próximos a perguntarem-lhe porque razão é que fazia isso?
- Não faço a mais pequena ideia. Nem faço por isso.
E seguiam desenvolvendo várias teorias sobre o afecto ou a vida animal consoante as crenças. A uns a razão ancestral, qualquer que ela fosse permaneceria a chave para descodificar esta necessidade constante de estar a acasalar. Outros, eventualmente menos freudianos, mais também muito ousados, tentavam convencer de um efeito primordial, no seu contacto com o mundo, havendo até quem chegasse a um reflexo intra-uterino de necessidade de ligação à mãe. Claro que os racionalistas apostavam na teoria do macho alfa que está sempre atento ao seu núcleo e pronto a escolher a fêmea certa para procriar e dar continuidade à sua espécie. Teorias para todos os gostos e explicações, no entanto, a conclusão era um aceno de cabeça afirmativo com um olhar mais especial para a eleita desse grupo, como que confirmar que seja lá o que for, ela não deixava de ser a especial desse grupo.
Amar e desejar sempre alguma mulher era, pois, um dado adquirido. Claro que umas com mais insistência, e até permanência, outras tão fugazmente que delas mal sustentava qualquer memória. O certo que é que cada mulher assim amada e desejada passava a ser desde logo uma mulher diferente. Havia uma luz especial que sobre ela descia e a enchia de uma bênção tal que passavam a ter uma pureza intrínseca. As suas eleitas.
Este afecto que transportava era, evidentemente gradativo, pois não se interligava com todas com a mesma intensidade, mas ligava-se sempre com sentimentos positivos.
Será que dedicava esta atenção especial como demanda de certificação constante da sua capacidade de ser, ele mesmo, amado de volta? Era uma ideia ousada, pois que ao dedicar-se a tantas mulheres, será que o fazia para confirmar a sua auto-estima? Podendo aceitar uma parte desta teoria, de sistematicamente aferir a sua aceitação no mundo, ela é, em si, insensata, pois que o facto de se ser no mundo estamos sempre em relação com outros e provocamos, em todos, relações. Sim, mas nem todas eram relevantes. Que lhe importa que pessoas com quem passa o mais anonimamente possível lhe queiram um afecto em todo semelhante ao que dedica ele às suas especiais? Que lhe importa saber que ele também é especial num determinado conjunto de pessoas com que se cruza, se essas pessoas não forem as que ele escolheu?
De facto, ser-se no mundo é global. É-se para todos com quem nos cruzamos e com quem convivemos. Com uns poderemos ter razões fortes, senão mesmo essenciais para que as relações sejam no plano de sempre e para sempre, inquestionáveis e absolutas. Não são passíveis de nenhuma objecção. E deste máximo vamos sucessivamente diminuindo até aos que se cruzam connosco nas ruas e, dos quais nem sequer o semblante demos por eles, acontecendo, todavia, que podemos ser, nesses mínimos instantes um especial com que se cruzam. Não tem sentido seguir esta linha, pois que é absolutamente infinita, a cada eu que se junte, replica-se imediatamente o mesmo pensamento e assim sucessivamente até ao infinito. É-se sempre também para um outro.
Agora voltemos ao afecto, essa pulsão que nos empurra para fora do nosso mundo com a ambição de trazer uma qualquer coisa que, assim, colmate o que quer que lhe falte de modo a ir à procura. Dito assim, temos inevitavelmente que o nosso homem abusando dessa pulsão, deverá ter uma falta de igual jaez? Ou faz parte da natureza do homem ser para o afecto e para o amor?
Esta a sua conclusão preferida. Quem está mal na vida não é quem quer amar tudo mas quem por defeito apenas ama pouco.
- Não faço a mais pequena ideia. Nem faço por isso.
E seguiam desenvolvendo várias teorias sobre o afecto ou a vida animal consoante as crenças. A uns a razão ancestral, qualquer que ela fosse permaneceria a chave para descodificar esta necessidade constante de estar a acasalar. Outros, eventualmente menos freudianos, mais também muito ousados, tentavam convencer de um efeito primordial, no seu contacto com o mundo, havendo até quem chegasse a um reflexo intra-uterino de necessidade de ligação à mãe. Claro que os racionalistas apostavam na teoria do macho alfa que está sempre atento ao seu núcleo e pronto a escolher a fêmea certa para procriar e dar continuidade à sua espécie. Teorias para todos os gostos e explicações, no entanto, a conclusão era um aceno de cabeça afirmativo com um olhar mais especial para a eleita desse grupo, como que confirmar que seja lá o que for, ela não deixava de ser a especial desse grupo.
Amar e desejar sempre alguma mulher era, pois, um dado adquirido. Claro que umas com mais insistência, e até permanência, outras tão fugazmente que delas mal sustentava qualquer memória. O certo que é que cada mulher assim amada e desejada passava a ser desde logo uma mulher diferente. Havia uma luz especial que sobre ela descia e a enchia de uma bênção tal que passavam a ter uma pureza intrínseca. As suas eleitas.
Este afecto que transportava era, evidentemente gradativo, pois não se interligava com todas com a mesma intensidade, mas ligava-se sempre com sentimentos positivos.
Será que dedicava esta atenção especial como demanda de certificação constante da sua capacidade de ser, ele mesmo, amado de volta? Era uma ideia ousada, pois que ao dedicar-se a tantas mulheres, será que o fazia para confirmar a sua auto-estima? Podendo aceitar uma parte desta teoria, de sistematicamente aferir a sua aceitação no mundo, ela é, em si, insensata, pois que o facto de se ser no mundo estamos sempre em relação com outros e provocamos, em todos, relações. Sim, mas nem todas eram relevantes. Que lhe importa que pessoas com quem passa o mais anonimamente possível lhe queiram um afecto em todo semelhante ao que dedica ele às suas especiais? Que lhe importa saber que ele também é especial num determinado conjunto de pessoas com que se cruza, se essas pessoas não forem as que ele escolheu?
De facto, ser-se no mundo é global. É-se para todos com quem nos cruzamos e com quem convivemos. Com uns poderemos ter razões fortes, senão mesmo essenciais para que as relações sejam no plano de sempre e para sempre, inquestionáveis e absolutas. Não são passíveis de nenhuma objecção. E deste máximo vamos sucessivamente diminuindo até aos que se cruzam connosco nas ruas e, dos quais nem sequer o semblante demos por eles, acontecendo, todavia, que podemos ser, nesses mínimos instantes um especial com que se cruzam. Não tem sentido seguir esta linha, pois que é absolutamente infinita, a cada eu que se junte, replica-se imediatamente o mesmo pensamento e assim sucessivamente até ao infinito. É-se sempre também para um outro.
Agora voltemos ao afecto, essa pulsão que nos empurra para fora do nosso mundo com a ambição de trazer uma qualquer coisa que, assim, colmate o que quer que lhe falte de modo a ir à procura. Dito assim, temos inevitavelmente que o nosso homem abusando dessa pulsão, deverá ter uma falta de igual jaez? Ou faz parte da natureza do homem ser para o afecto e para o amor?
Esta a sua conclusão preferida. Quem está mal na vida não é quem quer amar tudo mas quem por defeito apenas ama pouco.
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